12.05.10
Beatles zumbis, Woody e Os Satyros
Leio na Folha que estão fazendo um filme em que os Beatles são zumbis devoradores. O John Lennon, pelo que entendi, em dado momento mata os companheiros de banda.
Ou vai ser uma obra-prima ou é sinal do fim dos tempos, junto com as chuvas em Niterói, a nuvem de vulcão na Europa e a morte do Michael Jackson.
* * *
Mas eis que o Woody Allen volta a Nova York e faz um filmaço, e parece que a vida vai ser como antes. Tudo Pode Dar Certo é uma comédia em que ri como não ria desde Desconstruindo Harry. Ou estou sendo injusto com Dirigindo no Escuro, que também é engraçado do começo ao fim – lembro de uma piada que só quem conhece um pouco de cinema entendeu, quando o filme do diretor cego é detonado pelas críticas nos Estados Unidos, mas acaba ganhando prêmio na França.
Um dos muitos diálogos perfeitos de Tudo Pode Dar Certo (lembrando de cabeça):
Homem gay num bar: - Deus é gay.
Homem (aparentemente) homofóbico – Imagine... como você pode dizer isso de Nosso Senhor, que criou um céu cheio de estrelas, as florestas tão verdes, o mar azul...?
Homem gay: - Está vendo? Deus é um decorador.
* * *
Sexta passada fui ao teatro, depois de longa, injustificada e vergonhosa ausência, para assistir a Hipóteses para o Amor e A Verdade, do Grupo Os Satyros. Ótima peça, que mostra como o grupo amadureceu nos diálogos e na cenografia. Há, entre os personagens, um transexual, uma mulher que vive agora como homem. No site do grupo, descubro que a personagem é baseada na vida real da atriz/ ator que a interpreta, a baterista do grupo punk feminino As Mercenárias, uma banda que eu acompanhava, mais ou menos, nos anos 80. Mas não reconheci a batera, que se chamava Lu Moreira, e agora é Leo.
Um acerto da montagem é que, ao abordar de forma crítica os relacionamentos contemporâneos em meio às novas tecnologias (celular, internet, etc.), não crucifica o novo comparando-o com uma suposta pureza anterior. Não caiu nessa facilidade. Mostra a vida de hoje como ela é, por meio de uma crônica que alterna esquetes curtos, com personagens que vão e voltam, como nos filmes de Altman.
Tem visão crítica, mas com uma generosidade inédita dos Satyros para com seus personagens – que somos nós, os deste século.
Posts similares:
Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen
Woody Allen faz cinema como poucos
O Sonho de Cassandra, Falsa Loura e novidades em revistas de cinema
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
Sem Comentários para esse post ainda...
Deixe seu comentário:

Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex