23.10.10
Primeiro dia na Mostra de Cinema de São Paulo
Coisa que não acontece desde que eu era um universitário desempregado, este ano poderei acompanhar a Mostra de Cinema de São Paulo com uma assiduidade comparável ao meu interesse pelos filmes. Decidir tirar férias em outubro exatamente com essa ambição. Tentei comprar o pacote para 20 filmes, mas já estava esgotado. Optei, então, pelo pacote que dá direito a assistir a qualquer filme de segunda a sexta, no horário da tarde. O custo: 90 reais. Vale muito a pena, lembrando que o preço do ingresso normal é 18 reais. Com cinco filmes vistos, o pacote já compensa.
Ontem, primeiro dia da Mostra, assisti a dois filmes: O Mágico, de Sylvain Chomet, e Abel, de Diego Luna.
Chomet é o mesmo diretor de As Bicicletas de Belleville. Sua nova animação tem base num roteiro de Jacques Tati e preserva a elegância e o humor agridoce do mestre francês. Trata de um mágico com dificuldades para ganhar a vida numa época (1959) em que o público está mais interessado em rock´n´roll. A dureza piora quando ele passa a bancar uma jovem que o segue, atrás de um glamour que só existe na aparência.
Se o argumento já explicita uma causa perdida, a segunda metade do desenho (ainda pode chamar animação de desenho?) é de uma poesia triste, tanto pelo desenlace da relação entre o mágico e a moça quanto pelos destinos dos personagens secundários, outros artistas circenses que migraram para os palcos das casas de shows sem sucesso.
A trilha sonora, delicada como o humor de Tati, é outro ponto alto dessa animação. Achei que minha temporada de Mostra começava com o pé direito...
... O que não se confirmou com a sessão de Abel, à noite, no Espaço Unibanco da Augusta. Diego Luna é aquele ator que despontou em E Sua Mãe Também, ao lado de Gael García Bernal. Agora na direção, produziu um filme que está batendo recordes de bilheteria no México, o que só comprova que sucesso de público nem sempre tem a ver com jeito com a câmera.
Não que seu filme seja um embuste total. Tem lá suas qualidades e se encaixa bem no terreno dos independentes sobre famílias disfuncionais e gente esquisita. Mas bem longe dos melhores do gênero.
É a história de uma criança com uma doença mental que a faz assumir o papel de chefe da família, como se fosse pai de seus irmãos e marido de sua mãe. Seus melhores momentos são os de comédia, nas situações em que o menino se passa por gente grande, e os demais se curvam à situação, já que “é melhor não contrariar”. Mas o filme embaralha riso e drama sem muita convicção, o clímax é fraco e os coadjuvantes são mal explorados. Não convence.
* * *
Vi O Mágico no Marabá, do centro. Fui comprar os ingressos horas antes da sessão, mas não havia ninguém da organização da Mostra por lá. O pessoal do Marabá me recomendou voltar só na hora da sessão, com o risco de enfrentar fila, não encontrar ingresso, essas coisas da Mostra. Por sorte (a minha), a animação do Chomet não atraiu muita gente, e consegui os ingressos na hora. Ah, e só dava para comprar com dinheiro vivo, porque a bilheteria da Mostra (diferentemente da venda de ingressos para filmes em cartaz no Marabá) não dispunha de máquina de cartão.
À noite, na entrada da sala 3 do Espaço Unibanco, a Petrobrás fazia uma ação promocional distribuindo caixas de rolos de filme cheias com confetes de chocolate. O que se transformava num chocalho, ótimo para torrar a paciência de quem acha, como eu, que sala de cinema é lugar que pede silêncio e educação.
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Comentários:
Como amigo do cinema, convido-o a navegar no blog O Falcão Maltês. Com ele, procuro o deleite cinematográfico.
Abraços,
Antonio Nahud Júnior
www.ofalcaomaltes.blogspot.com
esse negócio de comidinha em cinema é um absurdo! deveria ser proibido com pena de multa. deixa o petisco pra depois do filme né, com chopinho e conversa.
fala mais sobre a mostra vai!
abraços
Desculpe pelo comentário off-topic, mas a causa é boa:
Acontece amanhã, 8 de novembro, em toda a Rede Cinermark (428 salas dos 52 complexos) o XI Projeta Brasil Cinemark que exibirá as principais produções brasileiras lançadas entre novembro de 2009 e outubro de 2010. Os espectadores poderão assistir a filmes nacionais por apenas R$ 2. Entre os longas-metragens do XI Projeta Brasil estão títulos como ‘Tropa de elite 2’, ‘Nosso Lar’, ‘Chico Xavier’, ‘Sonhos Roubados’, ‘Xuxa em O Mistério de Feiurinha’ e ‘É proibido Fumar’. Ao todo, mais de 30 filmes estarão disponíveis para o espectador. A programação completa e demais informações você encontra no site do Projeta Brasil: http://www.cinemark.com.br/acao/projetabrasil.html. O vídeo está disponível para link ou download no YouTube: http://migre.me/23oOA
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex