13.11.07

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Barsa, Desciclopédia, Quentin Tarantino e seu irmão brasileiro

tarantino
Tarantino, o irmão do Samuel Rosa

Era na enciclopédia Barsa que o pequeno Alexandre, estudante ginasial e colegial, do alto de seus tênis Rainha Iate, procurava respostas para as grandes questões de sua até então curta existência, e também conteúdo para os trabalhos da escola. Nesse monumental acervo do conhecimento humano, leu sobre a complicada geografia da Europa Oriental, a velocidade alcançada pelos tigres de bengala e a extensão das conquistas de seu xará, O Grande, pelo mundo antigo de persas e gregos.

Os maiores nomes do expressionismo? A Barsa enfileirava. Um perfil de Olavo Bilac? A Barsa tinha. No que trabalhavam os irmãos Lumière? A Barsa sabia, é claro, a Barsa era pau pra toda obra!, bastava uma folheada rápida em suas dezenas de volumes para se chegar ao kama sutra das borboletas ou ao comprimento dos bigodes dos arcadistas.

Em tempos de Internet, imaginei a Barsa impressa como um grande monumento da obsolescência, mas eis que o site da enciclopédia me jura que não, não é assim, oferecendo a Barsa Universal em 18 volumes mais dez CD-Roms. São mais de 122 mil verbetes, 500 mapas, 300 tabelas e por aí vai. Há ainda uma opção light, a Enciclopédia Temática, “adaptada a estudantes e profissionais de todas as áreas”, composta de nove volumes, mais dois CD-ROMs, e ainda um “guia de profissões”. Responde a questões que não querem calar, como por que os ciclones giram em diferentes sentidos de acordo com o hemisfério em que se encontram.

Recentemente, descobri que na Internet há outra fonte inesgotável de informações, mas imprópria para os trabalhos de geografia e educação moral e cívica de estudantes e profissionais de todas as áreas. É a Desciclopédia, uma irmã do tipo “gêmea má” da Wikipedia, igualmente aberta à colaboração de todos, mas especializada na informação alternativa.

Procurei em seus arquivos um perfil do cineasta Quentin Tarantino, e descobri o quanto eu era ignorante sobre os detalhes realmente valiosos da vida e carreira do diretor de Pulp Fiction. Na Desciclopédia, aprendi que Tarantino é irmão do cantor do Skank, Samuel Rosa, e que sua opção por filmes sanguinolentos vem do berço: ele nasceu em pleno massacre da Noite de São Bartolomeu, com a mãe já decepada.

samuel1
Samuel Rosa, o irmão
brasileiro de Tarantino

Também descobri que Tarantino se inspirou em filmes pornôs asiáticos para a criação de Kill Bill, o que explica os codinomes de personagens como Boca de Algodão e Garganta de Veludo. O filme conta a história de uma garota que dedica a vida a sangrar “pessoas, animais e japoneses”.

Liberto dos floreios parnasianos em seu linguajar direto e reto, o Descionário, que integra a Desciclopédia, explica que o termo “Cicaralho” tem origem no sânscrito, significando “flor matutina que desabrocha nos recônditos salinos”.

Em Deslivros, outra extensão do portal, obras de auto-ajuda obrigatórias para quem visa ao sucesso profissional e pessoal em todos os níveis: Manual de Conversão ao Judaísmo, Como Correr de Uma Gorda e Faça sua Bomba Atômica.

Se você também quiser ampliar o seu universo de conhecimentos para além dos limites que as enciclopédias formais sempre nos impuseram, acesse, por sua conta e risco: http://desciclo.pedia.ws

por Alexandre Carvalho dos Santos 5 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: Anna · http://www.cadernoinsone.blogspot.com

É... na verdade eu nunca morri de amores pelo Tarantino desde tempo de violencia, q eu sei q todo mundo diz que é ótimo e tals, mas sei lá. Me senti mal qdo vi, e era nova demais, há sempre a possibilidade de não ter entendido.E se entendi simplesmente não parei p analisar o filme pq a sensação ruim não deixou. quase dez anos se passaram e o trauma ja ficou.Mas eu gosto do Samuel.
Adorei o Blog; Participa do Concurso.
Abs

PermalinkPermalink 14.11.07 @ 04:16




Além disso tem o fato de eu ainda guardar o incrível desejo de possuir um aurelião.
A barsa da casa do meu avô eu já pedi faz tempo, mas ela é mais velha do que eu....agora vou sonhar com a barsa nova.

PermalinkPermalink 14.11.07 @ 04:20



Comentário de: Carol

hahahaha delícia de post, Alê. Mas, olha, vou te dizer: muito mais que o Samuel Rosa, quem parece com o Tarantino nesta foto é você!

PermalinkPermalink 14.11.07 @ 09:55



Comentário de: Rafaella · http://www.revistaogrito.blogspot.com

Tô lendo você assiduamente, muito bom seu blog!

PermalinkPermalink 20.11.07 @ 22:43



Comentário de: eduardo

cara,muito bom;em tempos de ignorância virtual,onde a internet,só é comparada a Deus nada melhor do que ressaltar os valores prestados por essa esplêndida obra que é a enciclopédia barsa,não sabendo os menos entendidos que essa ferramenta de ensino engloba,três formas de distribuição do conhecimento através,da impressa,multimídia e seu portal na internet,portanto não ficou parada no tempo e sim se modernizou, e mais sendo reconhecida e respeitada por milhares de intelectuais em todo o mundo como uma das melhores obras de referência.
sucessos mil no seu blog.

PermalinkPermalink 14.09.08 @ 20:14



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Na Minha Rolleiflex

Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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