29.05.09
Justine, da Cia. dos Satyros
Assisti às duas peças da Cia. dos Satyros que me faltavam para completar a trilogia dedicada ao Marquês de Sade. Há coisa de dois anos, tinha visto A Filosofia na Alcova. Desta vez, assisti, num intervalo de três dias, a Justine e Os 120 Dias de Sodoma.
Embora as três sejam dirigidas por Rodolfo Garcia Vasquez e tratem de temas quase idênticos – libertinos desvirtuando moças e rapazes de almas e corpos puros – há diferenças entre as encenações. Justine é, de longe, a melhor entre as peças. A criatividade da montagem consegue imprimir um tom de comédia a uma trama que, por si, é trágica.
Justine é a estudante que perde tudo e é abandonada à própria sorte, sofrendo o diabo nas mãos de pervertidos, mentirosos, ladrões, padres libertinos e quem mais cruzasse seu caminho. A pureza da personagem resiste a todas as corrupções (físicas e morais), apenas para que uma outra violência a assalte, expondo o que pode haver de patético em alguém que insiste na virtude em um mundo corrompido.
A montagem dos Satyros não poupa a personagem do aspecto cômico de sua ingenuidade; ao contrário, enfatiza sua graça com uma combinação de linguagens, introduzindo seqüências inspiradas no cinema mudo e no expressionismo alemão. É cruel, mas é ótima.
Diferentemente do que acontece nas outras encenações da trilogia, Justine não se limita à tentativa de chocar o espectador com o que já está no âmago do próprio enredo: a perversão sexual, a nudez dos atores, os diálogos profanos. Justine usa o texto do Marquês de Sade como plataforma de um teatro que dialoga com a mímica, o cinema e o pastelão. Envolve o espectador pela própria força da encenação. Não precisa, para se impor, do choque que as idéias de Sade possam provocar na platéia.
Não duvido que as outras peças dos Satyros tenham sucesso nesta linha de “vamos chocar as pessoas com a nossa devassidão”. O espectador médio se choca com beijo gay em novela, com nudez frontal da cintura para baixo e com qualquer cena que escancare um sexo diferente do papai-e-mamãe-antes-de-dormir. Para quem não se choca, a insistência de Os 120 Dias de Sodoma com as curras e orgias dos libertinos, sem que a montagem traga nada de novo ao texto, não entusiasma. Junto com A Filosofia na Alcova, perece um trabalho ainda verde do diretor perto das soluções imaginativas de Justine.
* * *
Falando nisso, alguém ficou chocado com as cenas de sexo em Desejo e Perigo, do Ang Lee? Só se tiver alguma fobia da coisa...
LONGA
Elias vê seu mundo ameaçado quando sua ex-mulher, uma junkie em recuperação, pede a guarda de seu filho. Desesperado, após matar um homem em um acidente de trânsito, ele se esconde em um hotel decadente no Centro de São Paulo. Lá, ele conhece uma garota que também foge de seus problemas familiares. Juntos, eles vão tentar descobrir um novo sentido para suas vidas.
RELEASE
Meu Mundo em Perigo foi um dos grandes premiados do Festival de Brasília de 2007 e ainda inédito no circuito comercial de cinema do Brasil, conta a história de Elias (Eucir de Souza), um fotógrafo desempregado, que luta na justiça pela guarda de seu filho. Com prêmios de Melhor Filme segundo a Crítica, Melhor Ator, para Eucir de Souza (“Se Nada Mais Der Certo”) e Melhor Ator Coadjuvante para Milhem Cortaz (“Tropa de Elite II” e “Se Nada Mais Der Certo”), o filme chega aos cinemas comerciais em dezembro de 2010.
Com roteiro e direção de José Eduardo Belmonte e colaboração de roteiro do dramaturgo Mário Bortolotto, a história pesa quando a ex-mulher de Elias, uma junkie em reabilitação, ganha a guarda do menino e ele se envolve num acidente de trânsito, onde mata um homem. Perdido, Elias vai conhecer Isis (Rosanne Mulholland), uma menina doce, porém triste, que vai ajudá-lo a entender sua própria vida.
“O filme mostra várias situações cotidianas: uma disputa de guarda de filhos, pais solteiros com crianças, junkies tentando se reabilitar, um atropelamento, uma fuga, problemas com a justiça, com o sistema, brigas de mãe e filha, tentativas de redenção, desejos de vingança pela honra da família, a busca do pai, de si mesmo. – explica o diretor Belmonte - Basicamente trata-se de melodrama, o gênero mais assimilável para a maioria da população. Sem perder, contudo, o objetivo de mostrar um produto criativo e esteticamente diferenciado.”
Com esse filme, o premiado diretor está realizando uma ponte entre o cinema cult e o cinema popular. Essa é a constatação que se pode chegar, tanto com o sucesso do Teste de Audiência (em Brasília) a que o filme foi submetido, como com as criticas positivas que recebeu.
“O filme é brilhante, com sua opção de câmera rente aos personagens e uso da trilha sonora com densidade há muito não vista.” (Luiz Zanin Oriccho, O Estado de São Paulo – 22/01/2008)
“Um melodrama que beira a tragédia”, assim o diretor conclui seu filme, que conta com atuações emocionantes de Eucir de Souza, Rosanne Mulholland e Milhen Cortaz. Completam o time os atores Wolney de Souza, Ziza Brisola, Justine Otondo e a participação especial da atriz e diretora, Helena Ignez.
Meu Mundo em Perigo foi realizado antes das gravações de “Se Nada Mais der Certo”, terceiro e premiado longa de Belmonte, grande sucesso de crítica no Brasil. O filme todo foi rodado em São Paulo, “com a maioria das cenas no Centro da cidade, em clima de guerrilha”, explica a produtora Le Brasil. A equipe contou ainda com a integração e sintonia do Diretor de Fotografia, André Lavenere, o Diretor de Arte, Akira Goto e a surpreendente Trilha Sonora de Zepedro Gollo. A produção executiva é de Lili Bandeira e Le Brasil, que também assina a Direção de Produção. A produção é da Anhangabaú Produções e Noise Filmes. Distribuição do filme é da Vitrine Filmes.
Nota para divulgação
Meu Mundo em Perigo, quarto longa de José Eduardo Belmonte (“Se Nada Mais Der Certo, “A Concepção” e “Subterrâneos”) chega aos cinemas de todo Brasil, em dezembro de 2010. O filme realizado em 2007, ganhou o prêmio de Melhor Ator (Eucir de Souza) e Melhor Ator Coadjuvante (Milhem Cortaz) no 40º Festival de Brasília, além do prêmio de Melhor Filme segundo a Crítica do Festival, o mais importante do país.
A história mostra Elias, um fotógrafo desempregado que vê seu mundo desabar quando a mulher, uma ex-viciada, consegue a guarda do seu filho na justiça. Desesperado, ele se envolve num acidente de transito e mata um homem. No meio deste turbilhão, conhece uma jovem que mora num hotel decadente no centro da cidade, e finge ser muda.
Com atuações emocionantes de Eucir de Souza, Rosanne Mulholland e Milhen Cortaz, Meu Mundo em Perigo é um melodrama que beira a tragédia”, como define Belmonte. O filme também conta com Wolney de Assis, Ziza Brisola e Justine Otondo no elenco. Além da participação especial da atriz e diretora Helena Ignez. A produção é da Aganhangabau Produções e Film Noise, com distribuição da Vitrine Filmes.
A HISTÓRIA PROPRIAMENTE
Elias, 30 anos, desempregado há seis meses, é um sujeito pacato e gentil. Situações extremas, de brigas, o amedrontam, paralisam. Há dois anos, está separado da mulher, uma ex-viciada que entre tantas coisas, tentou colocar fogo no apartamento que eles viviam. Tiveram um filho, Ariel, que agora está com seis anos de idade. No último ano, enquanto a mãe se recuperava em clínicas de reabilitação, o garoto morou com pai. O filho tornou-se uma devoção na vida de Elias, que está tentando redescobrir o sentido de seu trabalho e se enquadrar novamente ao sistema.
A mulher, após conseguir um emprego e se estabilizar na vida, pede a guarda do menino de volta e Elias se vê completamente desesperado com a possibilidade de perder o convívio do filho. Passa a não dormir, não come, não busca emprego, esperando pela audiência. A ex-mulher também está nervosa, pois as chances de vitória são as mesmas para ambos. Fato que Elias não se conforma, pois não acredita na reabilitação de sua ex. Porém, a inconformidade de Elias perante o juiz parece ser decisiva, e ele se expõe confuso e alterado. Depois da seção mal sucedida ele perde a guarda para a mãe de Ariel. Através de sua advogada, Elias pede um recurso que será julgado em oito dias.
A situação não é a esperada, e depois de ver o garoto com a mãe, Elias vai para um bar, onde bebe além da conta, enquanto fala de seus problemas para estranhos. Embriagado ele sai pela cidade sem rumo.
Do outro lado da cidade, um aposentado de 80 anos, Alceu comemora o seu aniversário ao lado do filho e da nora. Alceu é um homem impositivo, agressivo. Insulta e humilha o filho, Fito, um sujeito frágil, dominado pelo pai e pela esposa. Mesmo em uma situação degradante, ele sente-se fiel ao pai, um reacionário, ex-torturador dos tempos da Ditadura. Nesta noite de comemoração, eles bebem muito em um bar perto da casa onde vivem. Saem abraçados, celebrando, cambaleando pela calçada. Fito passa mal, vomita. Alceu se desequilibra e num instante está no meio da pista. E é neste instante que Elias, dirigindo embriagado, está passando pelo mesmo local. Ele sente os olhos pesados, cochila por segundos e atropela Alceu de forma brutal
Elias que apenas via uma grande tela escura na sua frente, desperta assustado com o baque. Olha para os lados. Alguém sussurra. Sai do carro. O corpo de Alceu está sem vida. Fito cambaleia de um lado para o outro, só consegue ver o vulto de Elias e um carro arrancando.
Chegando em casa, Elias é só desespero. Teme que o reconheçam. Culpa-se por não ter prestado socorro ao homem que atropelou. Do outro lado da cidade, Fito está inconformado com a atitude do motorista que matou seu pai. Procura um amigo da polícia pra tentar achar o homem e tomar providências. Mas o amigo avisa que será de pouca valia, pois o motorista jamais seria condenado. Ter fugido e não prestado socorro não seria um agravante, não o colocaria na prisão. Pois, segundo a lei, não haveria o que prestar socorro, já que a vítima morreu. Transtornado, Fito tenta reconstruir a memória daquela noite (o rosto do motorista, o carro, alguns números da placa) e seguindo a educação do pai, resolve fazer a justiça de acordo com seus termos.
Na rua, Elias encontra uma mulher que já tinha visto no metrô antes de ter perdido a guarda de Ariel. A mulher lia uma partitura e parecia tocar um violoncelo imaginário. Ela é linda e tem uma aparência de menina triste (Isis). Ele estranha a coincidência e a segue até um hotel barato no centro da cidade. Ela parece morar lá. Querendo se esconder e, de certo modo, perdido, ele também se hospeda no lugar. No dia seguinte encontra a garota no café da manhã. O rosto, o jeito de menina, é um alento pra seu martírio íntimo. Mas Isis também vive um momento difícil e está no lugar pelo mesmo motivo, uma fuga da realidade. Por isso, ela não fala. Calou-se para o mundo. Ele não sabe se ela é muda, depressiva, uma farsante ou apenas uma fugitiva.
No entanto, entre tantas pessoas solitárias, Isis e Elias se reconhecem e se interessam um pela tristeza do outro. Fotografam-se e investigam a vida daqueles que estão no mesmo hotel. Unidos, tentam encontrar uma saída.
Alheio a isso, Fito segue com seu plano, procurando Elias pela cidade. Depois de um dia juntos, Isis e Elias revelam seus segredos um para o outro. Com a ajuda de Isis, finalmente Elias tenta ver o filho novamente e conversar com a ex-mulher, mas neste dia ele encontra Fito.
CURRICULO DO REALIZADOR
FILMOGRAFIA
SE NADA MAIS DER CERTO – longa-metragem
2008, ficção, 35 mm, 120 minutos
Principais Prêmios:
- Prêmio de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Atriz (Caroline Abras) no Festival do Rio de Janeiro(2008),
- Prêmio da Câmara Legislativa e Prêmio Saruê no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
- Prêmio de Melhor Ator (Cauã Reymond) e Melhor Atriz (Caroline Abras) no 2th Los Angeles Brazilian Film Festival.
- Prêmio de Melhor Filme, Melhor Ator (João Miguel) e Melhor Atriz (Caroline Abras) no 11o Festival du Cinéma Brésilien de Paris.
- Prêmio de Melhor Ator para Cauã Reymond e João Miguel no 13th Brazilian Film Festival of Miami.
MEU MUNDO EM PERIGO – longa-metragem
2007, ficção, 35 mm, 96 minutos.
Principais prêmios:
- Prêmio de Melhor Ator (Eucir de Souza), Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Milhem Cortaz), Melhor Filme – Prêmio da crítica no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2007)
A CONCEPÇÃO – longa-metragem
2005, ficção, 35 mm, 90 minutos.
Principais prêmios:
- Prize of proclamation for accomplishment of the Ministry of the Culture (2003).
- Prêmio de Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Prêmio Assembléia Legislativa para Melhor Filme Brasiliense no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2005).
- Prêmio de melhor Director de Arte no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (2006).
- Prêmio de Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Ator (Matheus Nachtergaele) no Prêmio FIESP de Cinema (2007).
SUBTERRÂNEOS – longa-metragem
2003 35 mm, ficção, 86 minutos.
UM TRAILER AMERICANO – curta-metragem
2002 35 mm, ficção, 13 minutos.
Principais prêmios:
- Prêmio para realização concurso Petrobrás para curta metragem.
- Prêmio de Melhor Montagem no Festival de Cinema de Recife (2003).
- Menção Honrosa ABD-RJ no Festival Curta Cinema.
- Favoritos do Público no Festival Internacional de Curtas Metragens de SP (2003).
DEZ DIAS FELIZES – média-metragem
2002 35 mm, ficção, 20 minutos.
Principais prêmios:
- Prêmio para realização do Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo.
TEPÊ – média-metragem
1999 35 mm, ficção, 17 minutos.
Principais prêmios:
- Melhor Filme – Júri Popular e Melhor Roteiro no 32o Festival de Brasília.
- Prêmio Assembléia Legislativa para Melhor Filme Brasiliense, 1999.
- Prêmio Melhor Filme Júri Popular, Melhor Montagem, Melhor Ator (Rogério Fróes)
no 28° Festival de Cinema de Gramado.
- Melhor Filme - Júri Popular, Melhor Fotografia e Prêmio Especial ABD no 7O Festival
de Cinema de Vitória.
- Favoritos do público no Festival Internacional de Curtas Metragens de SP, 2000.
- Melhor Argumento no Festival de Cinema de Cuiabá.
- Considerado entre os 30 curtas da década de 90 num levantamento feito pelo CTAV
com vários críticos e realizadores.
- Finalista do Grande Prêmio Cinema Brasil de melhor Média Metragem
5 FILMES ESTRANGEIROS – curta-metragem
1997 35 mm, ficção, 14 minutos.
Principais prêmios:
- Melhor Filme e Melhor montagem no 30o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
- Prêmio Assembléia Legislativa para Melhor Filme Brasiliense, 1997.
- Prêmio Especial do Júri no 27o Festival de Cinema de Gramado.
- Prêmio de Melhor Filme - Júri Popular no 3o Festival Luso -Brasileiro de Cinema.
TRÊS – curta-metragem
1995, 35 mm, ficção, 14 minutos.
Principais prêmios:
- Melhor Direção e Roteiro no 3o Festival Nacional de Cinema Universitário.
- 6 º Prêmio Paulo Emílio Salles Gomes de Melhor Filme Brasiliense no 27o Festival de
Brasília do Cinema Brasileiro.
Notas sobre o diretor
José Eduardo Belmonte é formado em cinema pela Universidade de Brasília onde teve aulas com Nelson Pereira dos Santos (com quem trabalhou) e Wladimir Carvalho, entre outros. Fez cinco curtas, quatro longas-metragens que somados deram aproximadamente sessenta prêmios nos principais festivais do país. Realizou num esquema de guerrilha seu primeiro longa: “Subterrâneos”, ainda inédito no circuito comercial. Seu segundo longa, “A Concepção” foi produzido pela Olhos de Cão, produtora de “Amarelo Manga” e “Prisioneiro da Grade de Ferro”. “A Concepção” foi lançado comercialmente no Brasil em 2006. No mesmo ano, Belmonte filmou seu terceiro longa-metragem “Meu mundo em perigo”, na cidade de São Paulo. Seu quarto longa-metragem, também filmado em São Paulo é “Se nada mais der certo”, que com seu curto tempo de vida já arrebatou vários prêmios, inclusive internacionais. Sobre a obra do realizador segue um texto do critico Carlos Alberto Mattos feito para uma retrospectiva dos seus curtas no festival Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira, Portugal.
José Eduardo Belmonte lida com a matéria bruta do cinema: rupturas amorosas, violência do cotidiano, acidentes de automóvel, corpos jovens que se agitam numa teia de palavras e músicas, citações cinematográficas, perigo de morte rondando nas esquinas e banheiros de uma cidade fantasmagórica.
Cinco curtas e um longa-metragem já bastam para revelar um autor com universo próprio e linguagem aberta para as indagações contemporâneas. A brutalidade de seus ícones, somada a uma concepção de tempo invulgar (ação física, memória e delírio dançam na mesma pista), liga seu nome a uma tradição de invenção que se enraíza no chamado Cinema Marginal brasileiro, praticado na década de 1970. Um cinema onde o lírico e o grotesco caminhavam de mãos dadas (ambas sangrando...) por avenidas e descampados que desejavam esvaziar a alma do espectador para mobiliá-la à sua maneira.
Essa herança se manifesta com maior vigor nos seus filmes “anárquicos”: na edição selvagem de 5 Filmes Estrangeiros ou nas referências de Um Trailer Americano aos filmes de André Luiz Oliveira, ele próprio surgindo como o diretor-dentro-do-filme. Mas também nos seus filmes “românticos” vamos encontrar a semente da transgressão, seja na quebra da linearidade narrativa, seja nos blocos imensos de tempo extra-fílmico que organizam o destino inconcluso de suas personagens.
Belmonte quer dizer-nos muitas coisas no espaço entre as imagens, assim como no vão aberto entre seus filmes. O conflito básico de Três, curta seminal da época da universidade, parece encontrar uma solução conciliadora em Um Trailer Americano, assim como Dez Dias Felizes ecoa situações e dilemas daquele primeiro filme – a angústia no canteiro central de uma auto-estrada, a memória jubilosa de um casal atirando cartas de baralho para o alto diante de um prédio residencial. Em Um Trailer Americano, vemos cenas de filmagem que aludem ao anterior 5 Filmes Estrangeiros.
A unidade desse conjunto é garantida também pelo olhar particular que o diretor lança sobre Brasília, a cidade pela qual trocou sua São Paulo natal, desde os quatro anos de idade. A capital brasileira tem fama de ser uma cidade vazia (especialmente num feriado como o de 5 Filmes Estrangeiros) e desumana em sua urbanização voltada mais para o trânsito permanente e a funcionalidade organizacional do que para a vivência doméstica.
Os curtas de Belmonte tiram partido desse cenário de western futurista. Dispõem suas criaturas num desamparo interior que se replica na paisagem erma. Soltas nas superquadras, eixos rodoviários e ruas comerciais desertas, elas estão freqüentemente alienadas do convívio social e encerradas numa individualidade que Michelangelo Antonioni conhecia muito bem.
A caminhada para a solidão, a irrealização ou mesmo a morte, na verdade, independe do número de pessoas ao redor. É o que mostra Subterrâneos, o primeiro longa de José Eduardo Belmonte, ainda inédito no circuito comercial brasileiro. O filme é uma espécie de documentário espiritual de um famoso centro comercial de Brasília, onde lojas, boates eróticas, igrejas evangélicas e escritórios sindicais disputam as atenções de uma grande freqüência popular. Narra com som e fúria a história, fragmentária e labiríntica, de um punhado de personagens à borda do desespero. Encontramos ali um realizador em pleno domínio de suas elipses, seu talento, sua loucura. E isso vale muito, num momento em que a imensa maioria dos cineastas brasileiros transige com o bom-mocismo.
CONTATOS
JOSÉ EDUARDO BELMONTE
Produtor e Diretor
Fones: (55 61)9115-3771
(55 11)9815-2388
Email: zifilm@terra.com.br
FILM NOISE
Empresa Produtora
Rua Oscar Freire, 708, 101 – Jardins - São Paulo-SP
SQS 116 Bloco G apt 109 – Asa Sul - Brasília-DF
Fones: (55 11) 2506-0300
(55 61) 3346-1938
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VITRINE FILMES
Distribuidora
Rua Lisboa, 496. São Paulo – SP. CEP 05413- 000
Fones: (55 11) 34558039 – (55 11) 82591119
Email: silviacruzgeral@gmail.com
WEB SITE DO FILME
www.meumundoemperigo.com.br
Amigo da onça
O Facebook tem tudo a ver com amizade. Mas foi traindo seu melhor amigo que Mark Zuckerberg, o bilionário inventor do negócio, deu os primeiros passos para a fortuna. Segundo o livro The Accidental Billionaires, no qual se baseia o roteiro do filme A Rede Social, Zuckerberg passou a perna no brasileiro Eduardo Saverin, que estudava com ele em Harvard e tinha colocado dinheiro do próprio bolso para a rede sair do papel. Bastou os primeiros investidores aparecerem para o americano tirar Saverin da sociedade.
O filme de David Fincher (de O Curioso Caso de Benjamin Button) apresenta ângulos diferentes da história da criação do Facebook – incluindo a versão de outros colegas que teriam sido passados para trás pelo nerd. A impressão que fica é a de que Zuckerberg pode ajudar milhões de pessoas a estreitar laços de amizade, mas quem o tem como amigo não precisa de inimigo.
BOXE
A rede dos VIPs
O diretor David Fincher dirigiu videoclipes como os de “Vogue” e “Express Yourself” para a sua amiga pessoal Madonna...
... que, por sua vez, já cantou com Justin Timberlake, que faz o papel de Sean Parker em A Rede Social...
E, quando casou com o cineasta Guy Ritchie, a cantora teve como madrinha de casamento a atriz Gwyneth Paltrow...
... que já namorou Brad Pitt, que...
... é amigão do diretor David Fincher, com quem já filmou Seven – Os Sete Pecados Capitais, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button.
Vampira mirim
Não aguenta mais filmes e séries sobre vampiros? Vale a pena ter um pouquinho mais de paciência. Deixe-me Entrar é a refilmagem americana do sueco Deixa Ela Entrar, que é um filmaço e cult instantâneo. E o remake não deixa a peteca cair. Em vez de vampiros cheios de tesão reprimido, o que vemos aqui é uma bela história sobre solidão e inadequação na infância. Menino de 12 anos, vítima de bullying na escola, faz amizade com uma vampirinha fofa. O que vai dificultar bastante a vida de quem implica com ele.
Filme-manifesto
Jean-Luc Godard é um gênio do cinema, isso ninguém duvida. Mas seus filmes não são para iniciantes. Com o passar do tempo, vão ficando mais radicais, como é o caso deste Film Socialisme. Não há enredo nem linearidade na colcha de retalhos que são as sequências do filme. O que fica evidente é a crítica política e cultural do conteúdo.
Pode ser que você ache o formato mais adequado para uma bienal de arte. Mas foi justamente desconstruindo a linguagem do cinema que Godard se tornou Godard.
Sexto sentido?
Jovem (Zac Efron) se sente culpado pela morte do irmão menor, num acidente de carro. Tanto que arruma emprego no cemitério em que o caçula está enterrado. O alívio só vem quando o menino passa a se comunicar com ele, e os dois mantêm uma rotina de encontros e bate-papos sobrenaturais. Tudo lindo, até que Charlie se apaixona e acaba no dilema entre seguir a namorada (Amanda Crew) ou manter a promessa de nunca deixar o irmãozinho. Se você não é fã de filmes à lá Nosso Lar, sem problema. Embora trate do contato com seres do além, A Morte e Vida de Charlie está mais para Ghost que para filme espírita.
Maior rede social do planeta, o Facebook existe para formar e aproximar amizades. Basicamente, é isso o que acontece quando você convida alguém para ser “seu amigo” na rede, compartilha impressões, aplicativos de Internet, pequenos e grandes eventos da sua vida. Tudo lindo. Mas, para o criador do negócio, Mark Zuckerberg, o que vale no mundo virtual pode não significar grande coisa quando se trata da realidade.
Pelo menos é o que dá a entender o filme A Rede Social, de David Fincher (de O Curioso Caso de Benjamin Button), que conta a história do nascimento do Facebook. Ou as histórias.
No livro Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, que serviu de base para o roteiro, a versão predominante é a do brasileiro Eduardo Saverin, principal fonte do escritor. Colega de Mark em Harvard, Eduardo foi quem primeiro apostou na ideia do amigo para a rede social. Tanto que tirou dinheiro do próprio bolso para que o Facebook decolasse. Mas, assim que os primeiros investidores apareceram, Mark deu um jeito de chutar o parceiro do empreendimento. No livro, você entende que foi traição das grossas.
Já no filme, embora a impressão geral continue ser a de que Mark Zuckerberg é um amigo da onça, o espectador pode escolher entre diferentes versões, dependendo do ponto de vista dos envolvidos – a inspiração confessa do roteirista Aaron Sorkin é o filme Rashomon, de Akira Kurosawa.
Isso inclui a reclamação dos gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss, atletas do remo que competiram na Olimpíada de Pequim, e também alunos de Harvard. Os dois haviam convidado Mark para criar um website que – segundo eles alegam até hoje – teria exatamente a cara do Facebook. Mark teria aceitado o desafio, mas, assim que pôs a mão na massa, nunca mais deu notícias aos irmãos. Desenvolveu tudo do zero e ficou com o projeto para si – e com a grana, claro.
Vilão inescrupuloso ou alguém que agiu em defesa da própria criação, o bilionário mais jovem do mundo (26 anos) é retratado no filme em toda a sua complexidade. Num dia, é o nerd sem traquejo social, excluído das altas rodas dos alunos da faculdade; no outro, é um gênio de quem todo mundo quer se aproximar. Como o bad boy Sean Parker, o inventor da Napster, interpretado no filme por Justin Timberlake. Ele foi o guru de Mark Zuckerberg na época em que este descobria o glamour – e as farras – de ser “o cara” que estava prestes a se tornar.
Para incorporar nuances a um personagem tão indecifrável, a escolha da produção recaiu sobre o ator Jesse Eisenberg (não confunda os sobrenomes), mais conhecido aqui pelo independente A Lula e A Baleia.
Embora se diga admirador da pessoa real que interpreta, o ator confessa não ser um dos 500 milhões de usuários do Facebook, e que só acessou a rede pela primeira vez quando foi convidado para o papel.
Mas seu conhecimento de causa vai além do talento para a interpretação. Em 2007, com a ajuda de um primo programador, criou o site OneUpMe.com, um jogo interativo de palavras, em que os participantes precisam superar as frases anteriores, seguindo um mesmo tema. Se a carreira de ator der para trás, quem sabe não está aí um novo caminho?... O maior exemplo, ele acaba de conhecer de perto.
22.05.09
Falando o húngaro de Chico Buarque
Walter Carvalho explica o complexo e delicioso trabalho de adaptar o romance Budapeste para o cinema
Por Alexandre Carvalho dos Santos
Imagine a responsabilidade: é sua primeira direção solo de um longa de ficção e lhe vem às mãos a adaptação de um romance, um romance de Chico Buarque, talvez o seu melhor, obra descrita por Caetano Veloso como “um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas”. Com a missão, aceita por Walter Carvalho, vem a inegável expectativa ligada a tudo o que o escritor, cantor e compositor Francisco Buarque de Hollanda produz.
“O Chico deu sugestões sobre a adaptação de Budapeste, conversamos bastante, ele é generoso e elegante, muito perspicaz”, avalia Walter. “Não impôs nada, mas fez observações que me levaram a pensar. Contou que estava atravessando uma rua, e alguém perguntou: ‘está à toa na vida?’. Achei isso fascinante e transformei numa cena do filme, fruto de uma conversa com ele”.
Walter Carvalho não está à toa na vida. Nem é por acaso que tenha se tornado um dos mais prestigiados diretores de fotografia do cinema brasileiro, parceiro de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Walter Salles. As fotografias de Lavoura Arcaica, Terra Estrangeira, Central do Brasil, Notícias de Uma Guerra Particular, Madame Satã e Carandiru têm sua assinatura, para ficar em uns poucos exemplos. Agora experimenta a direção de um filme de ficção, repetindo a possibilidade artística que já havia abraçado em Cazuza – O Tempo Não Pára, quando foi co-diretor ao lado de Sandra Werneck. Dessa vez dirige sozinho, mas “só” é palavra que não se encaixa bem no trabalho em equipe que desenvolve ao lado de tantos talentos. “Todos na equipe me conhecem, já vivemos juntos muitas situações de trabalho. Eu lia uma frase do livro e todos conversávamos sobre ela. O conceito vem depois do conhecimento e, quando você menos espera, ele está ali na sua frente”.
Na equipe, está ainda seu filho, o também fotógrafo de cinema Lula Carvalho, que, de menino a zanzar nos sets em que o pai trabalhava, passou a profissional de primeira grandeza, da fotografia premiada de Tropa de Elite e A Festa da Menina Morta. E como foi, para o pai, ter o filho ao lado, e desenvolvendo um processo que é tão íntimo de Walter? “Foi muito natural, conversamos bastante, mas a conversa nunca era sobre a questão específica da fotografia, mas sobre tudo o que não é fotografia no filme. Foi assim que Lula chegou a ela, e o mesmo se deu no figurino, no som e nas outras atividades ligadas à produção. Você tem de fugir da questão de como você quer, para então mergulhar na idéia que está se formando na sua cabeça. O bacana é descobrir num colaborador, e isso se deu com meu filho, o que está dentro dele e de mim também. O que caracteriza uma equipe não é um aglomerado de pessoas, mas a descoberta da subjetividade do outro, que é por onde me descubro e como se dá a criação em equipe. Acho que a singularidade de Budapeste, o filme, advém da sua pluralidade”.
Processo vivo de composição
A Rita Buzzar, coube o roteiro e a complexa tarefa de transformar as imagens que se formam na imaginação de cada leitor num encadeamento de representações prontas, definidas. Mas o roteiro, em Budapeste, é parte de um processo vivo de composição, repensado e recriado no dia-a-dia das filmagens, da montagem e da finalização. É o processo interativo e muito particular do diretor Walter Carvalho, que o explica: “Depois de todas as conversas, quando a gente parou para ver os copiões, eu passei a perceber o filme com cabeça, tronco e membros. A fisionomia do filme vai impregnando os trabalhos do dia seguinte. A gente pensa numa maneira de fazer e quando fazer, tira a idéia da teoria e ela volta para você, para o que ainda vai realizar, de modo que passa a descobrir coisas que estão dentro de você. É de fundamental importância que você esteja atento a isso, para que perceba a relação entre o concluído e o que está por vir, e transmita essa fluidez para as outras pessoas, e elas comecem a se dar. É como acontece no meu trabalho de fotógrafo de outros filmes, e quero que aconteça também com quem filma comigo”.
O personagem e seu duplo
O desafio da adaptação de Budapeste, de estar à altura das expectativas, passa pela complexidade de recriar em imagens um contexto baseado, sobretudo, na palavra, no idioma e na tradução. Seu personagem, José Costa, é o ghost writer que desenvolve um fetiche pela língua da Hungria, e então se divide em dois: entre Rio de Janeiro e Budapeste, entre Vanda e Kriska. Diz José Costa sobre o húngaro, a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita: “Palavra? Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio a faca”.
Como conduzir esse universo de reflexão para a mise-en-scène? Como representar a idiossincrasia de um personagem ambíguo e múltiplo, como o de Budapeste? É o que revela seu diretor: “Um dos pontos mais importantes da abordagem que fizemos é a questão do duplo: dois personagens em um só, com duas mulheres, dois filhos, duas cidades, dois países, dois idiomas. Busquei, por oposição, qual a afinidade do personagem com essas cidades; ele ser o mesmo, sendo outro. Não foi uma tradução da palavra pela imagem, mas o ‘transcinema’. Esse foi o exercício que fizemos com o livro do Chico”.
Um olho no livro, outro no quadro
Sentir-se desafiado por uma obra faz parte da própria formação de Walter Carvalho, artista que é também fotógrafo de still e artista plástico – “a fotografia é profissão, mas a pintura é só para mim”, avisa. Suas referências não se restringem ao trabalho de outros fotógrafos, e as primeiras influências lembradas por Walter são as da literatura. “Graciliano, José Lins, Machado, João Cabral foram pessoas que chamaram minha atenção para a vida. Meu primeiro livro foi de José Lins do Rego, e me marcaram muito também Caetano e Bob Dylan, assim como o mundo pictórico dos pré-renascentistas. Minha referência de imagem passa pela questão da perspectiva, pela questão pictórica, e, claro, passa pelos grandes fotógrafos, Robert Frank, Josef Koudelka... Gostaria de ser um deles”.
Crítico da banalização
Do cinema atual, Walter identifica muita coisa boa, mas lamenta um descaso com a força que as imagens sempre deveriam ter. “Há uma grande inflação de imagem no mundo contemporâneo, imagens despotencializadas te bombardeiam a todo instante; as imagens fabricadas dos outdoors. O cinema quer atingir o público a todo custo, quando é o público que deveria atingi-lo, descobri-lo, investigar sua alma. O único jeito de escapar da banalização é ler, estudar, observar, voltar a Cézanne, a Matisse, a Van Gogh, ou você corre o risco de virar um pastiche”.
Nos filmes em que o nome de Walter Carvalho se destaca na produção, as imagens, diferentemente, nunca são baratas, e é para o bem de um cinema em nova ascensão que o público brasileiro deverá assistir a outras obras dirigidas por ele, sempre com o mesmo amor intenso que dedica a tudo o que faz. “Pretendo e vou dirigir outros filmes, mas não posso parar de fotografar, sou um diretor de fotografia que dirige filmes. Os amigos podem me procurar para a fotografia, que estou disponível. Você não pode fazer o que querem que você faça; você tem de fazer o que você sente. Ou você fica louco”.
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Matéria publicada na revista Plano B.
18.05.09
Da fé, ou da falta dela
Beleza de texto, o do Luiz Felipe Pondé, na Ilustrada de hoje. Sobre a fé, ou a falta de fé, dele e dos outros. Um tema que sempre chama a minha atenção; para mim, é fascinante a forma como as pessoas dedicam tantas reflexões e submetem seus juízos e comportamentos às interpretações de narrativas antiqüíssimas, de tempos em que um relâmpago era temido como expressão de ira divina.
Mas o texto do Pondé não é o de um ateu militante, mas o de um observador, principalmente de si próprio.
Diz coisas como isto aqui:
“Às vezes, para mim, um sorriso de uma mulher bonita numa manhã qualquer determina minha aceitação do mundo, enquanto que uma alma azeda me torna um cético contumaz. Minhas ideias são como que escravas de um gesto doce ou de um corpo belo.
Por temperamento sou um descrente, por sorte não sou um niilista: o mundo sempre me salva de mim mesmo. A fé (em qualquer coisa) não é uma experiência comum em minha vida. Muitas pessoas julgam a vida impossível sem a fé. Acho que elas se enganam: a coragem e a gratidão são muito mais importantes do que a fé.“
E isto:
“A beleza que nos cabe, penso, é a que caminha sobre ossos.”
Eu já fui um militante do ateísmo, quando tinha mais ímpeto e menos miolo. Hoje me emociono com a fé dos outros – desde que não sirva de amparo à estupidez. Não é possível assistir à fé ressuscitando os mortos em A Palavra, do Carl Dreyer, e não ser tomado pela emoção. Ainda que o Camus de O Estrangeiro fale mais à minha percepção das coisas e da natureza dos homens.
13.05.09
Mademoiselle Nouvelle Vague
Está começando hoje, na Cinemateca, uma mostra imperdível de cinema francês com filmes associados à Nouvelle Vague. A estreia é de gala, com Truffaut (Os Incompreendidos, da minha lista de 10 filmes de todos os tempos) e Godard (Acossado, da lista de muita gente que entende do assunto).
Não precisa correr, porque a mostra é longa, vai até o começo de agosto. Neste primeiro mês, o foco está nos primeiros filmes de diretores importantes (além dos dois citados, Chabrol, Malle, Resnais, Rohmer...) e nas influências desses diretores, com filmes de Renoir e Vigo.
Tudo a módicos 8 reais, a inteira. Se as cópias estiverem em bom estado, vai ser um negócio da China.
Confira a programação de maio no site da Cinemateca.



Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex