24.03.08

Permalink Categorias: Música   Portuguese (BR)

A discografia dos Mutantes - 1968 a 1973

Mut 1

Os Mutantes (1968)
Conservador até hoje, o público de rock no Brasil não entendeu nada quando, em 1968, Os Mutantes lançaram esta bolacha repleta de experimentalismo, ironia e mistura de ritmos. Da vinheta do Repórter Esso, que abre “Panis et Circenses”, até o vocal do pai dos irmãos Baptista, de trás para frente, em “Ave Gengis Khan”, nada é convencional. Tudo é exploração sonora e festa. E que festa não ficaria melhor com o violão sacana de Jorge Ben em “A Minha Menina”?

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Mutantes (1969)
Este disco marca outro grande acerto dos Mutantes: a parceria com Tom Zé, tão louco quanto eles. Dessa colaboração, nascia a poesia mal-comportada de “2001” (“Meu sangue é de gasolina / Correndo não tenho mágoa / Meu peito é de ‘sar’ de fruta / Fervendo no copo d’água”) e “Qualquer Bobagem”, com trompetes à “Penny Lane”, que Arnaldo Baptista canta imitando um gago.

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A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)
Se antes tudo era de uma irreverência ingênua, as referências aqui começam a ganhar tons de soul e de rock lisérgico (“Ando Meio Desligado”, “Meu Refrigerador Não Funciona”). E o Arnaldo arranjador recria “Chão de Estrelas”, de Sílvio Caldas, numa versão escrachada que inclui colagens com sons de helicópteros, torcidas, panos rasgados, tiros, puns...

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mut 4

Jardim Elétrico (1971)
A canção “Jardim Elétrico” traz todo o peso da banda, que também não economiza na carga em “Top Top”. Destaques ainda para “Benvinda”, uma homenagem a Tim Maia, “Virginia”, pelos lindos vocais de Sergio, e para a delicadeza bossa-nova de “Baby”... obra perfeita.

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mu5

Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets (1972)
Último disco com a assinatura Mutantes antes da saída de Rita, inclui tudo o que a banda sabia fazer de melhor: a ironia, na voz infantil de Rita em “Rua Augusta” e na letra e arranjos de “Vida de Cachorro”, e o “punch” rocker de “Beijo Exagerado”. Também traz a canção que ficaria como uma marca da trajetória de Arnaldo Baptista: “Balada do Louco”.

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RITA-LEE

Hoje É O Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972)
Apesar da assinatura oficial de Rita, é um dos grandes discos dos Mutantes. A banda flerta com o progressivo, com o baixo de Liminha já antecipando o que viria em “A e o Z” (“Vamos Tratar da Saúde”), e as guitarras mais trabalhadas, com Sergio Dias mostrando tudo de que um virtuose é capaz. Por outro lado, o bom humor da turma ainda está lá. “Tiroleite” é de dar cambalhotas.

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mut 7

“A” e O “Z” (1973)
A viagem progressiva dos Mutantes sem Rita Lee é também o encontro dos músicos numa pessoa só, efeito do LSD sobre os integrantes. Tem muita coisa bacana, o virtuosismo está à flor da pele, mas a semelhança com Yes incomoda até os fãs mais xiitas.

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tecnicolor

Tecnicolor (1970 ou 1999)
Este, sim, o grande tesouro resgatado do navio pirata mutante, de uma gravação que ficou 30 anos sem contato com o oxigênio até ver a luz em 99. “She’s My Shoo Shoo”, versão samba do crioulo doido para “A Minha Menina”, pode ser incluída entre as cinco melhores criações do grupo. “Saravah” em inglês ficou melhor que a primeira versão, quando o grupo ainda estava mais verde. “Ando Meio Desligado” ganhou peso extra como “I Feel A Little Spaced Out”.

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duprat

A Banda Tropicalista do Duprat (1968)
As orquestrações para músicas populares de Duprat não têm, aqui, os arrojos da parceria com Arnaldo Baptista, mas lembram um Eumir Deodato com um toque de transgressão. E Os Mutantes arrasam, como em “Lady Madonna” e no medley de “Canção Para Inglês Ver / Chiquita Bacana”, que se encaixa perfeitamente na interpretação juvenil bem humorada da banda.

Este é do Rogério Duprat, mas incluí pela rica parceria que o maestro tropicalista desenvolveu com os Mutantes, no período mais fértil do experimentalismo na música popular do Brasil.

por Alexandre Carvalho dos Santos 6 comentários - Permalink

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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: João Barreto · http://vejotudoenaomorro.wordpress.com

muito bom post, Alexandre! valeu um "share" no google reader ;)

PermalinkPermalink 24.03.08 @ 14:05



Comentário de: Denise Khauam Colaço Musegante

Tenho 42 anos e conheci Mutantes nem sei como... Tenho um cd com uma coletânea e que aprecio : Vida de cachorro, Virgínia, Technicolor e tudo o mais. Quando tinha 12 anos fui a um show de Rita Lee , aqui em São José do Rio Preto e penso que se minha filha (hoje com 12 anos) pedisse para ir a um evento como aquele, não deixaria. Por quê? Amo as histórias das pessoas que fazem a "nossa" música (loucura dos meninos Baptista). São sobreviventes de barras pesadíssimas!! Até mais.
Denise

PermalinkPermalink 24.03.08 @ 16:23



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com

Ê trem bão!

PermalinkPermalink 24.03.08 @ 23:59



Comentário de: Pablo Pamplona · http://incendioacidental.blogspot.com

viva o movimento tropicalista!, vanguarda até hoje :)
mutantes e tom zé são inigualáveis!

PermalinkPermalink 25.03.08 @ 23:06



Comentário de: Levi Orlando


Assisti a um show memorável na segunda metade dos 70, no Gigantinho, em Porto Alegre, com Bixo da Seda, O Terço, e os Mutantes fechando. Muito legal o post, que me traz essas recordações dos bons tempos do rock'n'roll, além do registro da obra de alguns dos seus melhores representantes, que pela sua qualidade inequívoca permanecem aí nos brindando com o seu trabalho, enfrentando um mercado que privilegia a mediocridade, infelizmente dominante no rock mimético que se faz hoje.
Extremamente pertinente a frase de abertura da matéria: "Conservador até hoje, o público de rock no Brasil não entendeu nada quando, em 1968,... ". Outro dia fui a um show do Made In Brazil, no Garagem Hermética, aqui em Porto Alegre. Apesar de não ser um grande aficcionado da banda, fui mais pela curiosidade, fiquei chocado com o fato de que a casa estava práticamente vazia, o que forçou uma aproximação entre os poucos 'gatos-pingados' que lá estavam, incluindo a banda. Lá pelas tantas, em conversa com um roqueiro garotão presente, passei-lhe a singela informação - e foi até engraçada a expressão de espanto dele ao ouvi-la - de que o rock é mais antigo do que a bossa-nova, por exemplo. Ou seja, roqueiro que se preza não pode ficar simplesmente repetindo as mesmas fórmulas do passado, tem que superar e inovar; mas para isso tem que conhecer o que já foi feito. É simplesmente intragável esse rock "punk-jovem guarda" que rola por aí - ressalvadas as exceções - que deriva principalmente, creio eu, do desejo fútil de apenas ser 'artista' e fazer sucesso, e da desinformação sobre a linha evolutiva e a história do rock'n'roll, inaceitável em tempos de internet. O que é revelador desse caráter conservador tanto do publico como daqueles que se pretendem musicos de rock.


PermalinkPermalink 30.03.08 @ 12:20



Comentário de: El Viento... · http://cwwerneck.blogspot.com

mt bom.. VLW!!!!
esses caras fizeram história...

PermalinkPermalink 07.10.08 @ 18:44



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