03.05.07
Virada Cultural – Cinema
Quando eu for o rei do mundo, cidades inquietas como São Paulo terão sessões de cinema na madrugada, os bairros boêmios permitirão que seus bares funcionem 24 horas, e poderemos jantar no nosso restaurante preferido às 4 da manhã. Enquanto esse idílio dos notívagos não acontece, esperamos por maio, quando se dá esta ótima iniciativa que é a Virada Cultural.
Já estamos na terceira edição da maratona, que neste ano será realizada nos dias 5 e 6 de maio (sábado e domingo agora). Música, teatro, cinema, dança, literatura e exposições invadirão o silêncio da madrugada em diferentes pontos da cidade, e o sucesso de público das edições anteriores prova que São Paulo tem, sim, gente desperta e ansiosa por cultura após a meia-noite.
A Virada é inspirada nas Noites Brancas da Europa, quando atrações culturais enchem de entusiasmo as ruas de Paris, Madri, Bruxelas e Roma, que nessas ocasiões mantêm seus grandiosos museus abertos ao longo da madrugada.
O cinema também fará a festa na Virada, com excelentes opções.
A Sala Cinemateca exibirá uma seqüência dedicada ao produtor e cineasta maldito Ozualdo Candeias, que morreu em fevereiro deste ano. Serão filmes representativos de sua carreira, e documentários sobre sua obra e sobre a Boca do Lixo, da qual foi expoente. Confira a programação:
Sábado, dia 5
18h – A Margem (1967)
Madrugada do sábado para o domingo, a partir das 2h
- Polícia Feminina (1960)
- Rodovias (1962)
- O Acordo (1968)
- Zézero (1974)
- A Boca do Cinema Paulista (1982), de Antonio F. de Souza, teve Candeias no roteiro, fotografia e montagem.
A partir das 4h
- Senhor Pauer (1988)
- A Herança (1971)
A partir das 6h
- Uma Rua Chamada Triumpho (1969/1970)
- Uma Rua Chamada Triumpho (1970/1971)
- As Bellas da Billings (1987)
A partir das 8h
- Candeias: Da Boca Para Fora (2002), documentário de Celso Gonçalves.
- Boca Aberta (1985), de Rubens Xavier
- O Desconhecido (1972)
A partir das 10h
- Cinemateca Brasileira (1993)
- O Vigilante (1992)
A partir do meio-dia
- Tambaú, Cidade dos Milagres (1955)
- O Despertar da Besta (1970), de José Mojica Marins, teve Candeias como ator.
* * *
Nouvelle Vague

Henri Langlois, programador da Cinemateca Francesa
Já a partir das 16h30, a Cinemateca reserva pérolas para os amantes da época de ouro do cinema francês. Cidadão Langlois (1994), de Edgardo Cozarinsky, é um documentário sobre a memória personificada da sétima arte: Henri Langlois, criador e programador da Cinemateca Francesa. O filme traz depoimentos de François Truffaut, Alfred Hitchcock, Jean-Luc Godard e Eric Rohmer, entre outros.
Já A Nouvelle Vague Por Ela Mesma (1995), de Robert Valley e André Labarthé, narra a trajetória dessa onda revolucionária criada por jovens franceses, o entusiasmo de seus primeiros filmes, o sucesso em Cannes, e o espírito de ruptura do movimento.
Todos os filmes na Cinemateca terão entrada franca.
* * *
O Cinesesc também reserva atrações diferentes para a Virada. A partir da meia-noite, a melhor sala de São Paulo exibirá três filmes, e os intervalos serão musicais, embalados pelo trombonista Bocato, o tecladista Bruno Alves e o baixista Meno Del Picchia.
Os filmes:
0h – Transylvania (2006), de Tony Gatlif.
2h – Baixio das Bestas (2006), de Cláudio Assis.
4h – Além do Desejo (2006), de Pernille Fischer Cristesen.
Preço por sessão no Cinesesc: 10 mangos. Pacote para os três filmes: 25 pilas.
* * *
Shows
Serão tantos shows, em tantos lugares diferentes, que fica até complicado escolher ao que assistir. Minha dica: uma seqüência da pesada no Palco Boulevard São João / Anhangabaú:
22h – Sérgio Dias.
0h – Clube do Balanço convida Erasmo Carlos
2h – Ed Motta
4h – Gerson King Combo
No domingo, às 16h, nesse mesmo palco, Moraes Moreira contará com a guitarra de Armandinho para recriar as canções de seu disco clássico, Cara e Coração, de 1977. Desse disco, não saem de minha cabeça os versos “Mamãe, eu não quero / trabalhar de sol a sol / Quero ser cantor de rádio / jogador de futebol.”
Curioso será o show de André Abujamra, acompanhado de sete instrumentistas, dedicado ao repertório do maestro mais kitsch de todos os tempos: Ray Conniff (ídolo do pai de todo mundo). Será no Sesc Pompéia, 1h45, na madrugada de sábado para o domingo.
Mais informações sobre essa Noite Branca paulistana: Virada Cultural
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex