03.11.09

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Na Mostra: Cinzas e Sangue, de Fanny Ardant

cinzas

Cinzas e Sangue, primeiro filme dirigido pela atriz Fanny Ardant, tem um resultado bem desigual. Do que mais gostei: dos enquadramentos belíssimos, em composições de três, quatro e cinco personagens, distantes entre si, destacando a oposição entre os membros de famílias inimigas, sem que o diálogo precisasse dar conta disso. E os planos abertos, muito bem trabalhados no uso da cor, mas principalmente na disposição pictórica. Contradiz o estereótipo de que atores, quando vão para trás das câmeras, se limitam a fazer filmes com ênfase na interpretação (não que a atuação fique em segundo plano neste trabalho).

O que me incomodou: o tratamento teatral, em algumas passagens, não funciona na tela grande. Os rituais das famílias talvez impressionassem mais sobre um palco. No filme, parece forçado. Tudo é solene demais, e esse peso coloca a perder uma história que, em si, já parece enredo de novela das seis.

O resultado me deu a impressão de um simbolismo capenga sobrecarregando uma história já marcada pelas hipérboles. A cena final, em que lobos rodeiam a mãe que ousou ser uma mulher forte num mundo de homens violentos, ilustra bem esse exagero.

* * *

A sinopse
Exilada da Romênia desde que seu marido foi assassinado há dez anos, Judith vive em Marselha com seus três filhos. Após se recusar a ver sua família durante anos, e apesar dos seus medos e segredos, ela se deixa convencer pelos filhos e aceita um convite para o casamento do sobrinho. Eles vão passar o verão no país natal, descobrindo suas raízes e seu passado. Mas a volta de Judith revive velhos ódios entre clãs rivais e desencadeia uma espiral de violência.

por Alexandre Carvalho dos Santos Deixe seu comentário - Permalink

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