09.01.08

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Pena de morte nos EUA e no Brasil

Mais uma vez, a pena de morte é motivo para discussão nos Estados Unidos. Seu Supremo Tribunal de Justiça está debruçado sobre o tema, agora analisando se o método de execução por injeção letal é ou não inconstitucional, já que a oitava emenda americana proíbe punições cruéis e não convencionais. Trata-se, portanto, de julgar se a injeção letal provoca sofrimentos desnecessários aos condenados à pena máxima; a pena de morte em si não está em jogo, mas toda discussão a ela relacionada, principalmente quanto à crueldade de seus métodos, gera uma reflexão sobre o princípio da punição.

A injeção letal, que predomina na maioria dos 36 estados americanos que ainda praticam a pena de morte (o pessoal do Nebraska continua no tempo da cadeira elétrica), envolve a administração de três drogas distintas: a primeira é uma anestesia; a segunda serve para paralisar os músculos do corpo (com o intuito de evitar que o condenado faça caretas ou se contorça durante o processo, mantendo uma expressão serena e poupando as testemunhas de uma lembrança desagradável); a terceira droga faz o coração parar.
Ora, se a primeira droga serve exatamente para que o condenado não sinta nada durante a execução, seria razoável considerar que a injeção letal é um método que poupa o condenado dos sofrimentos terríveis que a oitava emenda pretende proibir. Mas a prática tem demonstrado que a coisa não funciona bem assim. Os carrascos costumam ser sentinelas, funcionários das prisões, e não médicos anestesistas devidamente treinados para a função de evitar a dor alheia, o que resulta nos casos de condenados que sofrem o diabo durante a execução: são sufocados e sentem as mais extremas dores antes do alívio da parada cardíaca.

E por que não chamam médicos que entendem do assunto para administrar as drogas? Porque, se existe a pena de morte, os doutores não querem ter nada a ver com isso. O código de ética da Associação Médica Americana proíbe qualquer profissional da medicina de participar de execuções.

Acho curioso que americanos (não usei o artigo, pois não são todos) consigam ver crueldade na inflição de dores e sufocamento ao condenado à morte, mas não na deliberação da morte de alguém.

No Brasil, apesar da teatral indignação dos apresentadores de programas policiais, não temos a pena de morte. A idéia só vem à cabeça nas ocasiões em que crimes bárbaros ganham notoriedade, como no recente assassinato de uma criança arrastada pelas ruas por um carro com ladrões em fuga no Rio de Janeiro. Ou nos estupros de crianças (ou em qualquer estupro), ou na visão dos presos revoltos jogando futebol com a cabeça decepada de um carcereiro. Diante de tal horror, do não reconhecimento de vestígios de humanidade por trás dos crimes, pensamos: não há punição que baste a esses criminosos. Não os queremos mais com chances de voltar às ruas, de nos ameaçar com a lembrança de suas atrocidades. Só matando.

É um pensamento que mistura uma idéia de vingança com autodefesa. Autores de crimes hediondos merecem morrer, pensamos. E é provável que estejamos cobertos de razão.

Porém, a pena de morte, nos países que a praticam, não se prova a panacéia alardeada por seus defensores, teatrais ou convictos. Não funciona, por exemplo, como fator preventivo: a experiência americana demonstra que as taxas de criminalidade não diminuem com a sombra da pena de morte. E, erro irreparável, a justiça vez ou outra condena à morte uns tantos inocentes. “O crescente número de perdões de pessoas inocentes no corredor da morte tem demonstrado que não se pode confiar no sistema para uma decisão tão irrevogável”, opinou o New York Times, em editorial comentando o tema.

Imagine se a pena de morte pegasse no Brasil, onde o “sistema” coloca na mesma cela paraense uma menina menor de idade e dezenas de homens, criminosos privados de sexo e de senso de certo e errado. O que não aprontaria a injusta justiça brasileira com a pena de morte nas mãos?

Há uma razão a mais para o repúdio à pena de morte, pelo menos de minha parte. Ela não se encaixa na noção de humanidade que recebemos. Por isso, é característica de estados totalitários, avessos ao reconhecimento do indivíduo, onde o menino ladrão de laranja tem a mão cortada para não repetir sua desordem.
Não é isso que somos, cortadores de mãos de pivetes, nem assassinos de assassinos. Somos (sou) a princípio contra toda morte provocada por violência, ainda que esta violência venha disfarçada e concentrada no conteúdo do coquetel de drogas de uma injeção letal. Os assassinos são eles, os criminosos, os bárbaros, os hediondos. Eu prefiro continuar sabendo com clareza de que lado estou.

Eles talvez mereçam morrer, mas nós não merecemos matar.

por Alexandre Carvalho dos Santos 21 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Meerstempel Badist · http://badist.blogspot.com

Muito bom o texto, concordo com tudo que disse, e a última frase é perfeita.
"Eles talvez mereçam morrer, mas nós não merecemos matar."
É um assunto muito complexo para termos uma decisão desse tipo, tem que se pensar muita coisa, eu ainda acredito que a maioria dos crimes está relacionado com a pobreza do país, lógico que temos criminosos que matarão sempre, entretanto o grande crime do país que resolveria problemas como saúde, educação é a corrupção, se conseguíssemos resolver este, muita coisa melhoraria.

PermalinkPermalink 09.01.08 @ 12:09



Comentário de: Gabriel Fiorini · http://www.olhosvirtuais.com

COncordo com sua colocação... não compete a nós decidir a hora que as pessoas devem morrer, mas pensando friamente resolveria grande parte dos nossos problemas...

Abraços e parabéns pelo blog

PermalinkPermalink 09.01.08 @ 15:10



Comentário de: passante

Bom texto, concordo com os argumentos. Porém devo acrescentar: em países pobres como o nosso, o judiciário e o sistema prisional simplesmente não funcionam. Então ficamos sem nenhuma das duas "justiças" a inclemente e a branda, humanista, ou seja, essa zorra.

PermalinkPermalink 09.01.08 @ 16:54



Comentário de: Osias Dos Santos Maciel · http://tioosias

ASSUNTO: PENA DE MORTE
Voces acham que não existe no Brasil?
Acordem! os bandidos mandam matar de dentro das cadeias. Isso é só um dos exemplos.
E aí, existe ou não a pena de morte no Brasil?.Ela só está faltando ser oficializada.

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 04:35



Comentário de: Francisco

Não adianta a gente ficar horrorizado e gritar, e gritar forte, somente quando acontece um crime bárbaro como o da criança presa ao cinto de segurança de um carro que foi arrastada, sem piedade, sem o direito humano à vida ser respeitado, até ser estraçalhada por uns demônios, que alguns apregoam serem "humanos". A gente grita, se irrita com as autoridades, mas nos esquecemos de termos coragem para tomarmos decisões duras, mas necessárias como a pena de morte. Mesmo que ela seja passageira e com dia marcado para acabar. Tempos loucos e cruéis como os nossos demandam medidas à altura para que voltemos a ter paz e garantir paz aos nossos entes queridos.Concordo com o texto maravilhosamente lúcido, mas me permitam escolher outro caminho, o qual penso e acho que deve ser por um tempo curto(até que criminosos que andam passeando de avião às nossas custas temam de verdade a justiça).
Penso que a Pena Capital deveria ser implantada através de consulta popular(plebiscito) e algum tempo depois deveria ser feita nova consulta para o povo dizer se realmente está satisfeito com a Pena de Morte, ou ela deva ser extinta para sermpre de nossas lembranças e que esses tempos turbulentos nunca se repitam mais.
Muito obrigado!
Francisco

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 10:43



Comentário de: ubiratã

Alguns se manifestam dizendo serem contrários à pena de morte. Isso acontece porque não foi com o filho deles, c a irmã deles. Deixem o mal chegar à carne deles e verão se continuarão com essas alegações q os criminosos matam porque foram pobres ou filhos de pais pobres ou não receberam amor quando crianças ou não tiveram oportunidade de estudar.

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 10:44



Comentário de: ubiratã

No Brasil as penas qdo excedem vinte anos o condinado tem direito a um novo julgamento. Lógo, em se tratando de pena de morte existindo, o réu teria direito a entrar c recurso e rerquerer um outro julgamento. Será q seria possível um réu inocente ser considerado culpado em dois julgamentos havando um bom espaço de tempo entre um e outro? E se constasse q em havendo um segundo julgamento, o mesmo teria de ser realizado em uma outra Comarca para garantir o máximo de neutralidade possível por parte de juizes, promotores e membros do juri?

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 10:49



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com

Gostei de sua discussão!

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 14:08



Comentário de: Marcos Antonio Fernandes

Bom se estão falando de pena de morte o assunto é polemico!
se colocarmos oque acontece com nosso dinheiro que é roubado pelos politicos dinheiro este que era para a saude,bem para cada real roubado uma vida é seifada então nossos politicos serião os primeiros a experimentar a pena de morte.

PermalinkPermalink 10.01.08 @ 14:20



Comentário de: Storm

Bom penso da seguinte forma, tirou a vida paga com sua própria, caso contrário cumpre uma pena aplicavél ao crime.

PermalinkPermalink 14.01.08 @ 10:06



Comentário de: Jaqueline

Nao sou contra a pena de morte porque gastar milhoes em presidios enquanto pode ser sproveitado o dinheiro na educacao, na saude? Esses bandidos matam ficam presos e retornam para matar pessoas inocentes eles devem nao so morrer como sofrer antes de morrer.

PermalinkPermalink 14.01.08 @ 11:06



Comentário de: MdC

SOU 100%, 1000% A FAVOR DA PENA DE MORTE.
BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO.
BANDIDO É UMA DOENÇA E CHUMBO É A CURA.

PermalinkPermalink 14.01.08 @ 11:21



Comentário de: alex · http://www.clickagitos.com.br

Ola! Gostei pela iniciativa de comentar algo tao polemico, mas se nao merecemos matar, quem ira fazer isso? Eh a mesma coisa que usar ratos para testar medicacoes! muita gente eh contra, mas nos precisamso disso!!! Quem eh contra que doe gentilmente a senhora sua mae pra testar as vacinas...

PermalinkPermalink 15.01.08 @ 15:20



Comentário de: sergio

Simplesmente vamos deixar a maioria decidir, e graças a DEUS a maioria deseja a pena de morte.

PermalinkPermalink 19.01.08 @ 20:41



Comentário de: paulo marcio

bandidos tem é gue morrer na cadeia

PermalinkPermalink 15.04.08 @ 15:10



Comentário de: tico

sou a favor da pena de mrte mas,tbm vai depender do q o cara fez e se ja ouve passagens graves pela policia..axo q quando vc mata a primeira vez talvez tenha feito por qualquer razão seja ela qual for mais quando mata a segunda ai vc gosta disso e quem mata merece morrer...pq bandido nw pensa quando vai matar bandido ri quando mata e a gente ainda tenta entender o lado deles..e chega desse papinho q mata pq nw tenho comida pra comer qé revoltado por causa do governo isso é pretexto pra matar...pq no brasil por exemplo c pa tem mais assasinos do q na africa e na africa tem mais necessitados do q no brasil...(vote em mim para presidente)kkk

PermalinkPermalink 06.06.08 @ 05:30



Comentário de: Rafael Silveira

Como sempre,os idiotas demagogos,que pesquisam,estudam e sempre a mesma ladainha humanista.SOU A FAVOR DA PENA DE MORTE.É A PENA MAIS JUSTA PARA QUEM MATA OUTRA PESSOA OU COMETE UM CRIME CRUEL.SER CONTRA A PENA DE MORTE,É SER CONTRA A BIBLIA,,,CONTRA DEUS.

PermalinkPermalink 04.10.08 @ 04:39



Comentário de: Alex

Gostaria que a minha URL fosse retirada do site. Ela está linkada ao google de forma erronea. Por gentileza, tire a minha URL do site de voces. Segue abaixo o meu comentario:
Abracos!

Comentário de: alex · http://www.clickagitos.com.br

Ola! Gostei pela iniciativa de comentar algo tao polemico, mas se nao merecemos matar, quem ira fazer isso? Eh a mesma coisa que usar ratos para testar medicacoes! muita gente eh contra, mas nos precisamso disso!!! Quem eh contra que doe gentilmente a senhora sua mae pra testar as vacinas...

PermalinkPermalink 08.11.08 @ 02:00



Comentário de: anastacia · http://anastacia@hotmail.com

pena de morte é boa eu ja morri

PermalinkPermalink 26.01.09 @ 13:57



Comentário de: IARA DA SILVA VIEIRA · http://WWW.HOTMAIL.COM

NA VERDADE ACHO QUE PENA DE MORTE E UMA MANEIRA DE ASSUSTAR QUE ESTA DE FORA TENTANDO FAZER ALGUMA COISA CONTRA ALGUEM O QUE ACONTECERA COM O ESTADO FICARA SEM A VIDA DE UM ASSASSINO MENOS UM NAO VAI ADIANTAR POIS EXISTEM AQUELES QUE FORAM TREINADOS PELOS QUE JA FORAM ELIMINADOS SAO RATOS NA VERDADE O EUA PUNI MAIS CONTINUA NAO TOMANDOI A MEDIDA CERTA POR QUE NOS E QUE FAZEMOS JUSTIÇA AQUI NA VERDADE SE MORRE ALGUEM QUE VC NAO CONHEÇE VC NAO PODE SENTIR MAIS SE FOR DA SUA FAMILIA VOCE MESMO QUER JUSTIÇA QUER MATAR E RESOLVER
BANDIDO NAO TEM LIMITES MAIS O JUDICIARIO GANHA MUITO BEM E NAO ESTA PREOCUPADO COM NOSSOS FAMILIARES E SE O BANDIDO NOS AFLIGE
QUE PAIS E ESTE NA VERDADE. O BANDIDO E TAMBÉM UM SER HUMANO E NOS TEMOS E QUE LUTAR PELA DIFERENÇA E NAO SOMAR COM A VIOLENCIA

PermalinkPermalink 29.05.10 @ 13:54



Comentário de: Rode madalena de Jesuz

Uma america pegou pena de morte e foi assacinata com uma injeção letal nos EUA por ter planejado a morte do marido niguem falou nada a midia não deu importancia nenhuma, mas a Iraniana qua tambem pranejou a morte do marido e pegou pena de morte deu uma polemica danada o mundo todo condenou o Irâ por tela condenado a morte, mas a america porque ninguem deu apoio? Os americanos tem o direito de decidir quem deve morrer.

PermalinkPermalink 15.11.10 @ 19:10



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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