07.04.07
Uma noite na terra do amor
Um banho longo na manhã de sábado de aleluia, uma ducha quente e revigorante. Hoje é noite de banquete japonês na casa de minha prima cozinheira Carol, e é preciso estar atento e forte, pois será inesquecível; a guria é um samurai da arte de receber. Mas para chegar lá, passei por uma preparação sensorial.
Na quinta, voltei ao Exquisito!, bar na Bela Cintra, saborear tacos na companhia de caipirinhas de rum. Taí um local repleto de misturas. Tem um lado cubano, de ótimos mojitos (o melhor é o do Azucar, não tem jeito), que combina bem com os petiscos mexicanos do cardápio e a brasilidade de sua parede de lambe-lambe, oposta ao grande painel que homenageia o filme Bye Bye Brasil. Ah, e as cervejas são uruguaias. Sobre este bar, escrevi uma crônica, na verdade um “making of” da reportagem que fiz ao lado do artista plástico e escritor Bento Moura para a Paisà, e que você pode conferir aqui.
Já na sexta, a fim de novidades, eu e a moça mais linda do mundo fomos conhecer o Loveland, um bar aberto ao lado do club Lov.e, que pode servir tanto para um esquenta a quem pretende cair na tecneira quanto para quem prefere curtir o bar mesmo, porque o local tem vida própria e inspiradora.
Parece um cabaré parisiense, com tons avermelhados em seus veludos, muitos espelhos cheios de breves promessas, um grande balcão e um palco onde vi órgão, guitarra e bateria. A decoração remete aos prazeres de alcova, e tudo aponta para uma trilha sonora de Serge Gainsbourg ou do easy listening dos filmes da extinta Sala Especial, mas quem dá as cartas por lá é a música brasileira, com petardos de João Donato, Tom Jobim e outros bambas, numa seleção que foge às obviedades. Lá pelas tantas, os instrumentos no palco são ocupados por um trio fera no jazz, um som vibrante, que não deixa a peteca cair para quem vai ao bar à procura de emoções fortes. Sexo e boa música, inferninho ou paraíso?
Este lado Brasil, invasor do cabaré francês, se revela também no cardápio, em que predominam os petiscos de boteco: coxinha creme, pastéis, bolinho de arroz. Após insistir inutilmente em começar pelo bolinho de arroz, uma obsessão minha, aceitei a escolha da moça mais linda do mundo por uma porção de iscas de filé mignon (não se ignoram os desejos de tal beleza), e foi com enorme prazer que logo concordei que a opção tinha sido das mais felizes. A porção inclui molhos de mostarda e gorgonzola, e a carne vem muito bem temperada, o que nem sempre é fácil de encontrar em propostas semelhantes. O segundo prato foi escolha minha: um caldinho de feijão. Escolha infeliz. Embora o toucinho que acompanhava estivesse sequinho e crocante, o caldo em si estava ralo e com tempero insuficiente. Foi a única contrariedade de uma noite muito agradável, de ótima música, ambiente estimulante e bebida de primeira. Ah, sim, a bebida. Fui de manhattan (impecável), seguido de whiskey sour (a primeira dose estava um tantinho doce demais, as outras deviam estar perfeitas). A moça foi de Red Label, água e sorrisos.
No fim, ainda descobri que havia uma mesa de sinuca ao fundo, mas era tarde, e o dia seguinte (hoje) seria, será de banquete japonês. Carol me adiantou o cardápio: salada de pepino e lula, tartar de salmão sobre folha de acelga, sushi de camarão empanado, niguiri com o melhor peixe branco que ela encontrar no Ceagesp, atum grelhado com molho tarê, gohan e vagem, guiozas e o que ela decidir inventar na hora. E já mandou encomendar as garrafas de sake.
Fico no banho mais quinze minutos. Que o domingo de Páscoa seja longo.
* * *
Para os básicos, o Loveland também tem cerveja de garrafa. Custa 7 reais, um preço alto se você pensar que não dá para tomar só uma, o cinto está apertado e o bolso furado, mas razoável se você concluir que é um bar chique, e que os ditos alternativos da Vila Madalena andam cobrando 6 pilas numa Bohemia.
Vale a visita: Rua Pequetita, 205.
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Comentários:
Saiba que nehum membro dos Sex Shop Boys permitirá que vc desdenhe da patente de um dos nossos soldados. Recomendo que vc não saia na rua sem escolta. E sempre olhe para trás, porque terei muito trabalho para manter o cão de guerra na caserna depois desse vosso comentário. Seu parentesco com um de meus comandados não será de grande valia.
Saudações.
E show us some respect!
Os Sex Shop Boys conqusitam mais essa area!
SE liga taifeira Carol, faca boa? Vc não sabe o que é faca!
Aqui nas selvas do Vietam naõ tem microcomputador, nem net, por isso as resposts demoram
MAd Dog VIVIE!!!
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex