27.09.09
A melhor música pop dos anos 2000
Lily Allen. Bendita hora em que, zapeando na noite preguiçosa, esbarrei com o clipe de “Not Fair”. Porque é a melhor canção pop dos anos 2000, e eu nem queria saber quem diabos seria a Lily Allen. A letra é sexy, a música é disco, mas também é country, e a tal da Lily canta doce que é uma coisa. Ok, lembra um pouco o Blondie, mas não imita. E se pensei em Blondie, é porque me interessa.
Daí fui conhecer o disco inteiro, It’s Not Me, It’s You, e achei tudo ótimo, embora “Not Fair” seja mesmo a melhor coisa.
Tivesse conhecido antes, e eu teria ido ao show da inglesa que rolou outro dia mesmo aqui em São Paulo. Não foi dessa vez, e talvez não seja nunca, porque acabo de ler que a Lily não quer mais saber de música, chutou a gravadora, pensa em virar atriz. Tomara que não.
Saindo aos poucos de uma hibernação musical que me desinteressou de tudo o que foi feito pós-primeira metade dos anos 90, descobri também o The Ting Tings. Que banda!... Coincidentemente, outra voz feminina. “Be The One” é a melhor faixa de We Started Nothing, sendo que o título do disco diz tudo: “Be The One” é New Order puro, mas traduzido para esses tempos de iPods. O melhor da música dos anos 2000 foi feito para dançar.
Então, para não dizer que não falei mal de ninguém nesse post, tem o Coldplay.
Como não dou a menor bola para o pop da década, não diferenciava essa banda do que poderia vir a ser The Killers, Suede ou Radiohead – para você ver como estou por fora. Mas, ouvindo um pouquinho mais de rádio, achei que emos e afins andavam prestando atenção ao Ian McCulloch – o vocalista do Echo & The Bunnymen, que o crítico Pepe Escobar gostava de chamar de Big Mac, nos tempos heróicos da Bizz. Isso porque comecei a ouvir o Ian, com uma penca de canções diferentes, na programação de diversas emissoras. Custou para que eu escutasse um apresentador explicar o embuste: o que eu imaginava ser o Ian McCulloch era, é, o cantor do Coldplay.
Vá imitar assim lá na casa da Madeleine Peyroux!
Enfim, não consigo ouvir Coldplay sem a impressão de que é uma banda cover do Echo, ou um projeto solo do Big Mac. Não desce.
17.09.09
O Apocalipse do livro impresso
A edição de setembro da revista Superinteressante, que está nas bancas, traz uma matéria minha, caprichosamente editada por Larissa Santana, sobre o futuro do livro. O protagonista desse texto é o Kindle, o e-reader da Amazon.
Você sabe o que é um e-reader? É um aparelho eletrônico, portátil (o Kindle é do tamanho de uma edição de bolso), que permite que você leia seus livros em qualquer lugar – até no banheiro, o que sempre foi o grande trunfo das publicações impressas contra os textos no computador.
Mas não vou ficar contando a matéria aqui. Só comentar que seu ponto de partida é a previsão apocalíptica quanto ao livro impresso. Não que eu, particularmente, ache que os leitores eletrônicos acabarão de todo com nossas estantes e bibliotecas. Mas, especialistas avisam, a versão impressa tem tudo para se tornar coisa de tarados por antiguidades. Como os escritores que não trocam suas máquinas Remington pelo teclado e o mouse, ou como o cartunista Robert Crumb, feliz da vida com seus discos de 78 rotações.
Para minha esperança, há quem discorde dos arautos da morte do livro impresso. Como Ruy Castro, no belíssimo editorial para a Folha de São Paulo de ontem. Que termina assim:
“(o livro impresso) já nasceu perfeito, e não é de hoje. Ele é bonito, gostoso e prático. É também portátil: pode ser levado na mão, na mochila ou na bolsa, e lido no sofá, na cama, no banheiro, na mesa do jantar, no bonde, no ônibus, no jardim, na praia, na banheira, onde você quiser. É também barato: quem não tiver dinheiro para comprar livros novos, encontrará farta escolha nos sebos e até na calçada da rua.
Um livro pode nos alimentar por uma semana, um mês ou o resto da vida. E, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de uma máquina para tocar. Basta ser aberto para poder ser lido. Na verdade, o livro só precisa de nós.
Neste momento, mais do que nunca, talvez.”



Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.