13.03.08

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Na Natureza Selvagem, de Sean Penn

intothewild1

Os beatniks certamente aprovariam Na Natureza Selvagem se estivessem vivos, e quem leu Big Sur, de Jack Kerouac, pode associar a fuga para a natureza do escritor de On The Road ao renascimento de Chris McCandless (Emile Hirsch), que busca uma identidade autêntica enquanto parte, sem lenço e sem documento, para a solidão no Alasca. Mas a semelhança dessas duas reclusões está apenas na inspiração de Thoreau; enquanto Jack tentava, sem muito sucesso, escapar dos excessos de sua vida, mirando na pureza da vida selvagem, a partida de McCandless teve outros objetivos. Sua busca das imensidões reflete a procura edipiana do autoconhecimento.

Baseado na história real de McCandless, Na Natureza Selvagem é um peteleco na cabeça do conformismo e no conservadorismo desses tempos tão cheios de cintos de segurança. Seu protagonista abre mão de todos os confortos e bens materiais da vidinha que seus pais lhe preparavam e experimenta seus dias como se nascesse de novo. Para fazer bem feito, até arruma um novo nome: Alexander Supertramp. E as relações humanas que cria ao longo de suas idas e vindas na estrada, suas caronas e empregos temporários, são laços mais reais que os da família que nunca mais quis ver.

Sean Penn não disfarça a empatia com seu herói da existência e sua recusa do sistema. Enche de heroísmo e maturidade um personagem que, facilmente, poderia ser identificado apenas como um maluco-beleza que chega às últimas conseqüências. Por isso, coloca o fascínio de sua ousadia, dos coloridos da América selvagem, em primeiro plano diante do questionamento de quanto há de alienação na odisséia de seu Supertramp. Ainda assim, realiza um grande filme; bonito de se ver e que, no mínimo, dá vontade de arrumar a mochila e cair na estrada.

KristenEmile

por Alexandre Carvalho dos Santos 2 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Alexandre Carvalho dos Santos Email · http://www.interney.net/blogs/rolleiflex/

Olá, Andrea.

Estou me referindo ao escapismo do personagem, que disfarça uma "fuga dos pais", das pressões, conflitos e impasses da convivência com uma declaração de princípios contra a sociedade. Sean Penn passa de leve por esta questão, apresentando as hesitações de Supertramp em dar notícias para a família, os conselhos dos hippies mais velhos e as seqüências de flashbacks.

Mas a escolha do diretor foi enfatizar o aprendizado e os ideais de liberdade, às vezes idílicos, do personagem. O que, afinal de contas, faz com que o conjunto ganhe em sensibilidade e empatia.

Obrigado pela visita ao blog.

PermalinkPermalink 06.04.08 @ 20:48



Comentário de: Adriano

Esse é o típico filme e livro que qualquer crítica a favor ou contra é duvidosa. Cada pessoa tem sua visão de mundo. Alguns adolescentes sonham em se tornar Diretores de Muntinacionais, Arquitetos famosos, etc...Agora tem uma minoria que tem uma concepção do mundo diferente desses adolescentes: sonhar em se tornar Diretor de empresa? Economista? Para que?...

Eu mesmo me considero parte dessa minoria, não entendo por que as pessoas acham que só serão felizes se forem ricos financeiramente...Como já dizia Eça de Queirós em "Cidade e as Serras", "a cada novo passo do progresso da humanidade, é criado um novo ser humano pobre na sociedade". E acho que esse sentimento de liberdade só quem sente sabe como é a paixão pela Natureza e pelas paisagens que ela ilustra!

PermalinkPermalink 08.07.09 @ 15:08



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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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