23.04.10
Como Treinar Seu Dragão, e Zico, Sócrates e Falcão
Como Treinar Seu Dragão é um ótimo filme se você é criança ou adolescente e, de quebra, fã de cinema de aventura. A ação é o forte do desenho (ainda pode chamar “animação” de desenho?) que, em matéria de diálogos espirituosos, come poeira atrás de filmes como Ratatouille, Era do Gelo ou Shrek. Quase não faz rir, nem o final “ternura” é capaz de emocionar. Mas segura as pontas numa tarde de feriado de quarta-feira, com vontade de chegar logo a hora do chope no Bar Brahma.
Quando atracar na TV paga, estará num nível bem melhor que o resto da programação.
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O canal TCM é um alento em meio a canais de filmes que se repetem e de nível desesperador. Hoje passa Caminhos Perigosos, do Scorsese, infelizmente num horário em que estarei me entregando a outro prazer estético e sensorial, o da gastronomia japonesa.
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Falando em prazer estético, nenhum filme das últimas semanas superou o primeiro tempo de Brasil x Itália (1982), reprisado no canal ESPN, terça da semana passada. Revendo pela primeira vez um jogo a que assisti aos 11 anos, descobri, quase feliz, que minhas impressões de criança sobre aquele futebol deslumbrante não ganharam um colorido exagerado pela nostalgia.
Aquele time do Brasil era tão bom quanto minha memória achava que fosse. O que Falcão jogou no primeiro tempo foi uma exibição poética, incompatível com a figura atual de um volante (quase sinônimo de cabeça-de-bagre). Sócrates, um gênio que só tocava de primeira. Zico, bem marcado, era um Messi dos anos 80. Seu drible no marcador seguido do passe para o gol de Sócrates é dos melhores lances do futebol brasileiro de todos os tempos.
Depois de rever isso, não dá mais para achar graça no que insistem em chamar de futebol. Exceção ao Santos desses primeiros meses de 2010.
Não nascemos para a beleza. A mediocridade é aplaudida e gera empatia, e a “Família Dunga”, com seus Josués e Elanos e Júlios Batistas, ri o riso débil da eficiência burocrática.
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Comentários:
Foi na Copa de 82 mesmo, nesse trágico jogo contra a Itália. O marcador rasgou a camisa do Zico, e o juiz não deu nada.
Abraços
Marcos
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex