31.03.07
Livros de março
Se me perguntassem, eu responderia: a passar minhas horas vendo filme o dia inteiro, preferiria uma eternidade com os livros. Neste mês, li só quatro, um por semana, encaixando capítulos em meus raros tempos livres. Dias melhores virão.
Ela - Rubem Fonseca
Já li tudo dele. Desde Agosto, não encontro nada com o impacto de O Cobrador e Feliz Ano Novo. Os contos de Ela são mais curtos que os da produção habitual de Fonseca, o que apenas faz com que a leitura seja mais rápida. O cardápio fonsequiano ainda está lá: assassinatos de encomenda, mulheres com um segredo terrível, perversão sexual, misantropia. Mas a tentativa de dar novo brilho ao estilo brutalista do autor não chega muito longe. Com o mesmo material, Fonseca já produziu trabalhos muito melhores, que justificam sua reputação de grande contista. Para quem não conhece a obra, melhor começar pelos livros dos anos 60 e 70, de socos na cara como "Lúcia McCartney". Para quem conhece, só vale a pena se, como eu, quiser completar a coleção.
Minhas Mulheres e Meus Homens - Mario Prata
Cada verbete é um "causo" de Prata envolvendo um parente, um amigo ou conhecido. Muitos desses personagens são famosos, como Chico Buarque, Adolpho Bloch, Caetano Veloso, entre outros. O livro é divertidíssimo, às vezes emocionante, e Prata consegue dar graça a cada situação, buscando o melhor de seus personagens. E não tem medo de revelações. Conta, por exemplo, que deixou Danuza Leão a pé no meio de um deserto nos Estados Unidos porque, no caminho, seu intestino entrou em colapso nervoso e urgente. Bebedeiras e fumaceiras também são lembradas sem constrangimentos. Leitura leve e agradável, perfeita para um final de semana na praia (reli o livro em Cambury, há duas semanas).
Confesso Que Bebi - Jaguar
São as revelações das "memórias de um amnésico alcoólico" que já fez calo no cotovelo de tanto freqüentar os melhores e os piores botecos do Rio de Janeiro. Cada capítulo é dedicado a um desses templos da reflexão, com a descrição de seus melhores petiscos, bebidas e personagens. Com um humor inteligente e direto, Jaguar conta, por exemplo, que Tom Jobim receitava o uso de óculos escuros para despistar os chatos de bar, aqueles que se sentam à mesa e querem lhe contar a vida ou vender um poema. O chato precisaria da atenção completa do interlocutor, a certeza de que seus olhos se fixam em sua malfadada história. Outro bom relato é o de como Ary Barroso teria salvado o tradicional Bar Luiz da destruição completa por um grupo chefiado por João Saldanha, na época da guerra mundial (o bar serve comida alemã de primeira qualidade e, na época, se chamava Bar Adolph, xará do führer). Os verbetes são de morrer de rir, e de vontade de comer jiló frito em pé-sujo escondido de Vila Isabel.
Guerra Conjugal - Dalton Trevisan
Neste livro de contos curtos, Trevisan não deixa pedra sobre pedra na já alquebrada tradição do casamento. São casais de remediados sempre às turras, com sonhos de uma vida e um companheiro melhores. O que não falta é adultério à luz do dia, homens sem orgulho e mulheres a misturar vidro moído no feijão. Os nomes dos personagens são sempre os mesmos, João e Maria, confirmando que pouco muda na vida conjugal: um começo cheio de expectativas e receios é sucedido pela desilusão, a raiva e a indiferença. Esta falta de variação contamina também a impressão com a leitura, que em certo ponto repete a monotonia que Trevisan tanto aponta na vida a dois.
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Comentários:
Seu metido de uma figa!
Vá lamber sabão!
A menina te mandou lamber sabão! Como castigo, dê a ela o seu "On the road". Assim vc se livra desse livro chato e dessa chata de uma vez só.
Abs
Mario.
Come ananás, mastiga perdiz e sushi.
Tua hora está prestes.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex