02.06.08

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Longe Dela, de Sarah Polley

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Sarah Polley parecia estar se especializando, como atriz, em participar de filmes em que a emoção está sempre à flor da pele, como a doente terminal de Minha Vida Sem Mim ou a misteriosa enfermeira de passado doloroso de A Vida Secreta das Palavras. Pois a atriz levou esta tendência à sua estréia como diretora, com Longe Dela, um filme sobre um casal de sexagenários, em que o marido sofre as conseqüências do mergulho da esposa na escuridão do Alzheimer.

O tema poderia render uma obra piegas, mas, embora Sarah não desvie o filme de sua vocação para o emocional, o resultado é muito mais sensível do que apelativo, e contribuem para isto as interpretações de Gordon Pinsent, Julie Christie e Olympia Dukakis.

Em vez de ser um filme sobre a degeneração provocada pela doença, Longe Dela mantém o foco nos relacionamentos, no que flerta com o cinema de Bergman, impressão que se acentua com a semelhança física de Pinsent com o Erland Josephson de Sarabanda.

Julie Christie, que recebeu o Globo de Ouro de melhor atriz por este filme, faz com que o espectador não associe o drama na tela à maioria dos filmes sobre a terceira idade. Sua Fiona se eleva do papel de doente para o de mulher extraordinária, sedutora, de brilho intelectual e pessoal, objeto do desejo e da devoção incondicional do marido; quase nada das vovós coadjuvantes e de carisma duvidoso a que o cinema restringe as mulheres maduras.

E a interpretação de Pinsent é precisa, revelando a conta-gotas sua revolta e a posterior resignação com o esquecimento progressivo da mulher, de que é vítima e testemunha impotente. Mas oferece toda a empatia de que seu personagem se favorece na tela. A mesma empatia que desperta o primeiro filme de Sarah Polley, que começou no cinema ainda menina, e agora, ainda antes dos 30, passa a falar de igual para igual com os melhores do cinema contemporâneo. Um belo começo.

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por Alexandre Carvalho dos Santos 3 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Chantinon · http://chantinon.blogspot.com

Deixou-me curioso.
É um retrato que nunca vi em filmes...
Parece que o ser humano gosta de se apegar a fraquezas, e usa-las como subterfúgio.

PermalinkPermalink 03.06.08 @ 17:45



Comentário de: Demas · http://www.cinedemais.blogspot.com

Alexandre,
também achei que é uma grande estréia da Sarah Polley na direção. Gostei muito do filme, muito mesmo. Escrevi sobre o filme no SRZD (http://www.sidneyrezende.com/noticia/13105). Abração

PermalinkPermalink 08.06.08 @ 21:23



Comentário de: tania

Oi,tudo bem?eEstou de olho nos comentários desse filme há um tempão..."santa curiosidade,bataman"! Ficou na minha cidade "miseros" 15 dias (pode?)em cartaz...descobri que em portugual foi lançado direto em dvd...quando será que será lançado em dvd aqui no Brasil?

PermalinkPermalink 04.07.08 @ 15:11



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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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