31.03.09
Steve Jobs na Superinteressante
Mais textinhos meus chegando às bancas. Na Superinteressante de abril, uma matéria de quatro páginas sobre o chefe demoníaco que é Steve Jobs, o presidente da Apple (“O Império do Mal de Steve Jobs”). Se você acha que trabalhar nas empresas do Vale do Silício é um mar de rosas, é porque não tem de agüentar mr. Jobs te chamando de anta para baixo sempre que lhe dá na telha, assumindo a autoria por projetos que você inventou ou exigindo que você não fale sobre seu trabalho nem com a sua mulher.
Leia na Super o perfil completo do Darth Vader que criou o iPod e o iPhone.
Já na nova edição da revista de cinema Plano B, escrevo sobre o ótimo documentário A Casa de Sandro, de Gustavo Beck, que recebeu menção honrosa na última mostra de cinema de Tiradentes.
E vamos levando...
22.03.09
Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos
O regionalismo dos anos 30 na literatura nacional é paixão confessa de Nelson Pereira dos Santos, artista que tanto reverenciou livros brasileiros, com resultados diversos. Em Vidas Secas, de 63, este amor à obra de Graciliano Ramos se revela por lentes neo-realistas, herdadas de Visconti e Rossellini, mas contaminadas pelo cinema de Jean Vigo e Renoir. Foi por admiração ao autor e ao livro, e não para subverter a essência da literatura, de nos deixar formar imagens de sugestões descritas, que Nelson construiu o plano inicial em que conhecemos a cadela Baleia, a consciência de um País de misérias nos arrabaldes dos carnavais. Foi por seu profundo humanismo, também expresso no belo Raízes do Brasil, sobre Sérgio Buarque de Holanda, que o diretor deu rosto e chão ao personagem Fabiano, o herói trágico de um agreste hostil em que a glória está em sobreviver.
Vidas Secas ora nos atira à cara a impotência dos excluídos e um sofrimento que não se admite, ora nos insinua a distante esperança de uma redenção. É uma temporada no inferno genial como a de Rimbaud, mas que nos leva para dentro daquela família de resistentes, para os grandes silêncios com que o personagem interpretado por Átila Iório se arrasta para a perda da dignidade. Nesta obra maior, a que tanto deveu o Cinema Novo, Nelson Pereira dos Santos ajusta a aridez das mortalhas filmadas à falta de respostas de Fabiano diante do fim das ilusões. Compõe, assim, um retrato esteticamente perfeito de tudo o que Graciliano nos fez imaginar com as palavras.
* * *
Texto meu publicado numa compilação de críticas dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, que resultou na matéria mais comentada da história da Revista Paisà, publicação impressa que virou site e que, infelizmente, agora fecha as portas de maneira oficial, por falta de patrocínio.
18.03.09
Coppola é o diretor para uma ilha deserta
Acabo de ler a edição caprichada de Filmes, da Publifolha, para a série Ilha Deserta, de 2003, que compreende os livros, discos e filmes que especialistas desses assuntos levariam para um exílio longe dos quiprocós da humanidade. Os náufragos que escrevem sobre suas paixões cinematográficas são: Inácio Araujo, João Moreira Salles, Ugo Giorgetti, Amir Labaki, Bernardo Carvalho, Isa Grinspum Ferraz e Agnaldo Farias. Cada um com a tarefa de escrever sobre os dez filmes com que ocupariam o tempo na tal ilha.
Inácio (meu professor de cinema) não se conteve e encaixou um filme a mais em sua lista: a camisa 11 coube a Anjos do Arrabalde, de Carlos Reichenbach. Moreira Salles também deu um jeito de citar mais um.
Repassei o que havia lido para identificar os mais assíduos nas listas. Francis Ford Coppola foi o mais lembrado, com quatro citações. E se engana quem imagina que todas foram para O Poderoso Chefão, mencionado apenas uma vez; também foram lembrados Apocalipse Now, Cotton Club e A Conversação.
Lembrei que, numa seleção de dez filmes de todos os tempos que fiz para a edição número zero da Revista Paisà, Coppola foi o único diretor de quem falei mais de uma vez: uma pelo "Chefão", outra por "Apocalipse".
Em segundo lugar, no livro, ficaram empatados, com três citações cada, Hitchcock, Antonioni, Godard e Orson Welles.
Deste último, também se engana quem acha que Cidadão Kane foi o motivo das três menções. Aliás, talvez para fugir da obviedade, nenhum dos ilhéus levaria "Kane" para uma ilha deserta. É Tudo Verdade ganhou dois textos; o outro foi para A Marca da Maldade.
Filmes mais lembrados, cada um com dois ingressos para a ilha deserta: Janela Indiscreta (Hitchcock), Os Sete Samurais (Kurosawa), Blow Up (Antonioni), Morte em Veneza (Visconti), A Palavra (belíssimo filme do Carl Dreyer) e o supracitado de Welles.
Achei que houve poucos filmes brasileiros nas seleções. Glauber só foi lembrado uma vez (por Deus e o Diabo na Terra do Sol), e há um Person aqui, um Walter Lima Jr. acolá...
João Moreira Salles, que só falou sobre documentários, foi mais camarada com os compatriotas, citando do indefectível Eduardo Coutinho até um documentário de Karim Aïnouz.
Estranhos no ninho: Um Cara Muito Baratinado (de Richard Benjamin) e 007 Contra O Satânico Dr. No, (de Terence Young), ambas escolhas de Amir Labaki.
Bom... o exílio é dele, ele leva quem quiser.
16.03.09
Paixão Antiga, da Carol
Poema botequeiro da Carolina Carvalho, moça que, apesar de entusiasta de pés-sujos e malfadados, é do ramo dos banquetes - prova de que os mais finos canapés podem conviver, na alma, com caldinhos de mocofava.
A Carol é poeta de verdade.
Paixão Antiga
Quando o último dos botecos cerrar suas portas para nunca mais
estarei lá,
agachada
mijando atrás de um poste entre as garras da noite,
as longas sombras que se estendem bivalentes.
O Apocalipse chegou, minha gente.
Logo não haverá balcão sebento em que escorar as dores,
nem salão tosco para a falta de decoro,
nem ninguém com cara de quem já viu tudo pra te olhar no olho.
O boteco,
botequinho orgulhoso, senhor de histórias e glórias,
casa de todos e de ninguém,
vai soçobrando aos poucos,
virando moda.
E a moda, minha gente, pede requintes, quitutes, banheiros de mármore de cima a baixo.
Eu te buscarei, derradeiro socorro de portas erguidas,
e a tua confusão que me acolhe,
as vozes e o cheiro da pinga que se evola,
a menina da escola comprando paçoca,
o homem sem perna, a potranca.
No boteco tudo cabe e nada destoa, vale briga, beijo e bofetada,
pode bermuda, chinelo e salto alto,
cabe a puta descansando e um petisco pra madame,
queijo, azeitona, salame,
tem cara de velho e cliente barbudo, tem gente que ri de tudo.
Boteco é onde o desprezível é importante,
o preço da gasolina, a saia da carolina, a casquinha do tremoço,
tudo vale um discurso, um aparte, lágrima inflamada e cerveja gelada,
é lugar de muita emoção.
Não é lugar pra ser visto, mas é o melhor pra se ver,
é onde passa toda a gente, comemorando ou descontente,
pra quem tem pro espetinho e pra quem deve pro gerente,
dinheiro da lisa não falta e tome mais uma rodada que depois Pinduca paga,
boteco é assim.
Quando sair na vejinha o boteco da minha esquina,
eu acho que morro um pouco.
Vão limpar as prateleiras, tirar o lápis da orelha e fazer um cardápio bacana,
o pé de cana que se abale pra outro lado,
boteco charmoso quer cliente descolado, dinheirudo e educado.
Quando o último dos sujinhos for texturizar as paredes,
eu vou é beber na praça, tomar vinho na garrafa, contar causo ao cobrador,
no barzinho caprichado, que saco, é que eu não vou.
13.03.09
Watchmen: 5 gostos e 5 desgostos
Do que mais gostei:
1 - Acima de tudo: de ver em reconstituição respeitosa os personagens preferidos da minha pós-adolescência (junto com Sal Paradise e Dean Moriarty de On The Road, e Holden Caulfield de O Apanhador no Campo de Centeio). Não foi sem emoção que vi Rorschach aparecer na tela pela primeira vez, o Comediante acender seu charuto, Dr. Manhattan finalmente perturbado entre os jornalistas... Que me perdoem o clichê, mas foram duas horas e tanto de uma vívida sensação de túnel do tempo, direto para meus 18 anos: Watchmen na cabeceira, lado a lado com A Educação Sentimental, do Flaubert. Morrison Hotel e Unknown Pleasures na vitrola (cd? imagina…).
2 - Da relatividade do tempo nas lembranças do Dr. Manhattan, tão próximo da morte de amigos e amores quanto do dia em que os viu pela primeira vez. “O tempo passa como um rato na sala”, diria um filme de Domingos Oliveira.
3 - Jeffrey Dean Morgan, perfeito na amoralidade do Comediante.
4 - Jackie Earle Haley, soberbo como Rorschach, o principal personagem de Watchmen. Nada me assustava mais, antes de ver a adaptação, do que imaginar como me decepcionaria com um Rorschach frouxo ou exagerado, ainda que o restante do filme estivesse bom. Sorte que o projeto de levar Watchmen às telas nos anos 90 não deu certo, pois os rumores apontavam para Robin Williams no papel... Ave, Maria!...
5 - De ter visto o filme antes de ficar velho demais para dar bola às minhas paixões juvenis.

O Comediante assedia Sally Jupiter
Do que não gostei:
1 - O pior defeito está em não dar a ênfase devida ao diálogo de Rorschach com o psicólogo da prisão, quando o vigilante conta como o problemático Walter Kovacs se tornaria o terror do submundo, o herói menos heróico e exemplar dos quadrinhos. Esta passagem é o clímax da série, mas é apresentada no filme de forma apressada, com buracos na narrativa que enfraquecem o personagem e, principalmente, broxam a expectativa dos fãs da HQ (sem dúvida, o público-alvo desta produção).
2 - Das lutas em câmera lenta, à la 300 (o outro filme de Zack Snyder), que provocam bocejos. Com a exceção da primeira, entre Ozymandias e o Comediante envelhecido.
3 - Da irregularidade do filme. Passagens muito bem construídas se alternam com seqüências que não se encaixam na narrativa, o que prova a dificuldade de adaptar uma obra tão complexa e cheia de detalhes, como a escrita por Alan Moore (gênio!).
4 - Do final, um erro feio do roteiro: jornalistas discutem o que serão suas próximas manchetes, enquanto o diário de Rorschach está logo entre as correspondências que lerão. A cena ficou totalmente sem sentido, porque, até então, em nenhum momento houve menção ao jornal para quem Rorschach enviaria suas anotações. Na HQ sabemos que se trata de uma publicação de ultradireita, afim com o pensamento político e comportamental do vigilante conservador.
5 - Ozymandias, gay? Ah, não...
Do que gostei mais ou menos:
De Malin Akerman, no papel de Silk Spectre. Não conheço outros trabalhos dessa atriz, nascida na Suécia, mas me pareceu de uma interpretação que faz o Murilo Benício parecer o Paulo Autran. Ela é ruim demais. Além de fazer o estilo “gatinha”, que não combina nada com a personagem amarga e cheia de questionamentos existenciais, que é Silk Spectre.
Por que gostei “mais ou menos”? Porque Malin é tão bonita que, mesmo sem nenhuma aptidão para a arte de Fernanda Montenegro, ela nos deixa torcendo para que participe de todas as cenas do filme. E ela participa bastante.

Malin Akerman: Silk Spectre estilo gatinha
Enfim:
Fui assistir ao filme com meu amigo Paulo César, como uma espécie de comemoração aos nossos vinte anos de amizade e a um fato histórico também: foi ele quem me apresentou à graphic novel. Paulo é desenhista premiado no Anima Mundi, professor de desenho voltado para HQs e um cara absolutamente aficionado pela obra-prima de Alan Moore (gênio!, gênio!) e Dave Gibbons. Ele sabe quantos cacos de vidro voam prédio abaixo no assassinato do Comediante, ele sabe as medidas de busto da Silk Spectre e recita cada fala do Rorschach (“Somebody knows. Down there, somebody knows") como quem repete uma reza.
E o Paulo gostou da adaptação para o cinema, chegou a se emocionar em certas passagens, de modo que só pude concluir que Zack Snyder fez a coisa certa... Ainda que tenha errado para caramba.
11.03.09
Ferreira Gullar e o imprevisível
Ferreira Gullar, próximo de seus 80 anos, sintetizando a roleta-russa da vida, em entrevista para a Bravo! deste mês:
“O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso. Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida. Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida. Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.”
08.03.09
As reviravoltas de Dulce Veiga

Carolina Dieckmann em Onde Andará Dulce Veiga?
Roteiro do último filme de Guilherme de Almeida Prado havia inspirado livro de Caio Fernando Abreu antes de ganhar novo tratamento para o cinema
Por Alexandre Carvalho dos Santos
Embora considere mais fácil desenvolver um roteiro original do que adaptar uma obra literária (já adaptou Cortázar em A Hora Mágica), o cineasta Guilherme de Almeida Prado procura em livros a faísca que dará início a uma idéia para um roteiro. Porque as boas idéias originais são mais difíceis de encontrar. “Truffaut disse que todas as estórias já foram contadas. Só nos resta contar com uma nova linguagem, de uma maneira fresca e atual”, afirma.
O roteiro para seu último filme, Onde Andará Dulce Veiga?, é de fato a adaptação de um livro. Mas, curiosamente, este livro nasceu de um roteiro de cinema. E este roteiro, o primeiro, havia sido a adaptação de uma crônica de jornal... Uma reviravolta que levou mais de vinte anos para chegar às telas, por caminhos tortos.
Crônica de Caio Fernando Abreu sobre uma atriz dos anos 50 e 60, “Onde Andará Lyris Castellani?” foi a faísca a atrair o interesse de Guilherme, que manteve uma amizade próxima com o autor até sua morte. Junto com Caio, desenvolveu o roteiro para o filme entre março e novembro de 1987, mas eram tempos difíceis para o cinema brasileiro, e o trabalho foi para a gaveta. Até que o escritor resolvesse transformá-lo em livro, um de seus maiores sucessos.
Já em 2002, com a seleção do antigo roteiro para um laboratório do Sundance Institute, o diretor ganhou motivação para voltar ao texto, agora com um novo tratamento, já com base no livro de Caio.
A nova versão respeita o espírito da obra literária, mas prioriza as idiossincrasias do diretor. “Sou muito mais fiel à linguagem cinematográfica e procuro não ficar intimidado pelo autor do livro. Não saberia adaptar um livro se não tivesse total liberdade para encontrar o filme que se esconde dentro da obra”, conclui.
A opção de Guilherme de Almeida Prado foi a de usar tudo o que era bom no livro e não estava na versão original. O roteiro passou a assumir o tom autobiográfico do livro, mas a principal mudança está no ponto de vista. “O roteiro original, escrito nos anos 80, era para um filme ‘dos’ anos 80, e agora passou a ser um filme ‘sobre’ os anos 80”.
Uma característica derivada do livro são as narrações em off, que não estavam no primeiro tratamento dado ao roteiro. Outras idéias exclusivas do novo texto vieram de tecnologias que não existiam nos anos 80, como as possibilidades de interação do espectador-leitor com todo tipo de informação. “Em Onde Andará Dulce Veiga?, eu procurei interligar idéias de uma forma aparentemente aleatória, como se navega na internet, onde um site se desdobra em outro, e é o interesse do espectador que dirige o raciocínio, completando e enriquecendo as idéias. Muitas vezes, o que o filme não mostra é mais importante do que o que está mostrando, porque o espectador completa a imagem de uma maneira muito mais rica. O filme poderia ser transformado num videogame, explorando todas as possibilidades de encontrar a Dulce Veiga”.
Guilherme relaciona esta faceta interativa de seu filme com a aceitação pelo público do século 21. “Não é à toa que os espectadores mais jovens parecem ter uma ligação muito mais visceral com o filme do que os que entram na sala de cinema esperando uma linguagem tradicional. A idéia de um filme que possa ser visto e revisto muitas vezes desafia os espectadores jovens, que estão acostumados com os videogames. Um game nunca é jogado da mesma forma, e Dulce Veiga pode ser visto de muitas maneiras”.
Este interesse de Guilherme de Almeida Prado por outras linguagens já o levara a escrever um roteiro para HQ, Samsara, que acabou influenciando até seu modo de fazer cinema. “Foi uma experiência muito rica, primeiro por poder escrever sem pensar em restrições de orçamento, o que, ao escrever um roteiro de filme, empobrece muito a imaginação. Mas, por outro lado, a obrigação que o Hector Gómez, o desenhista, me impôs de fazer cada página com um visual diferente acabou influenciando muito os roteiros de cinema que eu escrevi depois da graphic novel”.
Dos planos originais de Guilherme de Almeida Prado e Caio Fernando Abreu, o filme herdou a atriz Júlia Lemmertz, para quem Caio havia desenvolvido a personagem Patrícia. Mas Júlia acabou fazendo outro papel, o de Lídia. “Nunca penso em atores na elaboração dos roteiros. Primeiro porque acho que isso empobrece a criação do personagem e, no caso de não conseguirmos o ator, o personagem vai ficar para sempre órfão. No caso do Caio Fernando Abreu, era completamente diferente. O Caio só conseguia criar o personagem a partir de personagens reais de sua vivência e sempre gostava de sugerir o ator que tinha em mente para melhor interpretar aquele personagem real”.
Durante as filmagens, novas idéias fizeram com que alguns trechos do roteiro fossem suprimidos em prol da espontaneidade da direção. “Eliminei alguns diálogos na filmagem e cortei uma seqüência inteira na montagem, mas a maioria das mudanças em relação ao roteiro já estava na minha cabeça antes de começar a filmar. Como roteirista e diretor, eu gosto de deixar algumas idéias fora do roteiro para apresentá-las de uma maneira fresca para a equipe e o elenco durante a filmagem. Não gosto que pareça um trabalho burocrático de filmar um roteiro”.
Embora se possa associar a personalidade dos filmes muito autorais de Guilherme de Almeida Prado com o fato de escrever seus próprios roteiros, o diretor confessa que gostaria de experimentar a criação em cima de roteiros de outros artistas. “Me considero um melhor diretor do que roteirista e acho que seria capaz de dirigir melhor um roteiro que eu não tivesse escrito. De uma forma mais objetiva e criativa. Foi a estrutura de produção deficiente do Brasil que me obrigou a escrever todos os roteiros que dirigi. Espero um dia ter oportunidade de dirigir um filme de um outro roteirista”.
Aos interessados e às boas idéias, originais ou adaptadas, a porta está aberta.
* * *
Matéria publicada no número zero da revista Plano B.
Onde Andará Dulce Veiga? tem lançamento em DVD neste mês. O filme está concorrendo ao V Prêmio Fiesp/ Sesi do Cinema Paulista.
04.03.09
Paul McCartney e a Música Absoluta
Hoje li um texto da Revista Cult sobre Os Beatles, lembrando o quanto os fab four eram crédulos. Um trecho engraçado lembra a vez em que um hippie barbudo bateu à porta de Paul McCartney, dizendo que era Jesus Cristo. Paul imediatamente abriu a porta para o messias, convidou-o a tomar chá e, precisando ir para o estúdio onde gravaria “Fixing a Hole”, perguntou se “Jesus” gostaria de acompanhar as gravações. Claro que ele queria, podia estar doidão, mas não era bobo. Uma vez lá, “Jesus” ficou na dele enquanto John, Paul (nomes de apóstolos), George e Ringo estraçalhavam, e saiu sem chamar a atenção para si. Foi quando os outros perguntaram a Paul quem era o profeta caladão. “Ele disse que era Jesus Cristo, e eu o convidei”. Os outros imediatamente caíram na gargalhada, e Paul entrou na onda, mas deixando no ar um comentário menos irônico do que parecia: “Poderia ser, poderia ser...”.
Depois que li, passei o trecho para meu irmão, Ricardo Carvalho. Não porque ele goste de receber textos engraçados pela Internet (alguém gosta?), mas porque, se pudesse, vivia num submarino amarelo, cantarolando “It’s been a hard day’s night, and I’ve been working like a dog...”: é viciado em Beatles (e música em geral) tanto quanto eu. A diferença é que o Rica levou a coisa a sério. Como se não bastasse liderar uma banda especializada em Beatles e rocks dos anos 50 (da qual fui vocalista por um tempo), Rica estudou regência e composição na faculdade e se tornou regente de conjuntos vocais, além de professor de teoria musical, composição, arranjo e canto.
Seu amor pela música agora também se expressa na internet, num blog recém-lançado, com a finalidade de falar e ouvir sobre tudo aquilo que ele mais gosta. O nome: Música Absoluta.
No post de hoje, comentários bacanas sobre uma enquete da BBC que apontou os melhores maestros de todos os tempos.
O novo blogueiro é bamba em música erudita (de que eu pouco entendo), mas ainda me agradece por ter lhe apresentado os discos dos Beatles, dos Beach Boys e de Frank Sinatra (pensando bem, Sinatra veio desde sempre do meu pai). Tudo isso na primeira parte de uma vida dedicada à música, à camaradagem e ao destino inescapável de ser feliz.
Visite: www.maestrorica.blogspot.com









Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.