17.06.08

Permalink Categorias: Cinema, Música   Portuguese (BR)

Control, de Anton Corbijn

control 1

Aspectos engraçados de um filme que ninguém esperava engraçado:

- Ian Curtis chega a sua casa e vê o varal repleto de roupinhas de bebê. Então faz uma cara de sofrimento de quem quer se matar.

- Por conta de uma brincadeira do baixista Peter Hook, as legendas em português insistem em traduzir o nome da banda Buzzcocks, que durante o filme inteiro é chamada de “Perus Sonoros”.

- A diferença entre o vocal dublado, com o som do verdadeiro Ian Curtis, e a voz natural do ator Sam Riley, cantando em algumas cenas (poucas, para alívio de todos).

- E o pior de tudo: A impressão de que tantos fãs se intoxicaram nas profundezas da angústia de Ian Curtis, inspiração de tantas bandas darks, e que toda essa depressão vinha da indecisão do cantor, que não conseguia deixar a esposa chatinha (a gorducha Samantha Morton) para ficar com a maravilha belga que era sua amante (interpretada por Alexandra Maria Lara).

É a impressão que o filme deixa. Dificilmente alguém usaria uma camiseta do Joy Division se estivesse convencido de que todo aquele flerte com a morte vinha disso.

control 2
Ah, se Ian soubesse
no que isso ia dar...

Mas o irônico é que, embora a versão do filme seja mais que suspeita, pois adaptada do livro da ex-esposa, pode ser que tivesse sido isso mesmo. Curtis se matou aos 23 anos, um menino, e o casamento mais que precoce parece prova de imaturidade na vida real, apesar da densidade das letras.

Control tem uma fotografia em P&B de cair o queixo, e que funciona perfeitamente como comentário visual dos abismos existenciais desse Hamlet punk que foi Ian Curtis (denso em seu sofrimento, como o príncipe da Dinamarca, e imaturo em suas indecisões, como ele); mas o conjunto da obra tende a desagradar tanto a fãs do Joy Division como a quem só procura um bom filme.
Os fãs dificilmente se identificam com a opção do roteiro pelo ponto de vista a partir do casamento desastrado, enquanto o dramalhão, de personagens caricatos de tão ingênuos, não estimula a curiosidade de quem nunca ouviu falar da banda pré-New Order.

por Alexandre Carvalho dos Santos 11 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Alexandre Carvalho dos Santos Email · http://www.interney.net/blogs/rolleiflex/

Hahahaha... Mad Dog, seu ajudante de palco do Sílvio Santos... Quer dizer que você conhecia a história da esposa chorona, e por solidariedade comprou a camiseta? Hehehe...

E pensar que ficamos amigos por causa de uma camiseta do Joy, hein... Foi um bom motivo para começar uma amizade. Imagine se tivéssemos de lembrar de um começo de conversa por causa de uma camiseta do Wham!, ou coisa parecida...

Valeu pelo comentário. A casa é sua.

PermalinkPermalink 18.06.08 @ 09:31



Comentário de: sérgio alpendre

eu prefiro a Samantha Morton (que não é gorducha) àquela belga sonsa e seca, metida a intelectual superior.

PermalinkPermalink 20.06.08 @ 01:31



Comentário de: Alexandre Carvalho dos Santos Email · http://www.interney.net/blogs/rolleiflex/

Sergião, fale a verdade: você prefere o Peter Hook.

PermalinkPermalink 20.06.08 @ 12:49



Comentário de: sérgio alpendre

uma coisa é certa. O Joy Division só foi o que foi por causa do Peter Hook e do Bernard Summer. Ian Curtis era coxinha

PermalinkPermalink 20.06.08 @ 20:12



Comentário de: PC · http://control-z.blogspot.com

Os momentos em que o Joy Division é focado no "24 hour party people" já vale por toda essa droga de filme , que está para o Joy assim como o The Doors do Oliver Stone esteve pra banda do Jim Morrison.
E o Sèrgio continua a demonstrar toda a sua sabedoria a respeito do sexo oposto...

PermalinkPermalink 22.06.08 @ 15:59



Comentário de: sérgio alpendre

PC, vc nem conhece a Samantha Morton. E se conhece, é cego

PermalinkPermalink 23.06.08 @ 22:07



Comentário de: Alexandre Carvalho dos Santos Email · http://www.interney.net/blogs/rolleiflex/

É aquela "fortinha"...

PermalinkPermalink 23.06.08 @ 23:32



Comentário de: PC · http://control-z.blogspot.com

Ah, a "fofa"...

PermalinkPermalink 24.06.08 @ 13:03



Comentário de: joao1976

Devia comer muita Lasagna, Sergio.

PermalinkPermalink 24.06.08 @ 15:58



Comentário de: PC · http://control-z.blogspot.com

Realmente, só conheço a rechonchuda atriz desse filme mesmo, mas motivado pelo comentario do Sérgio eu dei uma fuçada no Google atrás de fotos da beldade de curvas generosas e o que eu vi só veio a comprovar aquela máxima que diz que na Inglaterra mulher bonita é chamada de "Turista" , exceto a Liz Hurlley, é claro.

PermalinkPermalink 24.06.08 @ 21:14



Comentário de: Richard

Oi pessoal,

Estou com muita vontade de assistir o filme Control, mas está foda de achar esse filme aqui em Brasília... todas locadoras em que procurei não tem esse filme.
Alguma dica de como conseguir o filme????
Obrigado.

PermalinkPermalink 09.07.08 @ 14:17



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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