22.09.07
Querô, de Carlos Cortez
Em minhas idas ao teatro nos anos 90, vez ou outra encontrava um velhinho com cara de safado, com algo de Bukowski, algo de profeta de rua, que nos tentava vender qualquer coisa (um livro?, um poema?, uma peça?), sem muito sucesso, pelo menos comigo. Era Plínio Marcos. A maneira doce e terna com que nos abordava não tinha combinação com sua figura, e não se adivinhava, ali, o pai de personagens amargos para quem a redenção é uma expectativa que não se confirma.
Querô, o filme de Carlos Cortez, não trai o espírito da obra do dramaturgo, e se nos apresenta o menino protagonista como um herói trágico numa vida hostil e desesperançada, também não evita a ironia com que suas pequenas vitórias são encobertas pela violência que o destrói e transforma. O escárnio, que também é uma maneira de colocar tanta miséria em primeiro plano, começa logo no nome do menino-filme: Querô é o encurtamento de Querosene, apelido que herdou do suicídio da mãe, prostituta que bebeu esse líquido até morrer. Esta mãe, com o sugestivo nome de Piedade, é interpretada por Maria Luisa Mendonça, que tem restringido sua atuação a papéis de mulheres à beira da insanidade, e que é, para mim, um ponto baixo do filme.
Já o menino Maxwell Nascimento é uma descoberta e mais que uma promessa: já deixou sua marca na tela. Sua persona cinematográfica, que ninguém imagina diferente do que é no dia-a-dia, é de rara fotogenia; todo enquadramento que o inclui serve para pôster de divulgação do filme. E convence como vítima inconformada da Febem, da orfandade, da falta de uma saída de emergência. Melhor ator do Festival de Brasília, perguntado sobre o que achara da grandiosidade do evento, de que participou, Maxwell respondeu que ficara impressionado com a banheira do hotel, que nunca tinha tomado banho de banheira. Não consigo imaginá-lo em outro filme, senão na pele de Querô, mas este meu provável engano é prova de que fez um trabalho que é um soco na cara.
Cortez, o diretor, enriqueceu a obra que tinha em mãos, reconhecendo que não cabem, numa história de Plínio Marcos, a condescendência e a pasteurização de uma vida sem final feliz. Manteve diálogos agressivos, desgraças como são, e sua Febem não tem assassino gente boa nem ladrão charmoso. Nem o herói é digno de medalhas. O que só fortalece sua verossimilhança e o impacto do conjunto, em que nada é gratuito.
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Comentários:
Uma medalha significa muito para algumas pessoas, mas para mim é apenas uma peça de metal. Tem valor simbólico é verdade, mas mesmo assim continua sendo uma peça insignificante de metal. Um diploma é um pedaço de papel e também não prova muita coisa. Existem profissionais que preenchem as paredes de seus escritórios com trezentos diplomas, mas eu preferia mesmo era ver uma parede mais elegantemente utilizada, com uma bela foto ou pintura.
Claro que eu quero que o médico que cuida da minha gastrite seja o mais preparado possível e que tenha passado por uma Universidade, mas estou me lixando para o diploma que ele conseguira na Alemanha, na França ou em Coxixola. Só quero que ele receite o veneno certo para eu tomar. Nada mais.
Não me interessa o disco de ouro de nenhum cantor, só peço que ele não desafine no palco. Ganhar o Nobel certamente seria uma grande honra em qualquer das categorias premiadas, mas mesmo aí aconteceram equívocos e injustiças imperdoáveis. Terroristas já ganharam o Nobel da Paz (Yasser Arafat, por exemplo), embusteiros já receberam o Nobel de Medicina, teorias brilhantes como a da Relatividade, de Einstein, não levaram o prêmio.
Sartre esnobou quando soube que ganhara o prêmio Nobel de Literatura nos anos sessenta e nem mesmo fora recebê-lo. Marlon Brando ridicularizou o Oscar que ganhou e pediu para um índio ir pega-lo.
Os Beatles receberam as medalhas que a rainha da Inglaterra lhes oferecera, a MBI, mas o quarteto fantástico fez tanta chacota que acabou causando um mal-estar nos nobres cidadãos que já tinham recebido com todo gabo e toda pompa a mesma medalha recebida pelos músicos. Personalidades que haviam recebido a medalha por grandes serviços prestados ao país se revoltaram ao ser colocados no mesmo patamar que uma banda pop, mas ficou patente que para a medalha que eles tanto valorizavam os garotos de Liverpool não davam a mínima.
John Lennon depois devolveu a sua medalha em protesto contra a invasão da Irlanda pelos ingleses, Paul disse que ia esconder a sua numa caixa de sapato e George brincou dizendo que não esperava que a medalha tão supervalorizada fosse apenas um pedaço de couro. O que Ringo fez, eu não sei. Eles eram os Beatles, não eram? Uma banda que entrou para a história como o maior fenômeno da música em todos os tempos, que tirou o rock da condição de música para os quadris e o dignificou com belas melodias e letras memoráveis, que mudou toda uma geração, que tem as músicas mais executadas e conhecidas do mundo, certamente não daria a mesma importância que um medíocre burocrata de escritório daria para uma medalha de couro.
Wandecy Medeiros: Jornal Folha Patoense
VC PODE VIM AQUI NA MINHA CIDADE CONHEÇER Q VC VAI ADORAR,PASSAREMOS MOMENTO FELIZES JUNTOS.
EU MORO EM ARRAIAL DO CABO,TENHO 22 ANOS E QUANDO TE VI NA MALHAÇÃO FIQUEI LOUCA POR VC.BJUS
Tudo de bom pra vc!
Bjos
Só uma observação: ele não é o autor desse blog.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex