14.10.08
O que me irrita: jingles políticos e a nova ortografia
Poucas coisas me irritam mais do que a estridência das músicas das campanhas políticas. “Agora, São Paulo já sabe... etc., etc., etc., o melhor é Kassab”... Acho que deixei de votar nele pelo tanto que esta música me irrita, pelo tanto que estraga a programação das rádios. Obrigado, Kassab, pela lei Cidade Limpa. Deveria também ser limpa de poluição sonora.
Será que houve uma pesquisa prévia, a apontar uma tendência da massa para o voto, impulsionada por esse jingle tonitruante? O da Marta – que também não recebeu meu voto, nem o Geraldo - não fica atrás. Parece que a fórmula do jingle do candidato mala exige gritos de um coro de vozes masculinas e femininas, todos a plenos pulmões, como se anunciassem as pamonhas de Piracicaba.
* * *
Perguntam-me sobre a queda do trema na nova ortografia. Respondo da seguinte forma: Pronuncie esta palavra: quinquídio. O termo designa “um período de cinco dias”. Se não existe trema, tratando-se de uma palavra que você não conhece e precisa ler pela primeira vez, não há uma indicação de como você deve pronunciá-la. Deve pronunciar a letra “U”? Não há como saber. Vai na sorte.
Acho o seguinte: a ortografia deveria conter indicações claras de como as palavras devem ser lidas. Depois, vão dizer que o português é mais difícil que o inglês, com toda a razão.
Que besteira, essa tentativa forçada de unificar a língua portuguesa. Ignoram que a língua de um país tem seu passado – que explica, por exemplo, porque os portugueses não querem abrir mão de seus “P”s mudos – e seu futuro – quando, por uma nova tendência ou costume, criaremos informalmente novas regras para a nossa língua, que logo serão incorporadas aos dicionários, mas que não serão adotadas em Portugal ou em Angola.
Ah, por enquanto, se precisar e quiser que a palavra seja lida corretamente, escreva qüinqüídio, para que pronunciem os dois “U”s.
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Comentários:
de toda forma, reformar implica abrir mão de parte da história que é contada por cada palavra, suas raízes e evolução.
sorte da clara e da stella que já vão ser alfabetizadas na nova gramática e vão sofrer menos que nós com a adaptação.
beijo, querido
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex