05.05.08
O Sonho de Cassandra, Falsa Loura e novidades em revistas de cinema
A revista de cinema Paisà está prestes a ganhar uma nova cara na Internet. Segundo o editor Sérgio Alpendre, a idéia é transformar o site numa verdadeira revista eletrônica, com edições mensais e atualizações constantes com uma periodicidade menor, para que sempre haja críticas novas no ar.
Para quem não conhece, a Paisà é uma revista que se aprofunda em crítica cinematográfica, a exemplo dos Cahiers du Cinéma.
O espaço reformulado estará no ar já nesta quarta-feira. Vale a pena conferir: www.revistapaisa.com.br
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Dos últimos filmes que vi, os que mais me agradaram foram Falsa Loura, do Carlos Reichenbach, e O Sonho de Cassandra, do Woody Allen.
Falsa Loura é bem melhor que o último filme do diretor, Bens Confiscados, e volta a falar de mulheres operárias que querem mais da vida, como já fizera o ótimo Garotas do ABC, que para mim é um dos melhores filmes do Carlão.
Acho curioso como o diretor alterna o tom dentro de um mesmo filme, que ora traz seqüências que beiram a chanchada e ora se torna de um lirismo digno de mestres como Valerio Zurlini, referência confessa de Reichenbach.
E falar que Rosanne Mulholland é uma revelação é chover no molhado.
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Já Woody Allen volta à Inglaterra para, mais uma vez, colocar sangue assassino nas mãos de pessoas comuns, como já havia feito em Match Point. Seu O Sonho de Cassandra também é influenciado por Crime e Castigo, levando ao extremo as conseqüências do peso na consciência.
Outro ponto em comum: a roleta-russa do destino decidindo a sorte dos protagonistas. É o ateísmo de Woody Allen se tornando claro sem os questionamentos dos diálogos de seus filmes mais antigos.
Engraçado também como um filme que seria um drama, por seu conteúdo, é repleto de comicidade, algo que não havia nas angústias de seu Match Point.
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Mais textos meus andam saindo por aí. A Superinteressante de maio, esta que está nas bancas, tem colaboração minha na seção "Fetiche", editada por Alexandre Versinassi, com textos sobre dois filmes que vão sair sobre o Joy Division (Control, que é baseado num livro da ex-mulher de Ian Curtis, e um documentário sobre a banda), e outro sobre a estréia de O Homem de Ferro.
No começo de junho, será lançada a revista Plano B, mais voltada para o pessoal que trabalha na área cinematográfica, e esta primeira edição trará uma matéria minha sobre o roteiro do novo filme do Guilherme de Almeida Prado, Onde Andará Dulce Veiga?
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.