10.12.07

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Across The Universe, de Julie Taymor

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Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Across The Universe, de Julie Taymor, dividiu opiniões. Trata-se de um musical em que as mudanças comportamentais e políticas dos anos 60 são exibidas ao som de músicas dos Beatles. Mas, diferentemente do que costuma acontecer nos musicais, aqui a música não é usada para enriquecer esta ou aquela passagem. Pelo contrário, é a narrativa que se adapta à música dos fab four de Liverpool, de modo que as seqüências se dão de modo a se encaixarem nas letras de John Lennon e Paul McCartney, e os personagens têm nomes associados ao imaginário beatle: o protagonista é Jude (“Hey Jude”), sua namorada é Lucy (“... in The Skies with Diamonds”), uma cantora de rock é Sadie (“Sexy Sadie”), a personagem de T.V. Carpio é Prudence ("Dear Prudence").

O que mais incomoda em determinadas passagens é o escorregão de transformar números musicais em clipes da MTV. É o que acontece principalmente no meio do filme, com “Happiness is a Warm Gun” e “Being For The Benefit of Mr. Kite”. Mas a maior parte do longa é tocante na exaltação da energia e das paixões juvenis, temas com os quais os Beatles conquistaram uma altura jamais alcançada por nenhuma outra banda de pop-rock. No filme, as letras das canções nunca ficam em segundo plano, pois ganham uma representação poética das situações em que tais amores e tais desilusões, ou sonhos, realmente podem brotar.

Impossível não sucumbir a Evan Rachel Wood, em sua beleza primaveril, cantando a hesitação do segundo amor que é “If I Fell”, ou não se imaginar na pele do personagem de Jim Sturgess, declamando “All You Need is Love” para a namorada pelos amplificadores, sobre o teto de um edifício. Reproduz assim, em seqüência de apoteose, a não menos apoteótica apresentação dos Beatles pouco antes da dissolução.

Across The Universe é um filme sobre o amor na juventude, a capacidade de apostar na mudança, incorporá-la, e viver a liberdade enquanto os tanques não vêm.

Os que preferiram apontar seus defeitos a se deixar levar pela espontaneidade e doçura do filme podem não gostar dos Beatles (e que Deus tenha pena de suas almas miseráveis), ou são críticos de óculos severos que nunca foram jovens. Ou que, sendo jovens, prefeririam não ser.

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por Alexandre Carvalho dos Santos 4 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Marcos Pinheiro · http://ospingosnosis.blogspot.com

Adorei o texto... do início ao fim. Pena que este filme não chegará em Ribeirão Preto. Estou ancioso para ver "across the universe". Adorei o trabalho da diretora em Frida. Suas cores sempres vivas devem se encaixar muito bem aos ritmos psicodélicos dos anos 60 e 70.
Além disso, os Beatles estão entre as minhas paixões imutáveis.
Abraço.

PermalinkPermalink 11.12.07 @ 15:39



Comentário de: Marcos · http://rolouporai.blogspot.com/

Evan Rachel Wood é muti linda mesmo!
Valeu a dica. Vou ver o filme.

PermalinkPermalink 12.12.07 @ 13:47



Comentário de: Débora

Acabei de chegar do cinema e simplesmente o filme é tudo. Principalmente pra quem conhece as canções dos Beatles e a trajetória deles, consegue perceber a magnifissência da diretora ao unir a própria história dos Beatles, à tudo que ocorreu na década de 60/70 e ainda com o amor e esperança dos jovens.. simplesmente o filme é demais. Sem contar os efeitos, os atores... Vale a pena.

PermalinkPermalink 12.02.08 @ 21:29



Comentário de: DD

Filme maravilhsoso!!! Vi meio sem acreditar que era bom e terminei totalmente afim de ver de novo!!!

Otimo review ....

PermalinkPermalink 13.02.08 @ 17:53



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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