Roda Presa

Roda Presa

Mar 18
a supermáquina 2008

Mês passado foi televisionado nos EUA o novo filme d’A Supermáquina nos EUA. Quem, como eu, é velho o suficiente pra ter assistido ao original sabe que, se a série não era um primor de qualidade, ainda assim não fazia o espectador passar vergonha alheia pela equipe produtora. Ou talvez minha memória esteja sendo condescendente com uma boa lembrança do passado, vai saber.


A nova dupla


A idéia de se lançar uma continuação da série aparentava ser boa, afinal o gosto por carros está em alta, a moda retrô também, os programas automotivos são um sucesso e tudo isso já garantiria o interesse na série.

Mas, da idéia até o produto final, alguma coisa deu errada. Não que o filme seja um lixo, longe disso, até diverte. O único problema é que existe a série original para se comparar.
O roteiro, cheio de furos, não é o que incomoda e sim os detalhes. A começar pela escolha - patrocinada - de um Ford Mustang como o novo K.I.T.T, ao invés de um Pontiac Firebird Trans-Am*. Aliás, a impressão que se tem ao assistir o filme é de ver um enorme comercial dos carros Ford.
Tem ainda os novos super-poderes do K.I.T.T, que, graças à nanotecnologia, pode mudar de cor, formato e auto-reparar os danos recebidos, como se fosse um Exterminador T-1000 com 4 rodas. (edit: o Sólon lembrou do seriado Viper nos comments, mas como eu não me lembrava do efeito direito, preferi colocar uma referência mais pop.)
E, o maior de todos os defeitos, as poucas cenas de ação com o carro são nada inspiradas, não teve nem um mísero powerslide que prestasse.

O protagonista humano, interpretado por Justin Bruening, é o velho clichê do herói caído, reticente em assumir sua missão, mas que se redime pela necessidade. A mocinha é interpretada por Deana Russo e apesar de dever no quesito atuação, compensa no quesito gostosura.

A CBS estuda a produção da série à partir da repercussão do piloto, então espero que os executivos estejam antenados com as reações dos espectadores e corrijam os defeitos, pois a série possui potencial. Ou talvez seja melhor que a série fracasse e que finalmente os execs entendam que alguns ícones do passado devem continuar no seu devido lugar: na memória dos fãs.

Clique aqui e veja por si mesmo, legendado em português. Precisa registrar no fórum pra ver os links, mas vale a pena, tem muita coisa boa por lá!


Eu era assim...


... e fiquei assim.


Mas deveria ser assim!


Canastrona, mas gata.


*Sim, eu sei que não se fabricam mais Firebirds, mas também sei que a GM é a dona da Pontiac e a maior concorrente da Ford, então nada mais natural usar algum carro da montadora da gravatinha. Ou que escolhessem um modelo mais esportivo, assim como o original.

André Miyazawa EmailCarros, Cinema, TelevisãoPermalink 2 comentários
Ago 24
de volta para o futuro

2008 é o ano do retorno de um mito. Stephen Wynne, proprietário da DeLorean Motor Co. do Texas (sem relação com a fábrica original), anunciou a volta do carro imortalizado na trilogia De volta para o futuro. Atualmente a empresa dedica-se à manutenção dos modelos existentes, mas planeja usar seu estoque de peças para fabricar novos exemplares. O visual consagrado será mantido, com melhorias nos materiais utilizados e na parte eletrônica. Um novo motor, mais potente, também está nos planos.



Mas a história da origem do carro é muito maior que o mito dos cinemas. Mais importante que o DMC-12 foi seu criador, John DeLorean. Engenheiro na Pontiac, foi um dos criadores do GTO, considerado o primeiro muscle-car.
O sucesso de DeLorean foi tamanho, que logo chegou a presidência da Chevrolet, a principal divisão do gigante corporativo GM, dona da Pontiac, Buick, Cadillac, entre outras marcas. Lá, pegou uma empresa em crise por atrasos no desenvolvimento de modelos como o Corvette e problemas financeiros devidos a pouca qualidade de seus carros, que sofreram um processo de recall. Porém, em 1971, DeLorean virou o jogo e transformou a Chevrolet em uma empresa batedora de recordes, ao comercializar mais de três milhões de automóveis.


Pontiac GTO

Em 1972 DeLorean assumiu a vice-presidência da GM e, apesar de seu estilo bon-vivant que incomodava os ternos cinzas corporativos, estava cotado para ser promovido quando surpreendeu a todos e anunciou sua demissão, para abraçar causas sociais.

No meio da década de 1970, John DeLorean criou sua própria empresa automobilística, batizando-a com seu nome. O primeiro e único modelo foi chamado de DMC-12 e seu projeto, assinado por Giorgetto Giugiaro, caracterizava-se pela carroceria de aço inox e as portas que abriam em asa de gaivota. Bancada pelo governo britânico, a construção da fábrica sofreu sucessivos atrasos e estouros de orçamento e o primeiro exemplar do DMC-12, também conhecido como DeLorean, foi produzido apenas em 1981. Ao final de 1982, após apenas nove mil exemplares, a fábrica faliu depois que seu fundador foi preso sob acusação de tráfico de drogas.


John DeLorean e sua criação.

John DeLorean só se livrou das acusações em 1984, e faleceu em 2005, sendo enterrado com honras militares por sua participação na 2ª Guerra Mundial.

Ah, vai te custar uns 58 mil doletas, fora impostos, para ter um dos carros mais classe de todos os tempos. É como disse o Doc Brown: "The way I see it, if you're gonna build a time machine into a car, why not do it with some style?"

André Miyazawa EmailCarros, CinemaPermalink Deixe seu comentário

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