14.07.08

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Audrey Tautou, Philippe Garrel e cuscuz de boca aberta

amar
Audrey Tautou, linda em Amar Não Tem Preço

Por coincidência, os últimos quatro filmes que vi no cinema são falados em francês: O Segredo do Grão, O Escafandro e A Borboleta, O Nascimento do Amor e Amar Não Tem Preço. Começo até a me familiarizar com o idioma; acho que aprendi a pedir desculpas, o que deve ser útil em qualquer língua.

O Segredo do Grão, de Abdellatif Kechiche
Segundo informação de meu amigo e consultor cinematográfico Sérgio Alpendre, O Segredo do Grão foi traduzido em Portugal como O Segredo de Um Cuscuz. Achei o título muito engraçado até descobrir que o filme tratava exatamente de um sexagenário que resolve abrir um restaurante especializado em cuscuz, e em cima de um barco caindo aos pedaços.
Mais engraçado é que há uma série de aspectos do filme que parecem estar lá especialmente para incomodar o espectador: o filme é longo, apresenta arrastadas discussões familiares em que alguém está sempre gritando a plenos pulmões, uma seqüência infindável mostra a família toda falando com a boca cheia de cuscuz, o que, convenhamos, não é das coisas mais lindas de se ver...
Apesar de tudo, o filme se segura nos pequenos dramas de uma grande família, abordando separação, traição, trabalho e o sonho do protagonista de abrir o próprio negócio, sonho em que embarcam seus filhos, enteada e até a ex-mulher, uma Dona Benta das arábias. O filme engrena mesmo é na segunda metade, quando tudo passa a ter a ver com a abertura do restaurante. Até lá, é preciso um tanto de paciência com os porcos gritalhões.

O Nascimento do Amor, de Philippe Garrel
O Nascimento do Amor também não é um filme fácil, mas por motivos bem diferentes. Filme de arte, tem tramas paralelas que parecem carentes de um direcionamento, com seqüências que, às vezes, podem parecer gratuitas, mas que foram produzidas com o intuito de, por si, demonstrarem a forma humana e hesitante com que seus personagens lidam com a necessidade de recomeçar, com o fim do amor e a frustração com a diferença de intensidade dos sentimentos.
Cada plano do diretor é uma aula de composição, traduzindo em imagem, luz e sombra, anseios e dúvidas, paixões e a impressão de que o amor sempre pode nascer de um acontecimento aparentemente trivial – mas que na câmera de Garrel é sempre um acontecimento marcante.

Amar Não Tem Preço, de Pierre Salvadori
Amar Não Tem Preço é um filme em tudo diferente desses outros, uma leve sessão da tarde que apresenta Audrey Tautou como uma sedutora irresistível, sempre atrás de um velho rico e ingênuo, ou nem tão ingênuo assim. Até que a moça enche os olhos de um atendente de hotel, durango como ele só, que faz de tudo para ficar perto dela (e quem não faria?).
A trama começa como uma comédia de erros, para depois investir na fórmula da dupla de vigaristas que se apaixonam enquanto fazem seus trambiques e aliviam os bolsos de endinheirados da terceira idade. Mas a elegância dos diálogos, a leveza com que as situações se apresentam nos cenários mais suntuosos, a proximidade com Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards, e principalmente a química entre o casal protagonista elevam esta comédia acima do quanto nela há de previsível, deixando no espectador o sorriso bobo que só as boas comédias românticas são capazes de produzir.

E tudo em francês, o que tem lá seu charme...

* * *

Sobre O Escafandro e A Borboleta, já escrevi aqui.

por Alexandre Carvalho dos Santos 1 comentário - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Roberto Queiroz · http://claque-te.blogspot.com

O Escafandro e a Borboleta é lúdico. Já Amar não tem Preço, gostei mais da Audrey do que do filme. Os outros dois, não vi ainda, mas tenho lido muita coisa boa sobre O Segredo do Grão. Pena que entrou aqui em circuito reduzidíssimo, o que dificulta o meu acesso ao filme.

Discutir a imprensa?
http://robertoqueiroz.wordpress.com


PermalinkPermalink 15.07.08 @ 13:52



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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