É proibido ganhar dinheiro


Vivemos num país onde não pode ser rico.

Isso é cultural. A burguesia surgiu com uma classe social da Europa na Idade Média (séculos XI e XII) com o renascimento comercial e urbano. A tal burguesia dedicava-se, principalmente, a atividades financeiras.

Com o passar dos anos essa classificação tornou-se ainda mais pejorativa. É considerado burguês o sujeito rico, independente de modo como a riqueza foi acumulada. Entre tantas classes sociais desiguais, e num país onde a riqueza e o poder estão historicamente ligados à corrupção, o burguês é considerado um monstro. Se você é pobre a culpa não é sua, mas sim do burguês que, em algum momento e sabe lá Deus porque, deu certo na vida.

Sendo assim, o dotado de baixa renda vê o homem rico como um inimigo. Não um inimigo a ser batido, mas um inimigo a ser derrotado por si próprio. É prazeroso para alguns palpitar sobre a vida alheia e vibrar com uma falência eminente. É como se o dinheiro do próximo tivesse que ser usado da forma como você quer, não ele, o detentor. Isso tornou-se um vicio da sociedade brasileira: ter raiva de rico.

Para esses, pouco importa como o sujeito conquistou o dinheiro, ele não merece estar tão acima de sua realidade. O que devia ser visto como admiração e exemplo – nos casos dos ricos de modo lítico, unicamente -, é tratado como inveja e desprezo. Dois sentimentos que antecedem a raiva e, principalmente, o desgosto por uma mudança de vida ou iniciativa de almejar algo melhor.

Analisando além da questão cultural e sociológica, por que isso realmente acontece? Pelas atitudes – ou falta delas.

Observem o recente caso ocorrido em Mato Grosso. Mauro Mendes é empresário, presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso e político. Tentou ser prefeito de Cuiabá em 2008 e governador do estado em 2010. Não existe uma linha que aponte alguma atividade ilegal na carreira Mendes. É um profissional admirado por seus funcionários, trabalhador nato e, por méritos próprios, um dos homens mais ricos de Mato Grosso.

No final de semana ocorreu a festa de 15 anos da filha de Mauro Mendes. O evento contou com 750 convidados, os atores da TV Globo Kayky Brito, Humberto Carrão, Marco Antônio Gimenez, Caio Castro, Max Fercondini, Daniel Oliveira e Caco Ricci e show da dupla Fernando e Sorocaba, que cobra um cachê de R$400mil por 1h20 de show.

O evento contou com os mais disputados serviços de buffet, decoração, organização, moda e coreografia do estado. Senadores, deputados e secretários estavam entre a lista de convidados. A conta final da festa, de acordo com os jornais locais, ultrapassou R$1.500.000,00: Hum milhão e quinhentos mil reais.

Quanto custa o sonho da sua filha? Talvez ele não tenha preço. Mas o valor exorbitante é pedir para que haja questionamento no caso. É o time-point dessa visão preconceituosa que a classe baixa tem da burguesia. E o tom esnobe e fútil representado na atitude de alugar convidados atores é o ápice da extravagância. Tão deprimente quanto mesquinho.

Pouco me importa como Mauro Mendes gasta o seu dinheiro. Mas faltou bom senso. Faltou a Mauro Mendes lembrar que ele é, desde que entrou para a política, uma pessoa pública. Faltou sensibilidade de entender que a realidade do povo não é cercada de atores de novela. Faltou, inclusive, planejar como todo esse dinheiro poderia ser investido em ações ou atitudes filantrópicas fora do período eleitoral.

São essas fantasias e ilusões que fomentam o desprezo, o rancor e a falta de afinidade do povo comum com a minoria burguesa. Quem devia ser exemplo torna-se rival. O sentimento é claramente de inveja, mas a humilhação transborda nas emoções de quem vê, lê e ouve sobre a fortuna que podia ter outros fins.

A desigualdade perpetua. E a culpa, involuntariamente, divide-se.



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Comentários:


Comentário de: Fernando · http://quercafe.com

ele deve estar meio quebrado igual o Silvio Santos...

1 milhão e meio para uma festinha da filha? ehehhe é como vc disse, não tem dinheiro que pague a realização de um sonho, ele tem dinheiro, não há mal algum em realizar certos caprichos, o problemas das pessoas que acham isso exorbitante, é que já de cara, se lembram das contas, das parcelas e pensam, nooooooooooooossa, com esse dinheiro eu pagava tudo isso e ainda sobrava...

mas essa é vida... eu tenho a vida que sempre quis, agradeço a Deus por isso.

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 16:11



Comentário de: Fernando · http://quercafe.com

dá uma olhada aí no IE, que em todos os pcs que eu entrei tá dando erro na largura da página, essas colunas do lado >>
ficam embaixo dos posts...

abraçossss

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 16:15



Comentário de: Dorly Neto · http://www.dorlyneto

A burguesia fede
a burguesia quer ficar rica.
Enquanto houver burguesia
não vai haver poesia.

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 16:24



Comentário de: Fernanda Lima

Se pensarmos bem, todo mundo gasta dinheiro "à toa"; guardadas as devidas proporções. Quantos de nós gastamos o equivalente a um (ou vários) marmitex num barzinho? É fácil olhar o que se pode fazer com 1 milhão; difícil é pensar que 20 reais também é muita coisa (e pra muita gente). Acho válido observar o desperdício na piscina alheia, desde que a gente feche a torneirinha da pia de casa também...

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 16:43



Comentário de: Romeu Corseni Fagundes

É verdade. Aqui mesmo em Laguna é possível constatar que o que está por baixo não aplaude o que está por cima. Ao contrário, torce as mãos e xulia para que o outro desça para ficar no mesmo nível dele.
E a inveja nasce deste fato sociológico que, por seu turno, alimenta a mídia desde os tempos primordiais. Dá arrancada no diálogo de lavadeiras e arranca até o cimo dos grandes cérebros especializados em "comunicação" cuja profissão é fazer subir o conceito de um profissional -- aos poucos -- e quando é o caso fazer o contrário.

É atávico e persistirá para todo o sempre.

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 17:02



Comentário de: Silene

O brasileiro é culturalmente condicionado a se nivelar por baixo, infelizmente. Quem se destaca neste país, se pelo que for, acaba por se transformar em vilão, uma espécie de "traidor da nação".
Não há mal algum em se ter sucesso, dinheiro, fama... Problema é alardear isso, ostentar gastos nababescos (o que já é falta de finesse por si só;)em um país com esse tipo de cultura, onde tantos vivem no limite da miséria, beirando a indigência. Chega a ser ofensivo para muitos, por se tratar de uma pessoa pública.
Não me interessa saber quanto ou em que MM gasta seu dinheiro conquistado com muito trabalho, de forma lícita. Só acho que este tipo de atitude deveria ser melhor pensada, haja visto suas ambições políticas. A inveja tem o sono leve...


PermalinkPermalink 07.12.10 @ 17:14



Comentário de: Romeu Corseni Fagundes

É verdade. Aqui mesmo onde moro as pessoas não aplaudem quem sai bem sucedido, ao contrário esfregam as mãos em júbilo torcendo para que o outro fracasse para se igualar a ele. E assim nasceu a inveja desde os tempos primordiais das chamadas lavadeiras até o cume da mais prestigiosa mídia um tipo de lavadeira tecnológica aonde atuam grandes cérebros para fazer crescer ou para derrubar um candidato ao sucesso.
Contudo, convém ter presente que este milhão e meio gerou empregos e distribuiu poder de compra para um número incalculável de pessoas. Faz parte da economia de mercado com todas suas facetas boas ou más depende do ponto de vista.

Foi assim. É assim. E sempre será assim.

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 17:33



Comentário de: Romeu Corseni Fagundes

É verdade. Aqui mesmo onde moro as pessoas não aplaudem quem se sai bem sucedido, ao contrário esfregam as mãos em júbilo torcendo para que o outro fracasse para se igualar a ele. E assim nasceu a inveja desde os tempos primordiais das chamadas lavadeiras até o cume da mais prestigiosa mídia um tipo de lavadeira tecnológica aonde atuam grandes cérebros para fazer crescer ou para derrubar um candidato ao sucesso.
Contudo, convém ter presente que este milhão e meio gerou empregos e distribuiu poder de compra para um número incalculável de pessoas. Faz parte da economia de mercado e todas suas facetas boas ou más depende do ponto de vista.

Foi assim. É assim. E sempre será assim.

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 17:36



Comentário de: ALF · http://www.propagandamt.com.br

Excelente crítica meu caro. Me lembra de te pagar umas cervejas. :)

PermalinkPermalink 07.12.10 @ 17:37



Comentário de: AF

Entrei recomendado pelo Luciano Marino. Muito bom o artigo, parabéns.
Interessante que nos EUA uma pessoa 'rica' é quase sempre admirada, pois parte se do principio que ela fez algo mais para ter seu dinheiro. Lá também existe muito claro esta noção de que 'cada um gasta o seu com o que quiser', sem tantos julgamentos.....

abs

AF

PermalinkPermalink 08.12.10 @ 10:38



Comentário de: Richard Olecram

Antigamente a festa de 15 anos era usada para apresentar a filha para a sociedade com o objetivo dela casar com um "bom partido", ainda mais se fosse feia.

PermalinkPermalink 08.12.10 @ 11:24



Comentário de: acompanhantes · http://www.escortsp.com.br

escortsp.com.br

PermalinkPermalink 08.12.10 @ 17:38



Comentário de: juliethe · http://cuiaba

O Porque de tanto escandalo,quem pode faz quem não pode anda em um carro sem ar,Deus existe para todos.So quem são pais sabe o quanto vale um sonho de um filho.Quanto a filantropia uma mão não ve o que a outra faz.

PermalinkPermalink 13.12.10 @ 01:53



Comentário de: Canibal

Fez certo! É a filha dele, a pessoa que mais ama! Demonstrou claramente que o apego ao dinheiro não está acima dos valores familiares. Se eu tivésse condições de realizar sonhos de quem eu amo, certamente o faria.
O restante da população e os esquerdistas de plantão têm inveja desse tipo de situação!


PermalinkPermalink 13.12.10 @ 13:50



Comentário de: Dilson Junior · http://twitter.com/dirso_jr

Perfeita a coluna.
Mas ainda acho que se o cara PODE ser dar ao luxo de uma festa de 1,5mi... Fazer oq? Não há lei que diga como um homem deve gastar seu próprio dinheiro...

É claro que esse montante poderia ter sido usado em uma campanha filantrópica, mas quem garante que Mendes não o faz, essa festa não exclui a possibilidade de uma ação de caridade...

PermalinkPermalink 13.12.10 @ 14:44



Comentário de: Jorge

As pessoas com o tempo mudam e sua ideologias que se diziam eternas também.

PermalinkPermalink 14.12.10 @ 09:51



Comentário de: Jorge

E com certeza o Sr. Mauro deve declarar esse gasto.

PermalinkPermalink 14.12.10 @ 09:54



Comentário de: Rafael Rivas · http://rivasrevoluta.blogspot.com

Inveja... sabe, um cara famoso por seus Vlogs é o Felipe Neto. Ele costuma criticar alguns artistas, principalmente aqueles coloridos. Os fãs, pessoas cegas de uma paixão inútil, costumam xingá-lo dizendo que ele tem inveja. Me pergunto, será que esse tipo de argumento, de que o pobre tem é inveja do rico, não seria um argumento calcado em um sentimento vazio criado pela "burguesia" para justificar a falta de justiça social?
É fácil falar que os outros têm inveja, enquanto estudei nos melhores colégios, na melhor faculdade (pública)e etc. Tive as melhores oportunidades, estou por cima, logo, os outros tem inveja por que sou bem sucedido. Não me parece um argumento válido!
Descordo em grande parte do texto, pois, mesmo os pobres tenham inveja, os ricos ainda têm muito mais. Ou você acha que eles compram carros importados todos os anos porque são mais confortáveis ou porque o modelo melhorou? Óbvio que não,é justamente para ostentar e causar inveja em outro rico, que por sua vez fará o mesmo, comprando algo melhor. Ele não estão nem aí para a inveja do povão.

Só uma correção, você está falando de elite, e não de burguesia. O conceito de burguês é outro. Você pode ser Juiz, Advogado ou Médico e ainda assim vai ser proletário, pois vende sua força de trabalho em troca de uma contra-prestação. A não ser que você detenha os meios de produção, aí sim, você é um burguês. Se você quer ter melhores argumentos para afirmar uma sociedade liberal, que os ricos possam gastar suas fortunas sem a inveja do povo, procure estudar Émile Durkhein, Max Weber e Karl Marx. Faz um estudo da ideologia de cada um e tire uma conclusão. É um pouquinho melhor do que falar sem propriedade, baseado no senso comum.

Valeu

Abraços.

PermalinkPermalink 15.12.10 @ 12:34



Comentário de: veronica

Perfeito, Rafael!!!!Vou lá no seu blog...rs!

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 12:02



Comentário de: guilherme

Ele gastou 1,5 milhão, ganharam os garçons, os atores, os cantores, os músicos, seus assistentes, a empresa que faz a festa, o clube, os fotógrafos, as lojas de decoração, vestidos, ternos, sapatos, as faxineiras contratadas para limpar, as cozinheiras que fizeram a comida, as lojas de bebidas e seus fabricantes etc etc etc posso ficar o dia todo citando gente que lucrou com essa festa.

Os estúpidos com ideologia atrasada de boteco não perceberem que o dinheiro deve circular para a economia aquecer.

Dinheiro mal gasto é a porcaria do Lula ficar dando passaporte diplomático para os filhos, isso é gasto de dinheiro público sem retorno, que não gira a economia e cria privilégios.

PermalinkPermalink 08.01.11 @ 13:57



Comentário de: Felipe

duas coisas, a burguesia nao eh exemplo, sao ricos porque se apropriam do fruto do trabalho alheio ou utilizam metodos ilicitos para enriquecer (esses, nao burgueses por definicao), pobre e miseravel, nao sente inveja de burgues, pq burgues nao vive, se esconde, a real vida hoje acontece na "rua", fora desses feudos modernos chamados de condominios, retirados de propriedades abandanodas e inuteis.. para mudar, eh preciso mudar o modo de producao.

PermalinkPermalink 08.01.11 @ 17:06



Comentário de: Jorge

O que o sr Mauro Mendes deveria ter feito então?
Eu respondo: deveria ter feito o que lhe desse na telha, pensado na felicidade da filha e da sua família. Incomodou os invejosos? Não há maneira de fazer qualquer coisa que não os incomode, então que se dane...
Sou classe média, vim de baixo estudando em escola pública e consegui um padrão razoável de vida totalmente honesta, mas quando troco de carro (tenho hoje um pouco invejável Peugeot 307 sedan do ano), sou olhado atravessado até pelos meus parentes. Vocês acham que vou deixar de trocar de carro por causa dos olhares? Vou nada... assim também pensa o sr Mauro.
Não sei se ele ajuda instituições filantrópicas, mas só o fato dele pagar em dia seus funcionários e movimentar a economia com honestidade já me faz um fã dele.
E sim, meu carro tem ar condicionado mesmo morando em São Paulo, é novinho em folha e é meu. Rodo muito bem, com conforto e segurança e pago todos os impostos, o combustível e a manutenção, então quem não aprova que se f*#&da

PermalinkPermalink 21.02.11 @ 16:09



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Fred Fagundes
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