25.02.10
Educação, de Lone Scherfig
Dois filmes num mesmo dia: Educação e Amor Sem Escalas. Para compensar um pouco o pouco que tenho ido ao cinema nas últimas semanas – ainda não vi o do Clint, nem o Guerra ao Terror, nem o Nine... e acho que vou deixar este último para o DVD.
Educação me pareceu o melhor filme em que Nick Hornby já se meteu – o roteiro é dele. Alta Fidelidade é bacana, mas piora na lembrança cada vez que penso nele e acabo comparando com a peça do Felipe Hirsch – que é bem melhor – e com o próprio romance do Hornby – que é uma obra-prima. Um Grande Garoto é uma Sessão da Tarde água com açúcar. E Amor em Jogo é uma comédia de dois neurônios que não tem nada a ver com o livro que o inspirou, o fantástico Febre de Bola.
Jenny é uma adolescente inglesa, aluna inteligente que sonha com Paris, com alta cultura, com um glamour que justificaria os pecados do amante mais velho. Ele é um trapaceiro sofisticado que acredita nas próprias mentiras, fantasiadas de paixões. “She’s the one”, confessa ao amigo, que já conhece seus impulsos.
A ambientação da Inglaterra pré-Beatles e pré-revolução comportamental é ponto alto do filme, assim como Carey Mulligan, atriz de 24 anos que interpreta a menina de 16.
Pena que o final moralista de Educação quase acabe com toda a boa impressão deixada pelo que vem antes. Acaba criando um desenlace maniqueísta para uma trama que acertava no acento das nuances e no carinho com seus personagens, gente que quer mais do que a vida lhe reserva.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex