25.11.08
Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen
O último filme de Woody Allen não é, de modo nenhum, do nível de um Hannah e Suas Irmãs, de um Manhattan, ou mesmo de um Desconstruindo Harry. Mas precisa ser?
Já virou chavão, dizer que, como o sexo e a pizza, um filme dele é bom mesmo quando é ruim. Só que Vicky Cristina Barcelona está longe de ser um filme ruim. Não tem pizza, mas tem personagens ambíguos, boa música e sexo à beça; não à mostra, mas nos diálogos, nas dúvidas e intenções de seus personagens, eternamente insatisfeitos.
Vicky... não tem os surtos de palavras dos melhores diálogos do diretor, o que o afasta um pouco do Woody Allen típico, mas as neuroses e a fragilidade – patética até – do ser humano estão todas lá. Principalmente nos homens, arquetípicos e bobões diante da complexidade de suas fêmeas.
Depois de assistir a Vicky Cristina Barcelona, coloquei na cabeça que a ausência de Woody Allen no elenco faz bem a Scarlett Johansson. Ela volta a ser convincente, como a culturete que procura sua veia artística e só sabe o que não quer, assim como havia ido bem no papel da amante perigosa de Match Point. Já em Scoop, era a própria falta de direção, tentando se equiparar nos diálogos à velocidade de raciocínio de Woody, que nasceu para aquele papel, seu eterno papel, e põe qualquer um doido com o clown neurótico e palavroso que só ele sabe fazer.
Mas eu, se fosse ele, daria preferência a Rebecca Hall nos próximos filmes. Ela, sim, parece modelo das intelectuais ansiosas, cheias de dúvidas e a fim de algo mais, imortalizadas por Diane Keaton.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex