20.08.09

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Brüno, de Sacha Baron Cohen

Brüno

Vou começar a trabalhar num texto sobre maneiras de se evitar a depressão dos domingos à noite, a tal síndrome do Fantástico. É para o blog mesmo, basta eu ter um tempinho. Mas de cara eu recomendaria uma comédia na sessão das 22h. E tem de ser no cinema, não pode ser na TV. Se for na TV, você corre o risco de assistir aos gols da rodada depois do filme, ou emendar num “Domingo Maior”, esses hábitos dominicais que só reforçam o trauma do fim das suas migalhas de liberdade. Para ir ao cinema, você se arruma, acaba jantando na rua... é outra coisa.
E tem de ser na sessão das 22h, a última do dia. Para prolongar os momentos que são só seus, não do seu chefe.

Comecei a pensar nisso porque, no último domingo, assisti à comédia do Sacha Baron Cohen, Brüno. E só parei de rir na terça-feira. Literalmente, porque, na segunda à noite, eu estava contando passagens do filme para o meu amigo Pet, e ambos ficamos às gargalhadas... embora aí a cerveja tenha ajudado a tudo ficar mais engraçado.

Sim, as piadas são politicamente incorretas até não poder mais. Graças a deus.
Sim, o pessoal do mundinho fashion pode não achar graça nenhuma. Frescura.

Porque o mais bacana desse filme é que toda a afetação do personagem homossexual acaba brincando com a sua percepção. Pois, no final das contas, quem assina recibo de imbecil completo na tela é – assim como já era no outro filme do comediante, Borat – o americano médio, homofóbico, absolutamente irracional em suas reações e inseguro da sua própria sexualidade.
Estão lá o pastor especialista em converter gays em héteros (é de chorar de rir, o que Brüno diz para ele), o caipira que caça com uma latinha de cerveja na mão e mal consegue articular uma frase inteira, a platéia simiesca das lutas de vale-tudo.

No final, embora você tenha rido até não poder mais, fica a reflexão de quão intolerante esse mundo ainda é. Os personagens do filme, gente comum caindo nas pegadinhas do ator, não estão muito longe da visão de mundo de um Hitler. Toda a graça da comédia acaba levando a uma conclusão para lá de triste.

Assim como faziam algumas comédias de Billy Wilder.

por Alexandre Carvalho dos Santos Deixe seu comentário - Permalink


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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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