09.06.09
O Brasil na tela
Sempre tive a impressão de que o cinema brasileiro nos devia grandes temas da história recente do País, e também um registro artístico, cinematográfico, de nossos personagens: políticos, artistas, atletas, empresários. Nos Estados Unidos, um drama da dimensão da derrota no Maracanã, em 1950, seria motivo para dúzias de produções. Aqui, tivemos alguma coisa para Pelé (emocionante, mas presa à linguagem da TV), um filme de Pedro Joaquim de Andrade sobre Garrincha e uma homenagem ao divino Ademir da Guia, além de filmes dirigidos a torcidas específicas (Grêmio, Corinthians). Todos documentários.
Mas eis que o incentivo fiscal à produção cinematográfica tem diminuído essa carência. De uns tempos para cá, é raro um mês em que não tenhamos a estréia de um documentário nacional, sobre temas nacionais, e os personagens marcantes começaram a aparecer. Para ficar nos mais recentes: Paulo Vanzolini, Wilson Simonal, Titãs, José Lins do Rego, Vinícius, Glauber Rocha, Cartola, Noel Rosa (ficção), Cazuza (ficção), Olga (ficção, péssima), Velha Guarda da Portela... E logo teremos as estréias de documentários sobre o mutante Arnaldo Baptista (Lóki) e sobre Caetano Veloso (Coração Vagabundo). Em matéria de quantidade de filmes sobre personagens brasileiros, fizemos em cinco anos o que não fizemos em um século de cinema.
Imagino o que poderia render, nas mãos de um bom diretor, a derrota da Seleção Brasileira de 82, de Zico, Sócrates, Júnior e Falcão; o dia em que os imbecis pensadores do esporte decretaram o fim do futebol-arte, e a glória das retrancas competitivas e sem graça.
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Comentários:
No entanto, seria muito legal se houvesse um olhar mais atento sobre outras áreas, como a literatura e as artes visuais. Imaginem como seria maravilhoso um Coutinho se debruçando em Lispector... Ou um Iberê, Oiticica, Nise da Silveira... Só prá levantar uns nomes...
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex