19.06.07
Paul McCartney faz 65
Paul McCartney soprou velinhas ontem. Fez 65, mas pelo que ouvimos em seus últimos discos, ainda está na casa dos 20, compondo com entusiasmo, soltando a voz em rocks rascantes (Run Devil Run) como os gritos da beatlemania, sendo suave em baladas que ninguém consegue fazer como ele. Ainda não comprei o recém-lançado Memory Almost Full, mas devo reparar esta minha falta o mais rápido possível. Por enquanto, deixo aqui minha homenagem de aniversário ao homem número 1 do pop de todos os tempos.
Chaos and Creation in The Backyard
Minha mulher adora. Quais as possibilidades de, neste mundo regido pelo acaso, encontrar uma moça que, além da beleza e inteligência, faz questão de se sentar nas primeiras fileiras no cinema, é fanática por comida japonesa e gosta de Paul McCartney? A capa do CD é de uma poesia impressionante: a foto do jovem Paul tocando em seu quintal, em meio aos varais, observado secretamente pelo pai, que o fotografa de dentro de casa. É o olhar carinhoso de um pai, no zelo atento e silencioso de um deus.
“For No One”
Eu e meu irmãozinho tocamos a canção ao telefone para minha prima Carol, minha melhor amiga, na manhã de um de seus aniversários. Eu e o Rica tivemos uma banda com um repertório repleto de Beatles e rocks dos anos 50, em versão acelerada.
Top 5 Paul – com os Beatles
- “Here, There and Everywhere” – A balada mais doce do pop.
- “I Saw Her Standing There” – Gritos à Little Richard, um convite à pista de dança, o baixo suingado e contagiante.
- “Paperback Writer” – Ouvi-la é constatar que os Beatles foram os Pelés do pop.
- “She’s Leaving Home” – Impressiona a sofisticação desta composição feita por um gênio que não sabe ler música.
- “Penny Lane” – Xiii, esta devia estar em primeiro lugar...
Invejas
Dos britânicos e americanos, que vira e mexe têm a chance de assistir a um show ao vivo do Macca.
Do meu irmãozinho, que viajou para Liverpool, bebeu no Cavern Club, ouviu histórias da boca de gente que conviveu com Paul... ah, maldito seja!...
Top 5 Paul – solo
- “Junk” (de McCartney) – Imagino que, quando chegamos ao céu, os anjos tocam esta música em suas harpas. Elemento-chave na trilha sonora da peça A Vida é Cheia de Som e Fúria, de Felipe Hirsch, baseada no livro Alta Fidelidade, a canção contribuiu para que a peça fosse muito melhor que o filme. Tocava quando o protagonista mergulhava em suas memórias sentimentais, com lindas projeções de mulheres ao fundo. E pensar que John Lennon a recusara para o repertório dos Beatles, dizendo que era um lixo (“junk”). Bom, foi mais ou menos na época que largou a banda para ficar com a Yoko...
- “Uncle Albert-Admiral Halsey” (de RAM) – Com suas mudanças de andamento, sua alternância entre trechos ternos e animados, teria um lugar de honra em Sgt. Pepper’s.
- “This One” (de Flowers in The Dirt)– Tem o frescor do amor despreocupado, o amor no seu começo, vibrante e sorridente, característico das canções de Paul e de Brian Wilson. É o ponto mais alto de um álbum de grandes composições, como “My Brave Face” e “Put It There”.
- “Heather” (de Driving Rain) – Espantoso, como uma composição tão elaborada, quase toda instrumental, dando ainda maior intensidade aos poucos versos no fim, nasceu para uma mulher que hoje quer revirar os bolsos de Mr. McCartney.
- “Every Night” (de McCartney) – Outro exemplo de como ele continuava afiado logo após o rompimento dos Fab Four.
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Comentários:
Importante registrar que ainda sou caloroso apreciador do No Reply, que de tão bom, até danço.
Realmente é impressionante "Heather", música tão linda,ser para uma mulher que vai arrancar uma fortuna do Maca. Preciso escutar o disco que tem esta música com mais carinho, mas sempre coloco está música direto, que é linda.
Mais um texto lindo! Como o Bé escreeveu, para ser relido sempre. Parabéns Alê!
Para qumm compôs "Yesterday", "Here, There and Everywhere" e outras centenas de obras-primas, não é difícil ser sempre o mesmo.
Sir Paul Mc Cartney já passou à história como o maior e melhor compositor de todos os tempos !
GOD SAVE THE BEATLES !
Paul
Bairro do Campo Belo
S.Paulo
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex