26.01.08
10 melhores filmes de todos os tempos

Terra em Transe, de Glauber Rocha
Escolher dez melhores dentro de um universo de obras que mexem com a gente por diferentes motivos é uma ação em que o momento predomina. Hoje, igualmente por diferentes motivos, são esses os filmes da minha vida. Não eram há dez anos, e é provável que haja mudanças daqui a dois anos, ou daqui a uma semana. A Noite, do Antonioni, entrou na minha lista agora (a relação original foi publicada em 2005, na edição inicial da Revista Paisà), substituindo O Sétimo Selo, que fica aqui com uma menção honrosa.
Descobri, revendo os dois, que gosto de outros Bergmans mais do que desse (quando voltar a assistir Morangos Silvestres, por exemplo, é provável que entre na lista), e que Antonioni é um dos meus diretores preferidos; não pode ficar de fora de nada. Por pouco, não incluí O Eclipse aqui também. Quem sabe na próxima?
Os dez maiores (por ordem alfabética):
APOCALIPSE NOW (1979) – Francis Ford Coppola

Vietnã, soldados drogados, desnorteados, a hipnose de uma canção dos Doors. Coincidências com Oliver Stone terminam aqui, pois este Apocalipse leva os ianques para as trevas de Conrad, magneticamente atraídos por um Brando assustador, magnífico, um deus dos infernos. É um filme com a assinatura do realizador que Coppola já foi, e Stone nunca chegou perto de ser.
ASAS DO DESEJO (1987) – Wim Wenders
Pena que trabalhos menores tenham vindo depois, e que tanta gente só conheça a refilmagem, mais para Meg Ryan que para a língua dos serafins. De uma época em que Wenders era grande, a obra iniciou espectadores de domingo na cinefilia nos anos 80. Aqui, o diretor está à altura de sua pretensão, como se um anjo soprasse as cenas em seu ouvido.
CREPÚSCULO DOS DEUSES (1950) – Billy Wilder
Wilder nos deu cenas inesquecíveis, como a saia esvoaçante de Marilyn, ou Jack Lemmon vestido de mulher. Mas Gloria Swanson pedindo que a produção prepare sua entrada em cena é apenas um entre os momentos imortais deste retrato deliciosamente cruel de Hollywood.
FESTIM DIABÓLICO (1948) – Alfred Hitchcock
Hitchcock tem uns dez filmes que preencheriam uma seleção de dez melhores de sempre. Hoje, destaco este teatro filmado, das longas tomadas, quase sem cortes. O humor negro combina muito com Hitchcock: dois amigos matam um terceiro, escondem o corpo num baú e dão uma festa.
OS INCOMPREENDIDOS (1959) – François Truffaut
A infância do personagem Antoine Doinel fora a do próprio Truffaut, a de um desajustado ignorado pelos pais, solitário; “um autodidata que se odeia”, como ele se definiria. Este filme é de uma poesia amarga, de um lirismo que dói. “Com que direito me censuram?”, parece perguntar o menino, encarando a câmera.
A NOITE (1961) – Michelangelo Antonioni

Que o diretor foi um gênio do cinema que expressa sem dizer, do cinema de elipses, da trilogia da incomunicabilidade, e que influenciou artistas que vão de Lynch a Tsai Ming-Liang, é chover no molhado. Difícil é escolher um filme só para inserir numa lista de melhores. Deixo A Noite, a grande obra sobre a vida a dois, dois que se amam e se ignoram, e não se entendem; a falta de direções do existencialismo chegando ao casamento.
OITO E MEIO (1963) – Federico Fellini
Numa narrativa em que o tempo psicológico predomina, Mastroianni vive um diretor em bloqueio criativo, sonhando acordado. Ou será o próprio Fellini? Muitos livros usam a falta de inspiração como ponto de partida. No cinema, Oito e Meio foi o retrato mais inspirado dessa situação.
O PODEROSO CHEFÃO (1972) - Francis Ford Coppola
Diane Keaton prepara uma bebida para Al Pacino, aliviada por ouvi-lo mentir que não teria mandado matar o cunhado. Quando volta a olhá-lo, Michael Corleone já está rodeado de capangas que lhe beijam a mão, submissos. Nascia um novo padrinho.
TERRA EM TRANSE (1967) – Glauber Rocha
Este extenso poema apresenta um jornalista de esquerda, na época da ditadura, sofrendo os tormentos de um Hamlet: inseguro sobre passar da intelectualidade às armas, hesitante quanto à ação, cínico diante de um povo politicamente analfabeto. A obra-prima de um gênio.
A VIDA DE BRIAN (1979) – Monty Python

Difícil escolher as seqüências mais engraçadas: Brian (contemporâneo de Jesus na história, com quem é confundido) cai no buraco em que um asceta faz voto de silêncio, bem no pé dele, e o crente grita e desanda a tagarelar; sua mãe, confundida com a Virgem pelos reis magos, recusa “a tal da mirra”. Para rever sempre e chorar de rir.
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Comentários:
Acredito que faltou o filme "Gladiador". Todos os filmes mencionados são ótimos. Entretando, de todos, só o Poderoso Chefão foi melhor que o Gladiador.
Abraços
grato
Minha lista tem alguns filmes da tua, mas outros diferentes.
Vê lá e diz o que achou!
http://blogdoed-ednaldo-blogado.blogspot.com/
Quem sabe agora não crio coragem e vejo.
Abraço.
t+
Vale a pena ser reconsirada esta classificação, pois o filme tem a façanha de surpreendera em cada cena, mesmo os que já o viram por várias vezes.
- Iza, gosto também de E O Vento Levou... Mas não ficaria entre os meus dez.
- Ben-Hur, Joilson? Acho que não.
- Rose, não esqueci de "vários melhores dez". É só que dez são dez, não são mil.
- Carla, corra para a locadora mais próxima e comece a lição de casa. Diferentemente da tarefa de matemática, está vai ser uma delícia, te garanto.
- Emerson, também gosto muito de Laranja Mecânica, está entre os meus preferidos do Kubrick. Dançando no Escuro, não.
- Ednaldo, sua lista é uma lição de bom gosto.
- Gladiador, Paulo? Ah, não...
Mas aqui vai um apelo, difícil fazer uma seleção dos melhores filmes dos anos 1990? Ou 2000?
Obrigado pela dica.
Um abraço e obrigado pela visita.
CO2 Projeto para a diminuição do efeito estufa http://codois.com/?page_id=3
Quanto aos mais antigos tambem por exemplo Citizen Kane.
E o que para mim e talvez o mais incrivel filme da historia o LA Vitta e Bella.
Porem admito que ha gostos diferentes e ser mt complicado cingir-se a somente 10.
- Encouraçado Potekim
- Apocalipse Now
- Morangos Silvestres
- Fanny e Alexander
- Os incompreendidos
- O Poderoso Chefão II
- Clube da Luta
- A vida de Brian
- O Poderoso Chefão
- Roma Cidade Aberta.
Não está faltando:
- Aliens o resgate
- Os outros
- AI - Inteligência artificial
- Coração Valente
- O Sebhor dos Anéis
Esta lista deve estar errada!!!!
um abraço a todos.paulo jorge.
* Piratas do Caribe - No fim do Mundo
* Avatar
São alguns fenomenos da atualidade, gosto eh gosto, mas como o blog n eh meu so posso deixar minha opiniao.
Obs.: Visitem o cinema de vez em quando, por favor.
Por isso prefiro limitar a três grandes filmes.
1º Avatar Cameron 2009
2º Limite Mario Peixoto 1931
3º Terra em transe Glauber Rocha 1967
Obrigado pelo comentário e pela opinião.
Um abraço.
Tirando o poderoso chefão, os outros estariam abaixo da 50ª posição na minha lista, apesar de ser muito bons
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex