13.10.07
Stella, a astronauta (e escritora, e roqueira...)
No dia das crianças, a Stella passou aqui em casa. Stella é filha da minha irmã, e é também a felicidade da família.
Está com oito meses já, e ensaia os primeiros de muitos passos, e quer dizer o quanto gostaria de dar forma aos sons que saem de sua boca de primeiros dentes, de ensaios de dentes, mas não diz nada e apenas sorri, e chora e estende os braços na minha direção, celebrando o amor que sinto por ela desde o dia em que a vi e acompanhei seus primeiros movimentos, suas primeiras horas.
Foi um dia de muitos bebês em casa. Esteve aqui o Assis, de oito meses também, e o Lucas, de apenas três, com seu cabelo de pica-pau, filhos de amigos queridos. E ainda a Clara, de 2 anos, filha de minha prima (e amiga) Carolina.
O que mais me encanta na Stella é que essa menina de olhar hesitante e curioso tem, diante de si, todas as possibilidades. Pode ser campeã de automobilismo, viajar para a lua e descobrir a cura do câncer. Ou tudo isso junto (a uma criança de primeiros passos, primeiros dentes e sorrisos, nada é impossível). Poderá ser Miss Universo, uma roqueira pós-pós-punk ou a trompetista de uma orquestra. Pode receber o Prêmio Nobel da Economia ou ser neurocirurgiã, como quer a mãe.
Pode nos encher os dias com seu amor, ou nos esquecer, imersa em seu próprio mundo de tantas possibilidades, distante do nosso cotidiano de velhos costumes. Pode morar com a mãe e o pai até os 30 anos, ou viajar para a França, aos 18, e nunca mais voltar. Pode ser escritora e contar a história de minha família, e até de meu pai, o avô que ela não conheceu e que estaria, ontem, com ela no colo, trocando sorrisos. Mas se foi antes que Stella descobrisse a cura do câncer.
Stella pode ter um destino de grandeza nos fatos do País e do planeta, ou simplesmente tornar os nossos dias mais ricos de experiências e de afeto. Ela recupera, diante de nossos olhos, traços de meu pai, minha avó e minha tia Inês, tornando-os não mais crias singulares de minha memória, mas a certeza de uma continuação.
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Comentários:
Tenho certeza que a nossa Teté vai ser a afilhada mais orgulhosa do padrinho que o mundo sonhou existir.
Mudando radicalmente de assunto
Acabei escrevendo um conto sobre um tema que tá fervilhando na minha cabeça últimamente. Homicídio. Dá uma lida. E depois de ler assiste o teaser do meu próximo curta metragem:
http://www.youtube.com/watch?v=ZlxNcOv1FD8
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex