08.10.07
Frank Sinatra with The Red Norvo Quintet (1959)
É noite de primeiro de abril de 1959 na Austrália, e realmente parece mentira o que se vê em um palco de Melbourne: Frank Sinatra, “the voice”, os olhos azuis mais talentosos da história da música popular, acompanhado por um quinteto mágico de jazz, comandado pelo infernal vibrafonista Red Norvo, o mesmo grupo que respondia pela seção rítmica da orquestra suingueira de Benny Goodman. O pianista de Sinatra, Bill Miller, também participava dessa noite inesquecível, que o selo Blue Note tornou eterna ao registrar em disco.
Após uma introdução instrumental, em que o conjunto de Norvo prepara os corações da audiência com “Between The Devil and The Deep Blue See”, o próprio líder do quinteto anuncia a entrada de Sinatra, que canta suave “I Could Have Danced All Night”. Quem só conhece o Sinatra da terceira idade, pondo à prova seu fôlego em dispensáveis prolongamentos de notas em tons altos, vai se surpreender com a classe e a suavidade com que o cantor conduz seu repertório jazzy: São improvisos certeiros, que demonstram uma versatilidade e um timing para o jazz comparáveis aos das interpretações de Anita O’Day.
Assim como há as faixas mais agitadas e contagiantes, como “I Get A Kick Out of You” e “I’ve Got You Under My Skin”, ambas peças de resistência do repertório de Sinatra, ambas com a caligrafia imbatível de Cole Porter, há também as baladas, nas quais o cantor sussurra aos nossos ouvidos sobre as dores de amores de “Angel Eyes” (“Try to think that love is not around / Still it’s uncomfortably near...”) ou cria um clima de nostalgia e perfeição em “Moonlight in Vermont”.
Os standards cantados e recantados por Sinatra com os mais diferentes arranjos ao longo de sua carreira parecem nascidos para que, um dia, ganhassem versões mais jazzísticas. E ganharam, na voz de muitos cantores bons, de muitas cantoras muito boas, mas poucas vezes no canto insuperável do cantor conhecido como “A Voz”. E quando isso acontece...
Os maiores momentos de um CD repleto de grandes momentos: a recriação jazzística de “Night & Day”, em que o vibrafone de Norvo faz o tapete para um canto dinâmico, cheio de quebras, mudanças de padrões, acentuando esta ou aquela palavra conforme a canção se desenvolve; e “All The Way”, que é só Sinatra e piano, voz de veludo para uma letra de marejar os olhos (“Who knows where the road will lead us / only a fool would say. / But if you´ll let me love you / It’s for sure I’m gonna love you / all the way.”).
Ter Sinatra cantando com um pequeno conjunto, situação tão diferente de seus shows ao vivo com as grandes orquestras que tanto o acompanharam, para o bem e para o mal, é ter a noite perfeita. Prepare um martini bem seco, procure sua poltrona preferida e estale os dedos por mais de uma hora. Você teria dançado a noite inteira se estivesse lá.
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Comentários:
Obrigado pelo comentário simpático no blog.
Um abraço.
Grande abraço.
Abraços e obrigado pelos comentários.
Agradesso a compreençao de todos que poderem me ajudar.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex