26.01.09
Titãs - A Vida Até Parece Uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Como bom adolescente roqueiro dos anos 80, não resisto a um documentário sobre uma banda importante da época, ainda que já entre no cinema preparado para as obviedades. Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa não inova em nada o formato do documentário. Pelo contrário, está mais para uma montagem frenética de cenas de shows, entrevistas com os músicos da banda e imagens caseiras (toscas) feitas pelo vocalista e compositor Branco Mello, que também assina a direção do filme. Infelizmente, as imagens caseiras têm uma presença desproporcional à sua relevância, já que insistem no discurso sem sentido, ou nos moços correndo na praia ou enchendo a lata. Por isso, é um filme para fã-clube, para quem possa achar graça nos ídolos fazendo macaquices em quartos de hotel. Essas sequências, para mim, demoraram a passar.
Há uma certa ordem cronológica, interrompida aqui e ali, mas não se vê quase nada de depoimento atual, nada de uma contextualização dos Titãs no cenário do pop-rock brasileiro. Senti falta, por exemplo, de uma entrevista com Ciro Pessoa, um dos fundadores da banda, que puxou o carro assim que o conjunto começou a fazer sucesso de verdade. Talvez se apresentar no Raul Gil tenha sido um fardo demasiado para o futuro criador do Cabine C.
Os melhores momentos do filme:
- Branco, Tony Bellotto e Marcelo Fromer em época pré-Titãs, com um visual de hippie da Praça da República, apresentando um “rock ecológico” sob o nome de Trio Mamão e As Mamonetes.
- A cara de constrangido de Charles Gavin, tomando o maior esporro do produtor Liminha, por ter feito um solo de bateria numa gravação.
- Os Titãs tocando no especial do Roberto Carlos, com evidente prazer.
De resto, fica aquela relação entre o fã voyeur e o músico exibicionista, desnudando-se para ser amado por quem precisa de todas as imagens do objeto de sua obsessão. Ainda que pareçam tão óbvias no contexto da exibição.
Certas horas, isso é o que nos resta.
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Comentários:
Quem gosta de cinema sempre deposita um pouco de esperança de encontrar algo inovador em tudo que vê. Lá pelos 20 minutos eu percebi que não era o caso e aproveitei melhor o filme.
Já saiu o DVD?
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex