12.12.08
"Disponibilizando" a desinformação
Falo muito sobre coisas que me irritam, porque não são poucas.
No caldeirão do inferno corporativo, morro um pouco toda vez que dou de cara com produtos “customizados”, e todo mundo quer “disponibilizar” alguma coisa, as empresas querem ser “players” aqui e ali, fulano quer “otimizar” suas bugigangas, sicrano quer “fidelizar” os otários que compram seus “jobs”. Na falta de vocabulário mais abrangente, repetem os mesmos palavrões mal traduzidos, transformam substantivos em verbos forçados, e o tal mercado – palavra que serve para dar nome a qualquer coisa – é puxado por jumentos.
Entre os capetas do jornalismo esportivo, jogadores são “blindados” para que ninguém fale o que pensa, ou para que nenhum pensamento invada suas cabeças pouco estimuladas. Mas se o termo é ridículo, a intenção de quem os protege é autêntica: não há lugar-comum que escape de uma “mesa redonda”, nas quais os obtusos ganham suas duas horas de pouca vergonha (geralmente dominical, quando, pelo menos, há assunto; o fim do mundo é a continuidade dos debates ao longo da semana, quando os mesmos temas são espremidos até não sobrar gota de bom senso). Os atletas são provocados para responder “sim” ou “não” e permitir que se escreva a bobagem que se queira inventar.
A imprensa que publica sobre futebol pode, com suas exceções, ser classificada como a Série B do jornalismo.
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Comentários:
Abraços
Falcon
Fora o PVC, que a gente testemunhou o gosto por esporte...
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex