25.12.07

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A cidade dos 300 cinemas

Cidade de altos e baixos, de violência e abundância, de poluição e parques do Ibirapuera e da Cantareira, de restaurantes fantásticos e de gente morando em plena Marginal, São Paulo, entretanto, só tem a agradar quem, como eu, é apaixonado por cinema. Basta abrir o jornal e conferir que Sampa tem cerca de 300 salas de cinema, com opções para todos os gostos.

Os cinemas de shopping recebem filas de adolescentes e casais e crianças com sua programação comercial e acessível. A Rua Augusta tem uma variedade de salas para os mais ecléticos, paraíso dos filmes argentinos, italianos, alemães, iranianos, coreanos... e brasileiros também: o Espaço Unibanco quase sempre tem um filme nacional em cartaz.

Na Sala Cinemateca, na Vila Mariana, há mostras todas as semanas, destacando a obra de um realizador, as atuações do Paulo José, o cinema marginal, ou abrindo espaço para o cinema russo do começo do século XX. O Cinesesc merece que entremos de joelhos, pelo tamanho de sua tela e os filmes que chegam até ela. No recém-falecido Top Cine, houve filmes de Truffaut ou do Rohmer, preciosidades da Nouvelle Vague e outras jóias. E tem cinema no centro, na USP, no museu Lasar Segall, em Santana, em Itaquera e no ABC.

O antigo Gazetinha se transformou nas quatro salas do Reserva Cultural, onde o filme é tão sagrado que é proibido entrar com pipoca. O Cinearte virou Cine Bombril, dando um show em matéria de conforto (nada como a distância entre as fileiras de poltronas), som e imagem.

Saudades do antigo Astor, hoje megastore da Livraria Cultura, onde vi E.T. e outros clássicos blockbusters, tão adequados à sua tela grande. Pelo menos, virou uma livraria, não uma igreja.

por Alexandre Carvalho dos Santos Deixe seu comentário - Permalink


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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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