25.02.07
O melhor filme do ano?
Quem vai ganhar o Oscar esta noite? Quem se importa? Os concorrentes, é claro, visando a cachês mais gordos no futuro, e uma ou outra patota, formada às vésperas. No ano passado, a torcida organizada do Brokeback tinha todos os bons motivos para torcer: um reconhecimento aberto à diversidade, homoerotismo grelando na mais viril das tradições do cinema norte-americano. “Ao criar os homens, agradou-lhe (à natureza) diferenciar seus gostos como seus rostos, e não devemos nos espantar mais com a diversidade que ela pôs em nossos traços do que com a que pôs em nossas afeições”, diria o Dolmancé, de “A Filosofia na Alcova”. Um libertino, como o autor, responderia a América Profunda, orgulhosa de John Wayne, enquanto seus casais de irmãos geram retardados membros da KKK.
Dá para entender que se aponte um ator como Philip Seymour Hoffman como intérprete do ano, ainda que num filme de segunda, como “Capote”, mas dizer que o melhor diretor foi Ang Lee, enquanto o melhor filme não foi o dele? Não dá para levar a sério. Lembra-se da cara do taiwanês quando anunciaram a premiação de “Crash”? Deu dó.
Pena que o Borat não tenha aceitado ser um dos apresentadores da noite. Seria a pessoa mais indicada.
“Cartas de Iwo Jima” é um filme muito bom, tem elenco afinado, não toma partido senão da tolerância, e ainda tem o mérito de não forçar a barra no final para conseguir umas lágrimas aqui e ali, diferentemente de outros longas superestimados de Clint Eastwood. É o melhor filme entre os concorrentes, mas não tem a grandeza de “Os Imperdoáveis”, não estimula tanto fervor na sua torcida. E se ganhar será surpresa, porque americano não gosta de ler legenda, e o filme não teve o retorno de público que se esperava nos States.
“Os Infiltrados” tem o trunfo de dar à academia a oportunidade de reparar uma injustiça histórica. Mas seria justiça Scorsese ser premiado por um filme que não está à altura de “Touro Indomável”, “Táxi Driver”, “Os Bons Companheiros” e “Cabo do Medo”?
Justiça, embora o Oscar não tenha muito a ver com isso, seria chamá-lo ao palco e lhe dar um prêmio por cada um desses filmes. Mas “Os Infiltrados”?... É bom, claro, mas “Cartas” é bem melhor.
Especialistas apostam em “Pequena Miss Sunshine”. Se levar, logo no ano posterior à premiação de “Crash”, é porque os votantes da academia estão querendo que o público finalmente entenda o Oscar como ele é: uma frivolidade cheia de charme e de gafes, uma dúzia de piadas boas e outras tantas infelizes, momentos de emoção, geralmente envolvendo um octogenário, mulheres deslumbrantes em vestidos espalhafatosos, alguém comentando a ausência de Woody Allen, que estaria tocando jazz de Nova Orleans em algum club do outro lado do país, e, é claro, toda a ironia da festa concentrada no sorriso de Jack Nicholson, de óculos escuros, na primeira fila.
“Pequena Miss Sunshine” é engraçado e simpático. Mas melhor filme do ano? Não dá para levar a sério.
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Comentários:
Quanto ao Oscar, pra ser bem sincero, nem vi... quem ganhou? Rs...
Abraços,
do Alessandro.
Ah, "Os Infiltrados" ganhou o Oscar.
Grande abraço.
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Alexandre Carvalho dos Santos já quis ser grande: um homem da Renascença, um herói existencialista, o poeta do derradeiro poema, do poema da redenção, do gol de bicicleta, do filme que explicará tudo. Conformou-se com uma rede em Itaúnas, os desassossegos de Pessoa e uma última sessão de cinema, sempre nas primeiras fileiras. Mas escreve, porque é inevitável.
No Twitter: @AlexRolleiflex