28.11.07
Os mais finos canapés - Carol Gastronomia
Foi numa tarde de sábado, amizade, cerveja e sorrisos que descobri que a feijoada não era aquilo que eu até então entendia como feijoada: feijão preto, arroz, paio, lingüiça e outras carnes que eu só comeria disfarçadas naquela mistura escura. Nasci então para a verdade que existe dentro da feijoada de prima, de prima cozinheira e rainha dos relacionamentos: minha prima Carolina. Feijoada é um conforto, um abraço de amigo do peito, a antecipação da rede (de índio, não de computador), da preguiça; uma ousadia que tão bem representa o sábado, mas uma aventura segura, um bem-estar.
Você já teve dessas revelações com alimento? Esses instantes em que a cena congela e você tem uma descoberta, um pensamento definitivo sobre alguma coisa? Vira e mexe, acontece comigo. Como quando, ao lado do irmão, na piscina de uma pousada em Cambury, parei com a Coca light. Até um segundo antes, eu ainda era um resignado àquela água choca. As nuvens se afastaram, veio a luz e eu, quase cego de ver as coisas como realmente são, disse a meu irmão com gosto: “Traga uma Coca de verdade, não é isso que vai me deixar mais magro ou mais gordo”. E com que prazer saboreei aquele reencontro com uma Coca-Cola de verdade, com muito gás, açúcar e venenos viciantes que eu não faço questão nenhuma de decorar os nomes.
Mas eu estava falando sobre a Carol. Nasceu de galochas e vestidinho de camponesa, tão singela que a meiguice não permitiria a ninguém suspeitar que viera para grandes planos, para ser livre. E, dessa idéia de liberdade que os brutos não entendem, dar à luz os pratos mais divinos, ora de uma complexidade digna dos inventores da cozinha catalã, ora familiares e geniais como um disco de João Donato.
Há uns anos, estendeu a atividade de cozinheira dos amigos para a generosidade remunerada e abriu o melhor pé-sujo (mas limpinho, que a moça é exigente) que São Paulo já viu: o Caju Boteco, na improvável Vila Ipojuca.
Grã-finas de Nelson Rodrigues, culturettes e indies dividiram espaço com moradores do bairro, cinéfilos, gourmets e primos gulosos que não perdiam uma “Noite Mexicana”, quando a própria Carol preparava tacos e burritos inesquecíveis, imperdíveis, o céu aberto das tardes do México em plena noite da Lapa.
Agora é banqueteira, a moça, e suas iguarias estão mais criativas que nunca, bem apresentadas, combinando charme e salivação em jantares íntimos, casamentos, eventos de ONGs. Lançou um fotolog do seu negócio, a Carol Gastronomia, e as fotos, por si, bastam para me fazer correr à geladeira, para a decepção de que não estão ali as promessas dionisíacas daquela sucessão de imagens.
Parece propaganda? Mas é, e boca a boca, porque é bom demais.
Acesse: http://carolgastronomia.blogspot.com
* * *
Todas as fotos deste post são de jantares que a Carol promoveu para algum abençoado.
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Comentários:
P.S. O blog da sua prima é de dar água na boca... ela diz que o comer começa com o o olhar... quase engoli meu notebooke.
2nd, a Carol sempre nos presenteou com ótimas surpresas gastronômicas, tanto na casa dela, na nossa ou no falecido, mas não esquecido, Caju Boteco. Merece sempre nossos aplausos.
Tel 9743-9815
Atenciosamenta Teresa
Tambem gostaria de receber um convite para entrar no blog, fiquei muito curiosa! Como fazer para receber esse convite?
PS. Parabens pelo texto...
Achei muito interessante o texto e gostaria de saber se a Carol fornece canapés e salgados!
Caso ela forneça queria saber se fornece em Santos, pois vou organizar um evento de inauguração lá e gostaria que ela entrasse em contato, visto que também não consigo entrar no Blog e tenho uma certa pressa para acertar isso, pois o evente é daqui 3 semanas.
Atenciosamente,
Gabriel
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex