08.04.09

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Che, de Steven Soderbergh

che

Vi Che na sexta, Valsa com Bashir no sábado. E, de sexta até ontem, revi toda a trilogia O Poderoso Chefão, do Coppola.

Benicio Del Toro realmente impressiona na encarnação do líder guerrilheiro rei das camisetas. Também gostei da reconstituição de época: os camaradas de Che têm mesmo pinta de revolucionários cubanos, não ficou aquela coisa barbuda de butique, e o mesmo pode se dizer dos políticos americanos, quase saídos de um documentário. No entanto, o que mais me chamou a atenção no filme de Steven Soderbergh, infelizmente, foi o quanto ele demora a terminar, e isso nunca é um bom indício sobre a qualidade de uma produção. Por exemplo, anteontem revi O Poderoso Chefão II, que é muito mais longo, tem cerca de três horas e meia de filme, e não senti o tempo passar. Che, diferentemente, provoca bocejos que se repetem com intervalos cada vez mais curtos ao longo da projeção, além de desconforto com a poltrona e desvios de atenção (pensei muito no que iria jantar quando, enfim, o interminável terminasse).

E imagine que este filme é, na verdade, metade de um filme, pois se trata de um projeto de Soderbergh dividido em dois. Por isso, o final repentino e, talvez por isso, a falta de clímax. O herói, por enquanto, é mais Fidel que o médico Ernesto Guevara. Durante as cenas da conquista revolucionária, o Che do filme mais responde às circunstâncias do que as produz. Se não houvesse a lenda, dificilmente um adolescente simpatizante dos desafios à ordem estabelecida sairia do cinema pensando em comprar camiseta, boina, cueca ou caderno com o rosto da figura histórica.
Ainda que Soderbergh jogue do lado dos que só vêem virtudes na trajetória de Che, faltou o extraordinário que transforma líderes empenhados e carismáticos em fixações do imaginário coletivo.

Não sei ainda qual a previsão de estréia da segunda parte, mas sei que só vou assistir se for por obrigação profissional.

* * *

A revisão de O Poderoso Chefão reafirmou minhas impressões anteriores sobre a trilogia. O primeiro filme é uma obra-prima insuperável, cada cena é um trunfo artístico, cada enquadramento, uma peça para colocar na parede e embelezar a sala ou os corredores de um museu. Os diálogos têm lugar definitivo entre os melhores da história do cinema, os personagens são marcantes, a música é perfeita.
O segundo é um filmaço, uma continuação digna da obra-prima que o antecede, enquanto o terceiro é apenas um bom filme, irregular entre passagens geniais e outras que se esforçam visivelmente em justificar uma extensão do que já era perfeito.

al pacino

Além disso, o Al Pacino do último filme não é o mesmo dos dois primeiros, o que gera um problema de continuidade: por mais que uma pessoa mude com a idade, o chefão do terceiro não parece a versão envelhecida do personagem que vimos se transformar, de herói de guerra, em um padrinho de sangue frio. Sai o Michael Corleone seco e de poucas palavras, entra o Al Pacino idiossincrático que conhecemos de Perfume de Mulher e O Advogado do Diabo.

por Alexandre Carvalho dos Santos 2 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: andrea lion · http://cadernodadea.blogspot.com

o che eu nãi vi, nem vou ver. detesto versões decepadas.
a trilogia do poderoso chefão é demais!!!!! vejo e revejo sempre.
e concordo com o al pacino fora de tom.
vc connhece as fotos de che feias por rené burri?
boa semana!

PermalinkPermalink 14.04.09 @ 22:35



Comentário de: Luiz

Não sei se vc gosta de ler sobre cinema.
Tem uns artigos sobre os filmes no site http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com
Coppola e os chefões
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes-ps

PermalinkPermalink 26.04.09 @ 13:09



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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