19.02.08
O verdadeiro baú do futebol
Descobri, faz pouco mais de um mês, o site do Globo Esporte. Cheguei lá procurando novidades sobre contratações do Palmeiras, este meu bem e mal incuráveis, mas constatei que os sites do Lance, da Gazeta Esportiva e do Globo Esporte dão sempre as mesmas notícias, freqüentemente com os mesmos títulos. O jornalismo esportivo, como já apontou um blog vizinho, é de uma mediocridade que o nosso futebol, tão rico de histórias e fatos novos, todos os dias, não merecia. Denílson, ponta esquerda à antiga, recém contratado pelo Verdão, chegou dizendo que não comemoraria se fizesse gol contra seu ex-clube, depois mudou de idéia, e isso rendeu centenas de notas, e às vezes manchetes, em nossos mornos periódicos peladeiros. Mas isso é assunto para outra conversa.
O que me agradou no site do Globo Esporte foi a disponibilidade de vídeos. Como a TV aberta agora só quer saber da audiência dos corintianos, o site é uma opção para conferir os compactos dos jogos do seu time. E na hora que você quiser.
Mas o melhor de tudo é a seção Recordar é viver. Nela, o site reproduz vídeos de fatos do esporte acontecidos no dia da visita, mas há muitos anos. Dia desses, assisti aos melhores momentos de um jogo da Seleção Brasileira em 1981, sob o comando de mestre Telê Santana, nos preparativos para a inesquecível Copa de 82. Brasil 6 a 0 no Equador, com dois gols de Reinaldo (lembra? atacante do Atlético, elegante e implacável ao mesmo tempo), dois de Sócrates, um de Éder e um de Zico. Imagens oníricas daquele time que não era um bando de superatletas milionários e desentrosados, mas uma orquestra de muitos maestros (o galinho, o doutor, Falcão, Júnior...) e outros bambas. Como disse bem meu sogro, gente do “Brasil que ganhava de goleada”. E dava show.
Hoje, tempos tão mais tristes, juntamos Robinho, Fenômeno, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, os melhores do mundo, e passamos sufoco para ganhar dos pernas-de-pau da Irlanda e de outros países que não nasceram para isso.
Outro dia, outra pérola: um magrelo Romário dando entrevista no dia de sua estréia como titular pelo Vasco, imagem de um tempo em que The Cure e Smiths lotavam as danceterias de darks e neo-românticos.
Quer mais? Como os arquivos são do Globo Esporte, cada reportagem vem apresentada por um Léo Batista ou um Fernando Vanucci de uma época diferente. E dá-lhe camisa de gola dos anos 70, estampas black-power e demais excessos tão incomuns nos programas esportivos dos dias de hoje. Léo era mais discreto, mas o Vanucci... Parecia figurante da novela Dancing Days.
Ah, ia esquecendo. Um dos vídeos a que assisti mostrava uma entrevista com Casagrande após um empate do alvi-negro, na época da Democracia Corintiana. Ele estava fumando no vestiário enquanto falava com o repórter. Quando a gente vê isso hoje em dia?
* * *
Para os palmeirenses, recomendo o “Blog do torcedor”, na página do time, no site do Globo Esporte. Textos muito bons do publicitário Roberto Galluzzi Jr., combinando na medida certa o entusiasmo com o time com uma visão lúcida do que vê em campo.
E ele está jurando que 2008 é nosso ano.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex