18.05.09
Da fé, ou da falta dela
Beleza de texto, o do Luiz Felipe Pondé, na Ilustrada de hoje. Sobre a fé, ou a falta de fé, dele e dos outros. Um tema que sempre chama a minha atenção; para mim, é fascinante a forma como as pessoas dedicam tantas reflexões e submetem seus juízos e comportamentos às interpretações de narrativas antiqüíssimas, de tempos em que um relâmpago era temido como expressão de ira divina.
Mas o texto do Pondé não é o de um ateu militante, mas o de um observador, principalmente de si próprio.
Diz coisas como isto aqui:
“Às vezes, para mim, um sorriso de uma mulher bonita numa manhã qualquer determina minha aceitação do mundo, enquanto que uma alma azeda me torna um cético contumaz. Minhas ideias são como que escravas de um gesto doce ou de um corpo belo.
Por temperamento sou um descrente, por sorte não sou um niilista: o mundo sempre me salva de mim mesmo. A fé (em qualquer coisa) não é uma experiência comum em minha vida. Muitas pessoas julgam a vida impossível sem a fé. Acho que elas se enganam: a coragem e a gratidão são muito mais importantes do que a fé.“
E isto:
“A beleza que nos cabe, penso, é a que caminha sobre ossos.”
Eu já fui um militante do ateísmo, quando tinha mais ímpeto e menos miolo. Hoje me emociono com a fé dos outros – desde que não sirva de amparo à estupidez. Não é possível assistir à fé ressuscitando os mortos em A Palavra, do Carl Dreyer, e não ser tomado pela emoção. Ainda que o Camus de O Estrangeiro fale mais à minha percepção das coisas e da natureza dos homens.
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Comentários:
É interessante ver como é variado o jeito do ser humano se relacionar com essas questões. Amo, viva a diversidade.
Beijoca
O e-mail de contato do ig, eu acabei voltando a usar, porque não consegui cancelar, e acho, não sei, pode ser melhor centralizar os trabalhos e clube da esquina só nele, e o gmail só para nata, bom vamos ver, se ficar complicado eu uso um só. Ora vim Ora voi! Abração.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex