09.07.07

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Poema 230, Mexico City Blues, de Jack Kerouac

Jack Kerouac

Paris Review
O que acha de escrever sobre a influência de drogas?

Jack Kerouac
Poema 230, de México City Blues, é um poema escrito puramente sob efeito de morfina. Cada verso deste poema foi escrito após um intervalo de uma hora... doido com uma grande dose de M.

O amor é o cemitério populoso da podridão.
O leite derramado dos heróis.
Destruição de lenços de seda pela tempestade de pó.
Carícia de heróis vendados
presos nos postes.
Vítimas de assassinatos aceitas nesta vida.
Esqueletos trocando dedos e juntas.
A carne trêmula dos elefantes da gentileza
sendo despedaçada pelos abutres.
Concepções de rótulas delicadas.
Medo de ratos espalhando bactérias.
A Fria Esperança da Gólgota pela Esperança do Ouro.
Úmidas folhas de outono contra o casco dos barcos.
As delicadas imagens de cola do cavalo-marinho.
Morte por longa exposição à desonra.
Seres assustadores
encantadores
ocultando seu sexo.
Pedaços da essência de Buda congelados e fatiados microscopicamente
em morgues do norte.
Pômos do pênis a ponto de semear.
Mais gargantas cortadas que grãos de areia.
Como beijar minha gata na barriga.
A suavidade de nossa recompensa.

por Alexandre Carvalho dos Santos 5 comentários - Permalink

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Comentário de: MARIA CLAUDETE ALFARO Email

é o mergulho onírico da não lucidez dentro de si mesmo dentro das outras coisas, independente de estar ligado a morfina ou não... acho que a morfina ou qualquer outro tipo de droga ou bebida é apenas um acessório, pois dentro de cada Ser já existe essa semente semear palavras, abocachar palavras sentimentos do vento, da coisa Vida vibra soma de tudo ao Todo... sendo Kerouac ou não... como estrelas que somos... interdimensionais, fabricamos essas coisas dentro de nós porque já fomos um pouco de tudo neste Universo..

PermalinkPermalink 22.07.07 @ 22:38



Comentário de: Max

A percepção que temos diante do mundo já vem rotulada e desgastada por todos os conceitos já criados e formas de sermos educados, mas acredito que existe portas a serem abertas, acredito que cada droga nos traz a oportunidade de perceber cores,sons,luzes e movimentos diferentes que sem elas não poderia ser percebido...Kerouac escreveu quase todas as suas obras em cima de benzadrina ou morfina, acredito que seu ritmo deve aos efeitos de tais drogas, não acredito que seria a mesma coisa caso ele estivesse de porre ou chapado unicamente de maconha. A experiência de escrever alterado por qualquer droga é para poucos, Kerouac fiz isso como o melhor.

PermalinkPermalink 25.08.07 @ 16:48



Comentário de: Paulo C. Toledo

O talento é natural, não se compra nem se vende, mesmo sob o efeito de alguma droga. As sensações do autor devem ficar otimizadas, alargadas, deformadas, aprofundadas em abismos ou céus..., mas sempre sob o comando daquela sensibilidade do artista, do homem que quer ser, ou é, da exposição ao mundo, da necessidade de dizer a sua sensação, os átomos em aceleração, as moléculas saltitantes, os elétrons em sua dança universal compondo a magnetização da Vida

PermalinkPermalink 06.09.07 @ 19:00



Comentário de: Jonny boy

é simplesmente fazer dos dados nao simplesmente a apariçao que estes dão, fazer transparecer, trascender o dado, o "dito" real.Usando alguma droga, seja lá q. droga for, a vontade de transcender esta imanente, o auxílio de psicotrópicos diz muito do q. se quer dizer, melhor do q. se estivesse "cheio" de coca-col talvez, como raul ja dizia.

PermalinkPermalink 15.01.08 @ 14:30



Comentário de: Reinaldo Cozer · http://www.movimentoculturalpenapolis.blogspot.com


Aqui vai o meu comentário sob o efeito do beijo da Messalina.

Como degustar ou tentar analisar esse poema de Kerouc, vou tentar faze-lo utilizando o invisível instrumento do nosso poderoso inconsciente que às vezes também mente é não precisa ser demente.
Gosto do poema embora uma pergunta insista em me atormentar, será que o bom poema é aquele que temos que ler varias vezes com o Aurélio ao lado para depois dizer novamente Ah! é fantástico. A geração beat americana com esse legado de andarilhos de estrada, resgatando as velhas sandálias de Bashô, me faz lembrar a musica de Bob Dylan, e ai eu acrescento:
Quantos poemas um poeta/ terá que escrever/ para ser considerado Poeta! A resposta vira no vento que passa na estrada deserta.
Para terminar queria ser um Pajé poeta para cheirar com uma vara de bambu uma porção indígena e ficar fora do ar, mas no mar por três dias dentro de um caiaque siux ao lado dos heterônimos de Fernando Pessoa, perguntando a Ricardo, Álvaro e Caeiro se o carnaval cai em fevereiro.
Parabéns pelo blog é muito bom.

PermalinkPermalink 02.07.09 @ 11:28



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