28.06.07
Seahorse, de Charles Bukowski
Não, Charles Bukowski está longe de participar de qualquer relação dos maiores poetas dos Estados Unidos, e confesso que já gostei mais de sua prosa escancarada, bêbada e de ressaca. Mas este poema tem uma força rara de imagem e musicalidade, e ao mesmo tempo a precisão dos contos de um de seus ídolos, Papa Hemingway, e aquela ânsia de segurar a primavera entre os dentes que, em seus contos, Bukowski trata com exagero e ironia. Aqui, ele é conciso, forte e perfeito.
Seahorse
I own the ticks on a horse
I own his belly and balls
I own this
the way his eyes roll
the way he eats hay
and shits and
stands up asleep
he is mine
this machine
like a blue train I used to play with
when my hands were smaller and my mind better
I own this horse,
someday I will ride my horse
down all the streets
past the trees we will go
up the mountain
down the valley
* * * *
Desculpe. Traduzi-lo seria um crime. Como em quase todas as traduções de poemas.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex