09.07.07
Poema 230, Mexico City Blues, de Jack Kerouac
Paris Review
O que acha de escrever sobre a influência de drogas?
Jack Kerouac
Poema 230, de México City Blues, é um poema escrito puramente sob efeito de morfina. Cada verso deste poema foi escrito após um intervalo de uma hora... doido com uma grande dose de M.
O amor é o cemitério populoso da podridão.
O leite derramado dos heróis.
Destruição de lenços de seda pela tempestade de pó.
Carícia de heróis vendados
presos nos postes.
Vítimas de assassinatos aceitas nesta vida.
Esqueletos trocando dedos e juntas.
A carne trêmula dos elefantes da gentileza
sendo despedaçada pelos abutres.
Concepções de rótulas delicadas.
Medo de ratos espalhando bactérias.
A Fria Esperança da Gólgota pela Esperança do Ouro.
Úmidas folhas de outono contra o casco dos barcos.
As delicadas imagens de cola do cavalo-marinho.
Morte por longa exposição à desonra.
Seres assustadores
encantadores
ocultando seu sexo.
Pedaços da essência de Buda congelados e fatiados microscopicamente
em morgues do norte.
Pômos do pênis a ponto de semear.
Mais gargantas cortadas que grãos de areia.
Como beijar minha gata na barriga.
A suavidade de nossa recompensa.
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/4497 Posts similares:
Projeto de prefácio - Mário Quintana
Medo de não escrever
Vincent Price e Muppets
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
Aqui vai o meu comentário sob o efeito do beijo da Messalina.
Como degustar ou tentar analisar esse poema de Kerouc, vou tentar faze-lo utilizando o invisível instrumento do nosso poderoso inconsciente que às vezes também mente é não precisa ser demente.
Gosto do poema embora uma pergunta insista em me atormentar, será que o bom poema é aquele que temos que ler varias vezes com o Aurélio ao lado para depois dizer novamente Ah! é fantástico. A geração beat americana com esse legado de andarilhos de estrada, resgatando as velhas sandálias de Bashô, me faz lembrar a musica de Bob Dylan, e ai eu acrescento:
Quantos poemas um poeta/ terá que escrever/ para ser considerado Poeta! A resposta vira no vento que passa na estrada deserta.
Para terminar queria ser um Pajé poeta para cheirar com uma vara de bambu uma porção indígena e ficar fora do ar, mas no mar por três dias dentro de um caiaque siux ao lado dos heterônimos de Fernando Pessoa, perguntando a Ricardo, Álvaro e Caeiro se o carnaval cai em fevereiro.
Parabéns pelo blog é muito bom.

Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.