24.09.07
Arnaldo Baptista fora dos Mutantes
Arnaldo Baptista e Zélia Duncan deram bye-bye aos Mutantes. Ambos alegam que precisam, agora, de tempo para os projetos pessoais. Arnaldo quer lançar antigos discos que fez com o Patrulha do Espaço em CD. Quer lançar livros e fazer uma exposição com suas pinturas. Zélia volta à carreira solo.
Serginho diz que vai continuar com a banda e lançar um disco de inéditas. Como fez nos anos 70, quando o irmão saiu, terminando com o que havia de espírito mutante naquela que foi, sem a menor sombra de dúvida, a melhor banda de rock do Brasil de todos os tempos. Uma das melhores do mundo. Mas sem Arnaldo, sem Rita Lee, tornou-se apenas uma banda orientada para o rock progressivo, moda dos anos 70 que, graças a deus, o punk deu um jeito de mandar para o espaço sideral.
Sim, Arnaldo fazia figuração nessa volta, toda ela pensada e conduzida por Sérgio Dias, por seu amor à banda, ao irmão e por seu virtuosismo na guitarra, inabalável. Mas sem Arnaldo, sem Rita, como chamar o que fica de Os Mutantes?
Os Mutantes, para mim, será sempre esta banda inovadora, criativa, irônica e energética na passagem dos anos 60 para os 70, que você pode conferir nesse vídeo, tocando a lírica Fuga No.2. Com Rita charmosa como nunca.
Sérgio já afirmou em entrevista que não sabe se Arnaldo participará do sonhado disco de inéditas, do qual já tem algumas composições prontas, algumas feitas com Tom Zé. A previsão é de que saia em março, seja como for.
* * *
Eu tenho em vinil os dois discos do Patrulha do Espaço com Arnaldo Baptista: Elo Perdido e Faremos Uma Noitada Excelente... O primeiro, de estúdio, é um registro poderoso, um pouco do melhor que Arnaldo já fez pós-Mutantes. O segundo, ao vivo, é interessante, mas já não é essas coisas.
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Beijo
Pois é, Carol. Você tem razão. Por sorte, alguns como Paul McCartney têm validade bem longa.
Wandecy, parece-me que você ouviu Mutantes superficialmente, pois os ruídos que você cita aparecem em um número mínimo de músicas do repertório da banda. E sucesso e reconhecimento nem sempre marcaram a trajetória da banda, que vendeu poucos discos enquanto estava na ativa. Sabe por quê? Porque o público da época não compreendia as combinações de Cream com Orlando Silva, Jimi Hendrix com baião, Beatles com Tim Maia. Os cruzamentos e recriações que marcaram o Tropicalismo e a MPB para sempre. Resumindo, porque era muito diferente.
Abraços.
Já ouvi muito Genesis (gosto de The Lamb Lies Down on Broadway e Selling England By The Pound), King Crimson (gosto de algumas coisas, mas é raro que tenha, hoje em dia, paciência suficiente para ouvir um disco inteiro dessa banda), Cameo e outros progressivos. Não foi sem uma dose de humor que disse o que disse. E repito. Para o bem do rock, esses ególatras e seus solos intermináveis ficaram para trás, deixando influências boas, outras péssimas em bandas posteriores.
Quanto ao tom do seu e-mail, revela, no mínimo, falta de educação em casa... ou uma influência do punk, que mereceria meu respeito.
Conheço sim, talvez nem tanto como você, o trabalho dos Mutantes. A questão do reconhecimento que eu falei é "a priori", pois parece que a banda se tornou inatacável, da mesma forma que os Beatles - até os Beatles, que são de fato os maiores na minha opinião, merecem uns tabefes de vez em quando.
(Wandecy Medeiros opina sobre Os Mutantes)
E quanto aos Beatles serem os maiores, assino embaixo. Todo mês, penso num disco deles como meu preferido de todos os tempo. Agora estou ouvindo o Álbum Branco.
Um abraço.
gosto dos beatles mais se eu nao tivesse buscado e estivesse ofuscado pelo nome e fama...deles...nunca teria conhecido Zappa And The Mothers of Invention...
visionarios s/a
No meio de um monte de enlatados e besterou, es que surgi um grupo onde expõem idéias e ideais, além do que os olhos possam ver...
Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.