29.06.07
Promoções nos cinemas de São Paulo
Você e sua namorada vão ao Reserva Cultural no sábado e, honesto que é, você nunca aceitou sugestões para falsificar uma carteirinha de estudante, de modo a pagar meia entrada. Parabéns, o Brasil precisa de senadores e deputados que pensem como você. Mas, veja só, assistir a um filme, coisa que você poderia fazer na sua casa, vai lhe custar 36 mangos, porque o ingresso lá custa 18 por cabeça. Se a opção for pela ótima programação do Espaço Unibanco, você vai pagar 32 pelo casal. Se gostar da companhia de adolescentes barulhentos e peruas tagarelas no Kinoplex Itaim, pobre diabo, além de perder o humor, vai deixar 40 reais na bilheteria. Sim, o ingresso lá custa 20 paus. Imagine gastar tudo isso para assistir a Treze Homens e Um Novo Segredo, atualmente em cartaz na sala 5... Masoquismo pouco é bobagem.
Para quem vai ao cinema uma vez por mês, o gasto não é tanto. Mas e se o fulano é desses malucos como eu que acompanham os lançamentos e vão, pelo menos, umas três vezes por semana ao cinema? Façamos as contas, levando em consideração um ingresso de 17 reais (valor cobrado pelo Cine Bombril): três vezes por semana, 51 reais; quatro semanas no mês, 204 reais. Sua cara-metade tem o mesmo pique para cinema que você? Tomara que a pessoa tenha para pagar o dela, ou você desembolsaria 408 reais por mês com essa sua mania de preferir a tela grande à mesmice da TV.
Os exibidores jogam a culpa dos preços altos na massificação da fraude da carteirinha de estudante. Eles precisariam compensar pelos descontos de 50% cedidos para um número cada vez maior de pessoas, já que as faculdades não têm o menor controle sobre a emissão das ditas. Em muitas faculdades, a carteirinha é feita na hora pelo cara do diretório acadêmico, que muitas vezes comanda o processo de documentação no bar mais próximo. Por outro lado, as pessoas que nunca roubaram um picolé se sentem tentadas a cair na fraude porque não têm condições de arcar com entradas beirando os 20 reais. Lembrando que a ida ao cinema ainda envolve, no mínimo, um dinheiro para o estacionamento ou a condução.
Isso para não falar em teatro e shows, com preços direcionados apenas para consumidores A e B. A peça Fica Comigo Esta Noite, que estréia no Teatro Folha, tem ingressos a 70 reais no sábado. Quem teve a má idéia de assistir ao desorganizado show da Lauryn Hill pagou, pelo menos, 200 reais. E a cantora ainda demorou uma hora e meia para entrar no palco (pior para os cariocas, que esperaram três horas).
Pois o Guia da Folha de hoje prestou um grande serviço aos amantes de cinema que sofrem com os preços dos ingressos em São Paulo. Destacou as promoções feitas por algumas salas, com reduções significativas dos preços em determinados dias. Se você tiver tempo para ir ao cinema durante os dias de semana, vale a pena conferir.
Frei Caneca – Sessão Popular
É preciso ficar atento, pois o preço promocional de 5 reais vale para uma sessão específica, que varia a cada semana.
HSBC Belas Artes – Super Segunda
Comece a semana assistindo a um bom filme por apenas 4 reais. Basta apresentar a carteira de trabalho ou um comprovante de autônomo. Vale para qualquer sessão de segunda-feira.
Espaço Unibanco – Quinta Cinematográfica
Durante o mês de julho, os ingressos custarão só 4 reais nas quintas-feiras.
Cinemark – Sessão Desconto
Na sessão das 15h, há sempre uma sala do Cinemark com ingresso a 4 reais, com exceção dos complexos do Boulevard Tatuapé e do Iguatemi, que, a propósito, cobra astronômicos 21 reais pela sessão.
Aplausos também para o Cinesesc, na Augusta, que tem um dos melhores cinemas de São Paulo, com programação diferenciada, e cobra, no máximo, 10 reais pelo ingresso.
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Comentários:
É quase uma carteirinha.
O cine Brasília, onde acontece o Festival de Cinema, é apenas seis reaizinhos. Mas a programação é fraca.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex