29.08.07
O cinema insuportável, ou Adam Sandler de galocha...
Sentir-se envergonhado pelo filme a que se está assistindo não é algo relacionado necessariamente à qualidade da obra. Você sabe o que esperar de As Panteras Detonando, e até acaba se surpreendendo positivamente com as sacadas de uma produção despretensiosa (não que eu tenha gostado desse filme). Mas tem diretor, roteirista, ator... com cada passo em falso que, na hora, a gente fica com vontade de colocar uma máscara do Grouxo Marx e sair do cinema sem que ninguém nos reconheça.
Foi assim que me senti ao assistir às infelicidades abaixo:
Paixão Selvagem, de Serge Gainsbourg
Caminhoneiro homossexual tem suposta recaída hetero quando conhece garçonete que mais parece um menino. Mas só quer fazer sexo anal com a moça, como faria com os rapazes. Este filme, que virou cult sabe-se lá por qual razão misteriosa, além de terrivelmente interpretado e montado, tem personagens nauseabundos, como o amante do caminhoneiro. Desprezado quando o moço resolve investir na garçonete, esse amante, cheio de trejeitos estereotipados, dignos dos gays de A Praça é Nossa, chora as pitangas para lá e para cá arrastando um pedaço de pano sujo. O porquê do trapo? Deus sabe... O ponto alto do constrangimento é ter que ver o Gerard Depardieu pelado, montando um cavalo branco.
Seria engraçado, se não fosse de levantar da poltrona e pedir o valor do ingresso de volta. E eu, lá, pensando, “fazer um filme custa tanto dinheiro...”.
(a primeira metade de...) O Balconista 2, de Kevin Smith
Falei tão bem para minha mulher sobre o filme que deu origem a essa continuação, que a primeira metade foi me encolhendo na poltrona de tanta vergonha. Kevin Smith abraçou de vez o besteirol: as piadas broncas e os diálogos de pré-adolescente do fundão da classe superam de longe as referências ao universo pop que marcaram seus melhores momentos no cinema (a saber, o primeiro Balconista e a ótima e invulgar comédia romântica que é Procurando Amy). Na segunda metade, o filme até que dá uma engrenada, e a dupla de personagens Jay e Silent Bob ajuda a provocar umas risadas aqui e ali. Mas, no conjunto, a impressão ainda é a de vergonha por ter entrado no cinema.
(Qualquer cena com...) Adam Sandler
Amigos confiáveis me indicaram Como Se Fosse A Primeira Vez, e até hoje acordo no meio da noite, assombrado com a combinação do vômito do leão-marinho com a trilha sonora de música havaiana tocada com teclado Casio. Assisti a Espanglês, atraído pela bela Paz Vega de Lúcia e O Sexo, e descobri que a moça teria feito melhor negócio iluminando a Espanha. Tive a má idéia de procurar o que A Herança de Mr. Deeds teria em comum com O Galante Mr. Deeds, de Frank Capra, e... me arrependi de ter saído da cama naquele dia.
O que essas vergonhosas películas têm em comum? O sorriso idiota de Adam Sandler, certamente um dos mais irritantes atores com carisma de vendedor de carro usado da história das comédias apelativas. Quanto ao primeiro filme citado, vinha a confirmar minha teoria de que, depois de E.T., Drew Barrymore nunca mais fez nada que prestasse; regra que ganhou uma recompensadora exceção com Letra e Música, muito mais por Hugh Grant do que por ela.
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Comentários:
ou é um reprimido, que gostaria muito de ser um cara engraçado como adam sendler..
Só para ter o orgulho de protagonizar uma comédia do nível de Como Se Fosse A Primeira Vez, com vômitos de leões-marinhos e outras seqüências super engraçadas.
Um dia eu chego lá.
Cristiano, sobre sua sugestão para que eu cresça, acho que um sinal de maturidade é você saber conviver com as opiniões dos outros. Eu entendo que você goste de um canastrão que sempre opta por filmes apelativos. Você, diferentemente, tira conclusões sobre mim só porque não gosto.
Valeu, Damaceno! Não há quem não dê boas risadas com uns filmes ridículos de vez em quando... Eu particularmente me acabo de rir com Will Ferrell em "Ricky Bobby"... Principalmente quando ele tenta se livrar das chamas imaginárias pedindo ajuda a Jesus, Alá e... Tom Cruise (como profeta da cientologia).
Se você achou que as outras pessoas não foram educadas ao expressar a sua opinião, talvez fosse interessante rever o que no seu texto teria provocado nelas esta reação.
Em tempo: Adam Sandler é, na minha opinião, bastante talentoso e altamente carismático.
Abraços.
Adoro o Adam Sandler, é um exelente ator
e quanto "Como se fosse a primeira vez"
o filme é D+, o problema que vc nao tem senso de humor. Eita carinha mais chato, pior que critico de cinema... e dos mais chato heim.
Obrigado pela visita.
E SE A DREW FOSSE ASSIM TÃO MÁ ATRIZ COMO VOC~E DIZ, COMO ELA GANHOU O GLOBO DE OURO POR GREY GARDENS?
Aliás letra e música ficou fantástico graças mais a ela do que o Hugh..Não é a toa que ele raramente se arrisca a algo além de comédias romãnticas...Te aconselho a ver os extras desse filme. Pq mesmo dizem que a Barrymore é uma atriz de drama íncrivel...Se fosse vc, eu veria mais filmes dela, antes de falar merda ...Pq enquanto vc ta reclamando aqui ela tá arrasando,,, Afinal quem ouviria vc? UM COMPLETO E GRANDE NINGUÉM..SEU FRACASSADO, PQ VC NAO PARA DE TENTAR GANHAR A VIDA COM O SUCESSO DOS OUTROS E TENTA CONSEGUIR O SEU PRÓPRIO:???NOSSA QUE VERGONHA, PELO VISTO TODOS AQUI TEM A MESMA OPINIÃO QUE EU...QUANTO ÁS CRÍTICAS DE ESCRITA ACIMA, NÃO ESTAMOS EM UMA PROVA DE PORTUGUES MEU QUERIDO..
ALIÁS O Q TEM DE MAIS DE USAR INTERNETES NA "INTERNET"?
O fato de eu ser quase um milionário, ter escrito dois best-sellers e de ser um dos caras mais bonitos do planeta não deve contar. Afinal, essas conquistas não chegam aos pés do meu maior mérito: ter um bom gosto do caramba para cinema. Bom gosto, este, jamais maculado pelos pastelões escatológicos do seu amado Sandler.
Ah, e eu não preciso estar numa prova de português para escrever direito. Esse fracasso, certamente, eu não tenho. Aos oito anos, já escrevia melhor que você.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex