03.01.08
Resoluções de Ano Novo
Tenho a mania nem sempre bem aceita de perguntar a quem quer que seja sobre suas resoluções de Ano Novo. Uns se incomodam por os incomodar a constatação de que, não, não têm metas para o ano seguinte. Outros porque não tenho nada a ver com isso. E aí estão cobertos de razão, sou xereta mesmo quando se trata de resoluções de Ano Novo. O negócio é que tenho uma visão um bocado romântica da passagem de ano, identificando nela a possibilidade de mudanças várias; de que entre um e outro gole de espumante, assistindo aos fogos, algo morra e nasça em mim e nos outros. Tornamo-nos diferentes ou nos abrimos à diferença, à possibilidade da diferença, e posso fazer tudo de uma forma que nunca fiz antes, posso ser quem eu quiser, mudar de emprego, de atitude e estilo de vida, bastando a isso superar as restrições de minha débil vontade.
Sim, claro, podemos mudar e melhorar tudo à nossa volta a partir de qualquer data. Num 13 de agosto, por que não? 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, me parece data simpática, mais pela canção do Dorival Caymmi que por uma suposta crença no candomblé (não espere crença nenhuma dessas páginas). O aniversário também é dia marcante, estimulante de reviravoltas, mas a passagem de ano... Não adianta, sou um romântico quando se trata de Réveillon, para azar dos de poucas resoluções.
Falando sério, acho importante que a pessoa tenha resoluções de Ano Novo. Porque, se há uma característica negativa na vida moderna é o pouco tempo dado à reflexão. Estou satisfeito com minha vida? O que posso melhorar nela? O que me satisfaz tanto que precisa ser mantido a todo custo? Tenho sido um bom filho, irmão, amigo, marido? Meu ganha-pão me realiza? Dou a devida atenção à minha saúde?
De verdade, quase ninguém pára para refletir sobre essas coisas, o que talvez responda pelo enorme sucesso dos livros e palestras de auto-ajuda. Apesar de estarem repletos de clichês e charlatanices, fazem, de algum modo, com que a pessoa pare o relógio por um instante que seja e pense um pouco em sua própria vida.
As resoluções de Ano Novo, no mínimo, nos dão metas para lembrar durante o ano. Acho mesmo que vale a pena escrevê-las e, de vez em quando, dar uma olhadinha nelas. Porque obviamente queremos o melhor para nós e, quando paramos para refletir sobre isso, vira e mexe conseguimos chegar a umas tantas considerações que, se levadas a sério, farão uma diferença enorme em nossos dias. Para melhor.
* * *
Uma das resoluções mais comuns é a de perda de peso. Eu mesmo relacionei entre minhas resoluções a perda obrigatória de 5 quilos e alternativa de 7.
Além do fato de que grande parte da humanidade vive com sobrepeso, contribui para esta indefectível resolução a maratona gastronômica e etílica por que nos fazem passar nesse período de festas. Tudo quanto é portal de Internet tem um destaque na home-page sobre como pegar leve nas ceias. Não beba espumante junto com o jantar, evite experimentar de tudo, concentre-se em um ou dois pratos e faça combinações com verdura (se houver).
Mas quem dá bola para a salada de verdes da prima vegetariana quando há cuscuz marroquino com camarão, lombo com farofa de damasco, peru com farofa de banana da terra (nunca comi tanta farofa), estrogonofe de chocolate e, para beber, cosmopolitans e um tipo diferente de sangria, que combina espumante, frutas e cointreau?
Tudo isto na ceia de Natal. O Réveillon teve carne seca com feijão fradinho e vinagrete com coentro, batatas ao forno com alecrim e azeite, e uma porção de petiscos de arrasar qualquer dieta. Bocas espumavam Saltons e Chandons de diversos preços e qualidades.
Melhor tornar a perda de 7 quilos obrigatória.
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Comentários:
Planejar sem obsessão não faz mal a ninguém, ao contrário ajuda-nos a sermos mais produtivos em nossas vidas.
A virada de ano está integrada no calendário do mundo capitalista, pois quase a totalidade dos balanços são fechados em 31 de dezembro quando encerra-se um ciclo financeiro e econômico e inicia o seguinte com novas metas a serem atingidas na busca pela visão de negócios do mercado.
Somos parte integrantes deste ciclo e isto não quer dizer que somos obrigados a segui-lo pois temos o livre arbítrio e podemos muito bem optar pela alienação a este sistema e arcarmos com as conseqüências, ou melhor deixar que aqueles que realmente se preocupam com a gente assumam estas conseqüências.
Mudando um pouco uma de minhas resoluções é não sofrer mais com obrigatoriedade cultural de nossa família em passar o Réveillon na praia. Realmente este ano senti que o aquecimento global e já não tenho mais paciência para dirigir os 115 km a velocidade média de 10km por hora..
Desejo que sejas disciplinado na busca pela realização de suas resoluções.
Abraços
Marcos Falcon
Abracos!
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex