25.05.07

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Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - 40 anos de um esgotamento nervoso

beatles14
Paul e John, como Glenn Gould

O mais importante álbum da história da música pop seria dado ao mundo num mês de maio, há exatos 40 anos. Afetou a sua vida, a minha, que nem era nascido em 1967, e a de Brian Wilson, o gênio criativo dos Beach Boys, que se descobriu incapaz de superar o insuperável.
Reza a lenda que, em meio às composições do que seria sua próxima obra-prima, depois do monolito que fora Pet Sounds, Brian teve um encontro que nunca mais esqueceria. Seria com o amigo Paul McCartney, e este teria lhe mostrado ao piano uma das canções do disco que preparava. Era “She’s Leaving Home”, e o mais brilhante dos irmãos Wilson, como a mãe da canção, repentinamente descobriu que lhe faltava chão sob os pés.

A forma como a revolução de Pepper’s modificou a vida de Brian Wilson lembra os virtuoses do romance O Náufrago, de Thomas Bernhard. Eram dois gênios do piano, que tiveram a desgraça de estudar com o mestre Horowitz. Não pela oportunidade das aulas, mas porque, esperando a vez em uma audição, os dois descobriram que nunca seriam os melhores na arte em que se julgavam escolhidos das musas. Ouviram outro aluno de Horowitz, o pianista Glenn Gould, interpretar as “Variações Goldberg”, de Bach, e renasceram impotentes diante de um autêntico gênio. Como prosseguir depois?
O narrador, um dos náufragos desse encontro de titãs, sugere a resposta: “Não há nada mais medonho que ver uma pessoa tão grandiosa que sua grandiosidade nos aniquila”. Os dois amigos abandonariam o piano, num suicídio simbólico de homens para quem o piano era oxigênio e auto-afirmação.
A imagem de Brian Wilson em concertos dos Beach Boys nos anos 70, ausente, apagado, fazendo figuração num espetáculo que tanto dependia de sua inspiração, mostra um pouco do que restara ao músico americano do choque com o amigo de Liverpool. As drogas, a obesidade, só lhe sobraria a abstração. Do lado de Paul, a grandeza do maior talento do pop-rock, humilde apontando “God Only Knows”, de Brian, como a canção mais linda que já ouvira.
E naquela época, ao seu lado, ainda havia John, George e Ringo, que com Sgt. Peppers subiram mais um degrau em sua escada para a eternidade. Além de Pelés do pop, alcançaram o status de artistas revolucionários. Fizeram com que o nome Beatles se tornasse um fenômeno de vendas e de criatividade, e que a parceria Lennon-McCartney virasse sinônimo de magnetismo e brilho. A face sem mácula dos insuperáveis.

Brian com Mike Love
Brian (à esquerda) com Mike Love: náufrago

por Alexandre Carvalho dos Santos 6 comentários - Permalink


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Comentários:


Comentário de: pedro Email

muito radical. acho muito forte delimitar o início de uma "decadência" a partir do lançamento de um disco ou de uma música. Os beach boys lançaram otimos albuns durante a decada de 70 com a contribuição do Brian Wilson. The Beach Boys Love You, de 77, está entre os melhores da banda e seria lançado inicialmente como um album solo do Brian Wilson. O smile era um projeto que já estava pronto em maio de 67, mas não foi lançado porque seria impossivel Brian Wilson aplicar a tecnica de gravação usada em Good Vibrations a um disco de 16 faixas, por causa de certos abusos por parte de Wilson e, claro, por parte de Mike Love, o eterno Beach Boy.

PermalinkPermalink 27.05.07 @ 00:26



Comentário de: Alexandre Carvalho dos Santos Email · http://www.interney.net/blogs/rolleiflex/

Pedro, obrigado pelo comentário.

Realmente, os Beach Boys lançaram ótimos álbuns nos 70. Gosto muito do Surf's Up, que tem uma das músicas mais lindas do Brian Wilson: "Till I Die". Mas a contribuição dele se restringe a duas canções neste álbum, se não me falha a memória, diferentemente do que acontecia nos álbuns dos 60, quando ele era o maestro da banda. Os Beach Boys dos 70 são muito bons, mas distantes do brilho que a banda exibia em Today (genial, tem "Please Let Me Wonder"), para não falar de Pet Sounds. É claro que Sgt. Pepper's não foi o único responsável pela queda de Brian Wilson. Ele, que sempre teve um equilíbrio psicológico delicado, estava mergulhado nas drogas, tinha desistido de sair em turnê com o resto da banda... Mas é fato histórico que o lançamento mais importante daquele radiante ano de 1967 rompeu o dique emocional do gênio da praia.

Abração.

PermalinkPermalink 27.05.07 @ 21:06



Comentário de: Suely Souza Email · http://PRIMEIRA GRANDE VIRADA CULTURAL

Hoje é uma das datas mais importantes de minha vida, pois há 40 anos atrás ouvi pela primeira vez Sgt Peppers e aqui no Brasil. Tinha 12 anos de idade.
Dito assim, a impressão que dá é de uma mera criança ouvindo algo sem entender quase nada do que diziam. E é verdade, deu muito trabalho copiar na loja todas as letras que estavam naquele disco e ainda apressadamente, pois o cara da loja já estava esgotado com aquela pentelhação toda. Muita gente ouvindo, copiando e quase ninguém comprando, loja de periferia, gente pobre, o que ele queria? Mesmo assim teve seu lucrinho.
Alterava o caminho da escola, só para dar uma bicada na loja, que tocava direto esse disco.
Eu pensava que nunca teria dinheiro para compra esse disco, já era muito difícil comprar um compacto quem diria então um Long-Play, e satisfazia-me em ouvir no rádio, Stop Car (Posto de Gasolina) que entrávamos e ficávamos horas só com uma garrafinha de coca-cola só para ouvirmos músicas, também sempre tinha uma festinha aqui ou ali onde alguém mais afortunado tinha o Sgt Pepeers.
Como disse, tinha 12 anos e quase 4 meses de idade, só que aos 14 anos já estava fazendo uns trabalhinhos para o Partido Comunista Brasileiro.
Sobrevivi e estou aqui com um Long-Play e um CD dele. Continuo pobre, sou honesta e lutei muito para que tudo isto fosse possível. Estou dando-me até ao luxo de sentar aqui no meu Alex, no aconchego do meu lar escrevendo para a primeira coisa interessante que apareceu quando escrevi o nome do sargento no google.
Esclarecendo que o Alex, (mania adquirida de chamar assim toda maquina masculina), depois que assisti o Laranja Mecânica, com bolinhas da censura que só atrapalhavam a visão.
Valeu!
01 de junho de 2007
Tashi Delek! (Paz para Todos! em Tibetano). Su

PermalinkPermalink 01.06.07 @ 23:42



Comentário de: Celso

"Se não existisse o Pet Sound não existiria o Sgt Peppers" Palavras de George Martin, produtor dos Beatles.
Vanguarda é o Pet, sgt é uma continuação. E o Smile de 2004, oque seria lançado em 1967, põe o SGT no bolso.

PermalinkPermalink 26.01.08 @ 00:25



Comentário de: Deyvid Livrini

Pet Sounds é ótimo. Mas Sgt. peppers é espetacular. Mas Revolver, dos Beatles é melhor que os dois...

PermalinkPermalink 14.06.08 @ 14:14



Comentário de: Ubiratan Bandeira · http://dolphinscommunications.com

Vivi muito bem a época em que Sgt. Pepper's Foi lançado (1967). Eu curtia muito os "Beach Boys". "Pet Sounds" é muito bom, mas Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band fez a atmosfera a nossa volta "ferver". Quando eu ouvi o "bolachão" pela primeira vez, confesso que fiquei completamente inerte, algo novo estava acontecendo. Era uma explosão de sons em minha mente (os acordes de "A Day In The Life"). Estava viajando ao "away". Era algo realmente revolucionário. Para mim, aada que havia sido produzido atá aquele momento era pareceido com Sgt. Pepper's. O disco era muito sofisticado para a época. Não estou em hipótese alguma tirando o mérito dos "Beach Boys". Brian Wilson é excelente, mas Paul McCartney e John Lennon eram superiores naquele momento.
Big Boy, o maior DJ que já se teve notícia disse uma vez em seu programa da extinta Rádio Mundial do Rio de janeiro: "Sgt. Pepper's é um divisor de águas entre o presente e o passado. A música pop nunca mais será a mesma. Os "roqueirozinhos" vão desaparecerter ou terão que mudar de profissão." Nessa época eu tinha apenas 15 anos de idade e estava fazendo um estágio na referida Emissora de rádio. Foi Big Boy que me mostrou tudo o que sei sobre os Beatles.

PermalinkPermalink 10.12.08 @ 11:04



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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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