13.03.07

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A voz da crítica independente

Ontem assisti no Cinesesc à entrega do I Prêmio Jairo Ferreira, uma iniciativa dos críticos de cinema das revistas Paisà e Teorema (impressas), Contracampo, Cinética e Cinequanon (eletrônicas). Esta premiação dá voz a apaixonados pelo cinema que exercem hoje o que alguns deles chamam de crítica independente, sem vínculo com grandes jornais e editoras. Às vezes sem grana também, infelizmente.

É gente que ou coloca a mão no bolso no desafio de arcar com as dores de cabeça de uma revista que vai às bancas, com pouco ou nenhum patrocínio, ou aproveita a flexibilidade da internet para analisar filmes com a constância e o espaço que não encontra nos grandes veículos.

Apesar dessa impressão de primo pobre da crítica, o trabalho consistente desse pessoal, amigos de bar e de horas e horas nas filas e debates das mostras, tem sido cada vez mais reconhecido e valorizado. Inácio Araujo, da Folha, um dos maiores críticos de cinema do Brasil, é fã dos textos de muitos dos “independentes” e até já contribuiu com um ensaio para a Revista Paisà. Outro exemplo de reconhecimento: os presentes ao evento de ontem assistiram à primeiríssima exibição do novo filme de Beto Brant, Cão Sem Dono, com estréia prevista apenas para maio em Porto Alegre, e junho em Sampa e no Rio.

Acompanhado no evento pelo escritor e roteirista Marçal Aquino e pelos atores principais do filme, Beto Brant afirmou que o filme acabara de chegar da pós-produção, e que nem a equipe o havia visto pronto.

Mas vamos aos premiados da noite.

- Melhor filme em circuito em 2006 – Amantes Constantes, de Philippe Garrel.
- Melhor filme brasileiro – Serras da Desordem, de Andrea Tonacci.
- Melhor lançamento em DVD – Terra em Transe, de Glauber Rocha, em edição restaurada lançada pela Versátil.
- Melhor mostra de cinema – Agnes Varda: O Movimento Perpétuo do Olhar (CCBB-SP, e CCBB-DF e Odeon BR-RJ).

* * *

O nome do prêmio é uma homenagem ao inquieto crítico de cinema Jairo Ferreira, falecido recentemente. Logo no começo do evento, assistimos a um curta escrito e dirigido por Jairo, que tinha, veja só, Inácio Araujo na montagem e Carlos Reichenbach na fotografia. O Guru e Os Guris é um exercício anárquico e inventivo de imagens e sons que se encontram e se separam; um tributo ao cineclubismo representado pela figura frenética de Maurice Legeard, diretor do Clube de Cinema de Santos.
Nada mais apropriado para o evento de um grupo movido pela paixão pelos filmes, o espírito cinéfilo que Os Sonhadores de Bertolucci tentou celebrar, sem tanto êxito assim.

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Alexandre Carvalho dos Santos Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável. No Twitter: @AlexRolleiflex

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