30.09.08

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Roberto e Caetano

Agora embarquei de vez nas homenagens à Bossa Nova. Estou lendo Antônio Carlos Jobim – Uma Biografia, do Sérgio Cabral, colecionando os CDs da Folha de S. Paulo e, no domingo, comprometi meu sono para assistir, à meia-noite, ao programa da Globo com o show que Roberto e Caetano fizeram juntos, só com músicas do Tom Jobim.

Da biografia, falo depois, porque ainda estou no meio – são quase 550 páginas. Dos CDs, há altos e baixos. Começando pelo que poderia ser melhor: o disco de Tom Jobim é todo com os corais femininos dos últimos anos; poderia haver uma variedade maior nas épocas, mais gravações antigas... O disco de Vinícius é todo cantado em parceria com Odete Lara, que, como cantora, era uma ótima atriz. E faltou "Eu e A Brisa", uma das maiores composições de Johnny Alf, no disco de... Johnny Alf.
Mas os acertos são muitos, e a coleção resgata, com excelente qualidade de som, artistas pré-Bossa, precursores e ídolos dos bossa-novistas, como o próprio Johnny Alf, Dick Farney e Lúcio Alves. Ah, e tem João Donato, numa ótima seleção de suas composições geniais, doces, suingadas, mais jazzísticas do que uma definição mais estreita da Bossa permitiria, mas tão autenticamente brasileiras quanto "Aquarela do Brasil" e "Águas de Março".

E o show? Foi mais curioso que emocionante. Eu esperava que Caetano se mostrasse bem mais à vontade que Roberto, já que sua trajetória musical está intimamente ligada à linha evolutiva da música popular brasileira, que floresceu com a Bossa Nova. Caetano afirma que ficou abalado ao ouvir "Chega de Saudade" pela primeira vez, ainda em Santo Amaro da Purificação, e costuma incluir a canção em alguns de seus shows (como no inesquecível "Circuladô", de 92). Foi produtor do último disco de João Gilberto, de quem se diz devoto, já gravou "Eu Sei Que Vou Te Amar"... Enquanto Roberto fez sucesso, primeiro, com uma versão ingênua do rock’n’roll de Elvis e do rhythm & blues de Ray Charles, depois com músicas românticas que devem mais ao samba-canção, ao bolero e a Frank Sinatra.
No entanto, no show, Caetano se mostrou contido, reverente com a música ou, pelo menos, com os arranjos preparados para o espetáculo, cheios de cordas, maestros e alguma pompa que nada tem a ver com o minimalismo dos modelos propostos por João Gilberto. O charme – a bossa – de seu canto se notou mais em "Ela é Carioca"; de resto, faltou a espontaneidade marcante de suas interpretações.
Já Roberto... pareceu ter nascido cantando "Lígia", "Insensatez", "Corcovado"... Foi tão pessoal em suas interpretações quanto poderia ser, acentuando o fato de que aquelas canções de Tom são canções de amor, sem, entretanto, descaracterizá-las. Era a Bossa Nova por Roberto Carlos, que cantava leve, descontraído, brincando com as canções. Esteve apaixonado por aquele momento, enquanto Caetano era respeito e solenidade. Ao contrário do que era de se esperar.

por Alexandre Carvalho dos Santos 3 comentários - Permalink

22.09.08

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Violência Gratuita, de Michael Haneke

violência

Quem acompanha as resenhas de lançamentos do cinema já sabe que Violência Gratuita, de Michael Haneke, é uma refilmagem, quadro a quadro, diálogos se repetindo com exatidão, de um longa do mesmo diretor produzido em 1997. A versão americana traz atores mais conhecidos do público brasileiro, como Naomi Watts, Michael Pitt e Tim Roth, mas segue as opções de enquadramento e montagem do filme original.

Não pretendo aqui me aprofundar em comparações entre as versões ou questionar os motivos que levaram Haneke a esse exercício de reprodução. Vamos ao filme.

Autor de Caché, Professora de Piano e Código Desconhecido (a ordem, aqui, está relacionada ao quanto gosto de cada um), Haneke trabalha com alguns temas que se repetem, como a influência do acaso, o conflito com os valores burgueses e o medo daquele que não conhecemos, o outro. Era assim na ameaça audiovisual de Caché, e é assim na representação demoníaca dos jovens sofisticados de Violência Gratuita; em ambos os casos, há a ameaça do “outro” a uma harmonia que a vida da classe média para cima procura manter.

Nada mais representativo dessa quebra de equilíbrio que a introdução do filme: a família viaja de carro ao som de música clássica, mas o diretor impõe uma ruptura violenta no som, que vai repentinamente dos violinos da composição erudita para uma música gritada, entre o metal e o punk, rascante em seu contraste com a imagem que se vê na tela: o casal troca sorrisos no carro, aparentando a leveza da música anterior, que já foi arrebatada pela desconstrução do barulho pós-industrial.
É como se a fotografia de felicidade fosse desmascarada por uma realidade que pretende, no filme, se impor às aparências, nem que seja pela forma da metalinguagem.

Os dois jovens ultraviolentos, que transformam em pesadelo o que seria um final de semana perfeito, parecem, à primeira vista, herdeiros da delinqüência sem limites de Alex, o já clássico protagonista de Laranja Mecânica. Mas, como Haneke insiste em comunicar, as aparências enganam. Os dois garotos são mais que personagens de uma trama: revelam-se elementos metalingüísticos que repetem a prática lúdica de seu sadismo infantil no diálogo com o espectador. A realidade paralela à da representação cinematográfica entra à força no faz-de-conta de que todos os filmes são feitos, e eis que Haneke assume a posição do que bate naquele outro faz-de-conta, o do idílio burguês. O espectador, como a família violentada, é a parte manipulada num jogo em que não dita as regras. A antítese das práticas interativas que se espalham na TV.

No caso de Violência Gratuita, talvez por reproduzir um filme mais antigo do diretor, a evidência dessa relação entre artista criador e espectador é menos sutil que em Caché, e acaba dando sentido à gratuidade que adjetiva a Violência do título brasileiro.
Mas talvez Haneke esteja apenas resgatando uma das muitas frases geniais de Billy Wilder: “a diferença entre a vida e os roteiros de cinema é que os roteiros fazem sentido”. No exercício de transposição da representação, que é Violência Gratuita, perde o espectador que espera um sentido da realidade que se impõe.

por Alexandre Carvalho dos Santos Deixe seu comentário - Permalink

15.09.08

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Mostra de Cinema Italiano

revolucion

A Pirelli está promovendo uma mostra combinando clássicos com trabalhos recentes do cinema italiano, a partir da sexta-feira, em São Paulo.

Confira o texto de divulgação com a programação da mostra:

Na “Semana Pirelli de Cinema Italiano”, o público terá a oportunidade de conhecer as novas produções e os filmes de arte que consagraram o cinema italiano como um dos que melhor retratou os momentos políticos e sociais vivenciados na Europa ao longo dos últimos 30 anos. Em sua quarta edição, o evento organizado pela Câmara Ítalo-Brasileira de Indústria e Comércio ganhou o apoio da Pirelli – o que permitiu ampliar o número de obras exibidas.

As sete produções contemporâneas e os 13 grandes sucessos do cinema de arte que ajudaram a construir a reputação da escola italiana serão exibidos nas salas do Cinemark nos shoppings Iguatemi, Cidade Jardim e HSBC Belas Artes.

A comitiva italiana, composta por dez conceituados profissionais, como os atores Ornella Muti e Beppe Fiorello, e pelo diretor-geral da Cinecittà Studios, Lamberto Mancini, desembarca no Brasil hoje para divulgar o evento e promover um intercâmbio cultural e de co-produções com estudantes e profissionais brasileiros da sétima arte.

A mostra nasceu de um acordo estabelecido entre a Assocamerestero (Associação das Câmaras de Comércio Italianas no Exterior) e a AIP (Audiovisual Industry Promotion) para incentivar o desenvolvimento do cinema e da indústria audiovisual da Itália no exterior.

A “Semana Pirelli de Cinema Italiano” é um projeto idealizado e realizado pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria desde 2005. O evento tem o objetivo de intensificar a presença da cultura do país no setor cinematográfico exibindo os filmes no Brasil. Além disso, a ação conta com uma delegação composta por importantes nomes da área para a realização de três ações: realização de workshops com alunos e profissionais em parceira com a Faculdade de Cinema da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado); exibição de filmes contemporâneos e encontros entre produtores objetivando realizações de co-produções comerciais entre o Brasil e a Itália.

A partir do instante que desembarcarem no Brasil, em 15 de setembro, os profissionais italianos vão cumprir uma intensa agenda. A comitiva participa da “Semana de Comunicação da FAAP/Fundação Armando Álvares Penteado”, quando serão realizados encontros e palestras com alunos da faculdade de cinema da instituição, e na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A última etapa da “Semana Pirelli de Cinema Italiano” ocorre entre os dias 22 e 31 de outubro, quando uma delegação de atores, diretores e produtores brasileiros embarca para a Itália para participar do Festival de Cinema de Roma.


Programação

Dia 19/9 - Sexta-feira
19h - Notturno Bus - Ônibus Noturno (2007 - 104 min)
21h30 - Il Mattino ha l’oro in Bocca - Deus Ajuda Quem Cedo Madruga (100 min)

Dia 20/9 – Sábado
19h - Piano, Solo – Piano, Solo (2007 - 104 min)
21h30 - Notturno Bus - Ônibus Noturno – (2007 - 104 min)

Dia 21/9 – Domingo
19h00 - Io, l’Altro - Eu, o Outro (2007 - 80 min)
21h30 - La Ragazza del Lago - A Garota do Lago (2007 - 95 min)

Dia 22/9 - Segunda-feira
19h - Il Mattino ha l’oro in Bocca - Deus Ajuda Quem Cedo Madruga (100min)
21h30 - Piano, Solo - Piano Solo (2007 - 104 min)

Dia 23/9 - Terça-feira
19h - La Ragazza del Lago - A Garota do Lago (2007 - 95 min)
21h30 - Fine Pena Mai - Castigo sem Fim (2008 - 90 min)

Dia 24/9 - Quarta-feira
19h - Fine Pena Mai - Castigo sem Fim (2008 - 90 min)
21h30 - Io, l’Altro - Eu, o Outro (2007 - 80 min)

Dia 25/9 – Quinta-feira
19h - Io, l’Altro - Eu, o Outro (2007 - 80 min)
21h30 - Il Mattino ha l’oro in Bocca - Deus Ajuda Quem Cedo Madruga (2008 - 100min)


Programação Cinemark Shopping Cidade Jardim

Dia 19/9 – Sexta-feira
19h - Prima della Rivoluzione - Antes da Revolução (1964 - 112 min)
21h30 - L’Ultimo Tango a Parigi - Último Tango em Paris (1972 - 132 min)

Dia 20/9 – Sábado
19h – Il Portaborse - O Senhor Ministro (1991 - 93 min)
21h30 - L’Istruttoria è Chiusa: Dimentichi - Só Resta Esquecer (1971 - 106 min)

Dia 21/9 – Domingo
19h - L’America - América - Um Sonho de Chegar (1994 - 125 min)
21h30 - Prima della Rivoluzione - Antes da Revolução (1964 - 112 min)

Dia 22/9 – Segunda-feira
19h00 - La Notte di San Lorenzo - A Noite de São Lourenço (1982 - 105 min)
21h30 - Sostiene Pereira - Páginas da Revolução (1964 - 104 min)

Dia 23/9 – Terça-feira
19h - C’eravamo Tanti Amati - Nós que nos Amávamos Tanto (1974 - 121 min)
21h30 - L’Ultimo Tango a Parigi - Último Tango em Paris (1972 - 132 min)

Dia 24/9 - Quarta-feira
19h - L’America - América - Um Sonho de Chegar (1994 - 125 min)
21h30 - Il Portaborse - O Senhor Ministro (1991 - 93 min)

Dia 25/9 - Quinta-feira
19h - Il Giocattolo - O Brinquedo Proibido (1968 - 118 min)
21h30 - C’eravamo Tanti Amati - Nós que nos Amávamos Tanto (1974 - 121 min)


Programação HSBC Belas Artes

Dia 19/9 – Sexta-feira
19h - La Notte di San Lorenzo - A Noite de São Lourenço (1982 - 105 min)
21h - Giordano Bruno (1973 - 114 min)

Dia 20/9 – Sábado
19h - Una Giornata Particolare - Um Dia Muito Especial (1977 - 105 min)
21h - L’ Ultimo Tango a Parigi - Último Tango em Paris (1972 - 132 min)

Dia 21/9 – Domingo
19h - C’eravamo Tanto Amati - Nós que nos Amávamos Tanto (1974 - 121 min)
21h20 - Il Giocattolo - O Brinquedo Proibido (1968 - 118 min)

Dia 22/9 – Segunda-feira
19h - In Nome del Papa Re - Em Nome do Papa Rei (1977 - 98 min)
21h - L’America - América - O Sonho de Chegar (1994 - 125 min)

Dia 23/9 – Terça-feira
19h - Caro Michele (1968 - 108 min)
21h - Cosi Ridevano - Assim é que se Ria (1998 - 124 min)

Dia 24/9 - Quarta-feira
19h - La Notte di San Lorenzo - A Noite de São Lourenço (1982 - 105 min)
21h - L’Istruttoria è Chiusa: Dimentichi - Só Resta Esquecer (1971 - 106 min)

Dia 25/9 - Quinta-feira
19h - Prima della Rivoluzione - Antes da Revolução (1964 - 112 min)
21h - Sostiene Pereira - Páginas da Revolução (1995 - 104 min)

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09.09.08

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Dia do Cinema Nacional: ingressos a 5 reais

Hoje começa a terceira edição do Dia do Cinema Nacional, uma promoção da rede PlayArte criada em 2006. Todas as terças-feiras, os ingressos para filmes brasileiros estarão sendo vendidos pelo valor camarada de 5 reais. Nesses dias, todas as salas dos multiplex PlayArte (com exceção das 3D) terão programações diferenciadas, com foco no cinema brasileiro ou, no mínimo, em co-produções em que tenhamos parte.

Hoje, os filmes a 5 mangos são os seguintes: Os Desafinados, Chega de Saudade, Meu Nome Não é Johnny, O Banheiro do Papa (co-produção entre Brasil, Uruguai e França), Polaróides Urbanas, Sexo com Amor? e... O Guerreiro Didi e A Ninja Lili.

Bom... tem uns que nem de graça...

Eu recomendaria, para quem ainda não viu, O Banheiro do Papa, que é muito bom, Chega de Saudade, simpático, e Os Desafinados, que não é essas coisas, mas vale pela última metade, um pouco menos comportada e com um tanto de metalinguagem, e pela Cláudia Abreu.

Outra boa notícia é que a promoção foi estendida para os multiplex Plaza Sul e ABC; antes, funcionava exclusivamente no Bristol, da Avenida Paulista.

Confira os endereços:
Bristol – Av. Paulista, 2064 – tel.: 3289-0509
Plaza Sul – Shopping Plaza Sul, Praça Leonor Kaupa, 100 - tel.: 5058-1462
PlayArte ABC – Av. Pereira Barreto, 42 – Santo André - tel.: 4990-2500

por Alexandre Carvalho dos Santos 1 comentário - Permalink

08.09.08

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Shortbus, de John Cameron Mitchell

sho

Em Shortbus, o sexo na tela é sexo mesmo, explícito, de reais felações, penetrações, mãos que masturbam paus duros de verdade; e todo esse esforço extremo de verossimilhança, no caso deste filme, mais reforça a representação da trama do que serviria para, com o choque do sexo à vista, disfarçar uma eventual fraqueza.

A opção não é gratuita, pois é de sexo que fala o filme; da busca da plenitude sexual, dos desencantos sexuais e de extremos da experiência sexual. Sofia é uma terapeuta sexual de casais que, embora dê conselhos sobre o assunto, nunca chegou ao orgasmo; James é um ex-garoto de programa que prepara um filme de despedida para seu companheiro; Severin é uma dominatrix que nunca teve uma relação amorosa.
As histórias desses personagens se cruzam na Shortbus, uma casa de suingue que é também um cabaré existencialista e um parque de diversões para adultos que são adultos e outros nem tanto. É lá que Sofia busca o auxílio de outros “especialistas” para tratar seu problema, e até mesmo para investigar se o que tem (ou não tem) é mesmo um problema. Ou seria o orgasmo feminino um mito?

Com tais questões, e com a escolha pelo sexo em plena evidência e a opção pelo gênero da comédia, o diretor John Cameron Mitchell teria todas as facilidades à mão para criar uma baixaria sem tamanho. Mas, não. As cenas de orgia ora apresentam diálogos engraçadíssimos, ora são ternas, a um ponto que fica complexo para o puritano mais míope associar o que está acontecendo na tela com o significado mais cruel da palavra perversão.
“Desculpe, é que eu sou pré-orgástica”, confessa Sofia, após esbofetear um de seus pacientes, querendo justificar o rompante violento.
“Quer dizer que você vai ter um orgasmo agora?”, pergunta o moço.
“Não é nada disso. É que eu nunca tive um”, ela explica.

Destaque também para uma heterodoxa interpretação do hino americano, durante um sexo a três.

Ao ler sobre o filme, antes de entrar no cinema, temi que o sexo explícito fosse o começo e o fim do interesse que o longa pudesse gerar. Mas o detalhe, que não é um detalhe, só ilustra de forma poderosa as situações tão humanas, de graça e de autoconhecimento que o filme explora. Shortbus é uma comédia para quem gosta de sexo: de fazer, de falar sobre o assunto e até de rir com ele, por que não?
Mas, claro, os Flávios Cavalcantis vão chiar.

por Alexandre Carvalho dos Santos 3 comentários - Permalink

06.09.08

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Mais textos sobre cinema

Novos textos meus sobre cinema estão sendo publicados aqui e ali entre setembro e outubro.

Na Superinteressante de setembro, esta que está nas bancas, os textos a respeito de Ensaio sobre A Cegueira (ruim, uma pena), Rebobine, Por Favor (simpática homenagem ao esforço de fazer cinema sem muitos recursos) e The Oxford Murders (para nerds) são meus. Na edição que chegará em outubro, estarei lá também.

Minha crítica para O Dragão da Maldade Contra O Santo Guerreiro (cinco estrelas, se é que alguém tem dúvida), de Glauber Rocha, lançado recentemente em DVD num belíssimo trabalho de restauração, está em destaque na home-page da Revista Paisà: www.revistapaisa.com.br

E no dia 16 haverá lançamento da segunda edição da revista Plano B, com uma matéria minha sobre a composição do roteiro do filme Nome Próprio, com entrevistas e tudo mais.

E vamos levando...

por Alexandre Carvalho dos Santos 1 comentário - Permalink

02.09.08

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Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro

opala

Quem tiver um guia da Folha ou do Estado nas mãos poderá constatar: mais de um quarto dos filmes atualmente em cartaz na cidade de São Paulo é do Brasil. Para quem, como eu, testemunhou o deserto de produções nacionais da primeira metade dos anos 90, a constatação parece um milagre. Sim, há muito o que questionar nos critérios da atual política de patrocínio publico do audiovisual, mas, ainda assim, é melhor ver mais de dez filmes brasileiros em cartaz do que nenhum.
Depois do surpreendente Nome Próprio, de Murilo Salles, assisti a três brazucas nas últimas duas semanas: Nossa Vida Não Cabe num Opala, A Encarnação do Demônio e Os Desafinados. Infelizmente, nenhum contribuiu para comemorarmos a fartura nacional nas telas daqui.

Nossa Vida Não Cabe num Opala
Baseado em obra do dramaturgo Mário Bortolotto, o filme de Reinaldo Pinheiro, embora se cubra de referências beatniks, tem ligação maior com o universo de Plínio Marcos e com o cinema da sordidez de Baixio das Bestas. Mas o resultado, aqui, é de um amadorismo tão constrangedor que me levou a imaginar o que teria convencido nomes como Leonardo Medeiros, Marília Pêra (uma breve participação, posso dizer a seu favor) e Jonas Bloch a participar da aventura. Confundem-se aqui os méritos eventuais do cinema de baixo orçamento com a falta de imaginação; e a força que poderia surgir da manipulação de clichês se perde na preferência pelos clichês como muletas da criação: Monk, o personagem de Medeiros, bebe uísque no gargalo em metade do filme, num exagero que poderia servir bem ao teatro, mas que extrapola na caracterização diante da proximidade que a câmera proporciona. E as aparições do pai-fantasma de Paulo César Pereio já foram exploradas a torto e a direito no cinema mais comercial, e feitas de forma mais inventiva.

Exemplo de academicismo na montagem, as seqüências em que os irmãos namoram a personagem de Maria Luísa Mendonça perdem o efeito-surpresa na forma como são apresentadas; ninguém duvida de que a moça receberá a visita do terceiro e fará as mesmas perguntas, os mesmos comentários já ditos aos dois mais velhos.
A ressalva a essa parte é a divertida atuação de Mihem Cortaz, que tem um timing preciso para a comédia. Diferentemente do conjunto da produção que, pretendendo fazer graça, não diverte, querendo chocar, só nos mostra o que já estamos cansados de saber.

por Alexandre Carvalho dos Santos 3 comentários - Permalink

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