24.04.07
Juliana, 27 anos hoje
Faz três anos já, mas foi ontem também, e sei que será amanhã. Abriu os braços do alto de uma duna de Itaúnas, correu em minha direção e me transformou em outro. Trouxe naquele abraço todas as memórias, todas as felicidades por que passei.
Quando Juliana deita em meu ombro, de olhos fechados repouso minha cabeça sobre o colo de meu pai, e assistimos aos filmes na TV e lemos os jornais juntos. Ele comenta a coluna do Francis; eu tenho saudade e sou feliz.
Juliana me beija o rosto, e é meu pai que tira as rodinhas de segurança de minha bicicleta; diz-me num gesto que sou capaz de tudo. Ninguém, nunca, me olhará de cima.
Quando Juliana me abraça, no sorriso aberto de me ver chegar, repouso de novo nos braços de minha mãe, minha fortaleza, o abrigo de afeto e dedicação que nem a escuridão, nem a vida adulta ameaçariam.
Janto com ela, e vem-me à boca o vatapá paulista de minha avó, suas cocadas, ouço as risadas de minha tia Inês, brinco com os primos, aprecio meus pratos preferidos uma segunda vez, e sou feliz.
Ela tem, em seu amor, todas as minhas felicidades, todos os meus melhores momentos, tudo o que dá sentido aos meus esforços e meus sonhos de grandeza. Ela é um reflexo solar das pessoas que amei, dos dias em que fui melhor do que sou, e o presságio de novos registros, epifanias que nascem quando ela abre os olhos de manhã, e sua voz me ensurdece para as buzinas e as lamentações. Ao andar, cega-me para o que a vida tem de sordidez e impermanência.
Tem agora todos os meus dias, e eu me ocuparei de que veja graça neste conjunto torto. Pois ela está no alto de uma duna em Itaúnas, de braços abertos, e esperou até hoje pela resposta a esse abraço. Deu-me outra vida, e espera.
Hoje é seu aniversário, mas empresta a data para que eu renasça.
Um beijo.
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Viva a Juju
Da próxima vez que tivermos negociação com o inimigo eu mando você, assim enquanto você fica dizendo coisas lindas no ouvido de um vietcong maldito ou de algum comunista pinguço, eu encho a cara deles de chumbo há!, há!, há!
Vou te falar, essa tropa está indo pro buraco: o Cel.Massachusetts casado e domesticado, o cabo indo pelo mesmo caminho, o recruta Depilady sem comentários.
Ainda bem que existe o Sgt. Mad Dog!
The Last Man Stand
Uma declaração de quem está verdadeiramente encantado, maravilhado, enlevado. Mais do que um texto bem escrito e inspirado, é um texto inspirador e exemplar, pois nos coloca diante de uma condição afetiva admirável, dificilmente vista hoje em dia e que, por mais que se tente suprimi-la - por meio de uma vulgarização dos sentimentos e banalização das relações, inclusive sexuais - há de se manter acesa!
Não o conheço, Alexandre - a não ser por um rápido encontro ocorrido ano passado, numa feira do CIEE, sobre carreiras profissionais, evento que contou com a palestra do Cléber Eduardo e no qual a Paisà estava presente. Até chegamos a trocar algumas palvras no seu estande quando retirei um convite duplo para uma sessão de algum filme, não me lembro qual...
Enfim, o que importa aqui é a sua declaração! E com certeza, aquela a quem a mensagem se destina terá ainda mais motivos para abrir-lhe os braços em Itaúnas!
Um abraço...não aberto como o da Ju, né!!!rs
Tenho formação superior com especializações diversas e mestrado, estudei no exterior, trabalhei nas maiores e melhores empresas, aqui e em outros países.
Ganhei mais do que eu consegui gastar mas menos do que eu merecí, portanto, consegui um grande sucesso na sociedade, que infelizmente é muito mais medido pelo sucesso profissional e financeiro do que pelo sucesso no aspecto pessoal, nas pretensões de vida e nos sonhos.
Realizei muito deles, alguns bem ambiciosos, outros mais básicos. Mas deixei alguns para trás.
Como todo mundo, ganhei e perdi, sofri e tive grandes satisfações, aprendi e ensinei, me emocionei e provoquei emoções, amei e fui amado. Fui feliz e infeliz.
Mas o melhor que a minha experiência e idade têm me dado é a capacidade adaptativa, a capacidade de revisar, mudar, reescrever. Reavaliar. Mudar conceitos. Aceitar mais e ser mais tolerante.
Experimentar coisas antes imediatamente recusadas, ser menos racional, olhar para o que antes desprezava ou julgava desprezível, ver tudo com novos olhos e sob novas perspectivas. Buscar prazer nas coisas simples e nas que nos cercam.
Aprendi a acreditar mais nas pessoas e nos valores tradicionais. Não mais desprezo religiões, convicções das pessoas, crenças diversas. Nem as pessoas que são diferentes de mim e principalmente, aquelas que não tem a mesma opinião que eu tenho.
Aliás, passei a ter menos opiniões e a ser mais flexível. Por força de minha educação cartesiana e da prática profissional, ainda continuo muito analítico, só que agora sem o ranço, o pré-conceito, os dogmas estabelecidos ou o pragmatismo que utilizava sempre com sucesso em minhas análises e opiniões anteriores.
Talvez tudo isto seja sinal que não somos mais os mesmos, mas com certeza é um claro indicativo de que não melhoramos nem pioramos, apenas mudamos. E isto tem sido bom.
Durante toda minha vida, fui guiado apenas por um princípio muito simples, ensinado pelo meu pai, que era humanista : "Ande sempre do lado da verdade, faça da verdade a sua maior aliada".
Deu certo.
Não sei qual a sua idade, meu caro Alexandre, mas quero lhe agradecer pela profundidade da sua simplicidade, por dizer coisas tão incríveis com palavras e formas tão simples. E puras !
Já vivi todo tipo de experiência, já estive em todos os lugares, já me deparei com todas as situações, conheço muito de poucos e pouco de muitos. Já lí de tudo, de todos os autores. E agradeço por ser ainda capaz de me emocionar com textos como este.
Muitos dizem que a força do amor é desconhecida. Com certeza ! Assim como a força do caráter e da verdade.
Muito obrigado por este texto tão forte em caráter quanto em verdade...
No fundo, no fundo, aprendi que tudo o que nós buscamos é uma coisa tão simples e tão inatingível, tão conhecida e tão complexa : a felicidade. Na realidade, o que é maravilhoso na vida não é a felicidade em sí como objetivo final, mas a incessante e permanente busca dela.
Grande abraço,
Paulo S. Gonçalves
A vocês dois desejo muitas felicidades de sucesso.
Um Grande abraço de um desconhecido e fica com Deus.
Fala para a Falcon abrir os olhos de águia senão esses teus fãs acabam se revelando.
Respeito seus sentimentos e a cara de pau de assumir essas coisas (concordo também são um excelente material para abater futuras presas que eu espero pôr em prática em breve), mas "lágrimas nos olhos" no rosto de soldado?
Soldado só chora quando a guerra acaba.
Ordinário, marche!
Sgt. Mad Dog
Don´t cry for me Argentina(Malvinas/82)
Thiago, 22 anos e contando...
obrigado!
forte abraço e parabens!
(parabens ju! ^^)
Que sorte maravilhosa!
Continue com o bom proveito de algo tão valioso!
Espero que perdure, de verdade.
Fazer parte destas lembranças, que lhe fazem tão bem, que Juliana traz á superficie de sua sensibilidade é arrepiante; conheço a musa e o poeta, amo muito aos dois e sei que se merecem e faço votos para que sejam sempre muito felizes.
Parabéns Juju
Peço licença ao Paulo Gonçalves, que fez um comentário para ficar tão maravilhado, quanto o texto em si já nos deixou.
Alexandre,
Se pudesse ter 1 trilionésimo da inspiração que vc teve, para honrar-nos com sua total e pura capacidade de expressar o que qualquer um de nós homens, em toda a existência da raça humana, jamais teve a capacidade de expor em tão simples e privilegiadas palavras. De forma que eu, diante da minha perplexidade em reconhecer que nunca pude exprimir isso diante de uma mulher que fosse dar esse sentido ao meu sentimento. Posso apenas pedir aos céus que mantenham essa imagem imaculada do amor que reconhecidamente faz qualquer um de nós que tenha sangue correndo nas veias e um coração que se emociona, estarmos sim agora procurando as palavras para serem colocadas de forma a dar sentido aos sentimentos que vc despertou. Amar com essa superlatividade da palavra, eu nunca tinha visto assim, obrigado por permitir acreditar que ele (o amor) existiu um dia da maneira como você o viveu tão intensamente.

Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.