Não existe local com tantas verdades e fatos indubitáveis como Cuiabá. A cidade, mediante seu derivado - o cuiabano –, apresenta-se para quem quiser conhecê-la com curiosidades bem-relevantes. A começar pelo sotaque. O dialeto do cuiabano, mesmo que visto com certa discriminação por grande parte dos jovens, possui particularidades brilhantes.
O cuiabano, por exemplo, não encosta. O cuiabano trisca. O cuiabano não namora. O cuiabano garra. O cuiabano não vai embora. O cuiabano vaza. O cuiabano não junta. O cuiabano prefere ajojar. O cuiabano não furta. O cuiabano róxa. O cuiabano não observa. O cuiabano expia. O cuiabano não fica cheio. O cuiabano fica até na oreia. O cuiabano não é esnobe. O cuiabano é cordero.
Aliás, cordero não. Há de surgir um povo que melhor receba o visitante que o cuiabano. Talvez embalado pelo seu bairrismo, o cuiabano gera um paradoxo de pavor e paixão sobre sua terra. Adora falar mal do calor, da falta de opção cultural, do trânsito, e do valor cobrado no estacionamento dos shoppings centers. Mas ai de quem sequer ameaçar criticar essas, digamos, particularidades. Principalmente se houver algum tipo de treta regional em jogo. Sim, estou falando de Campo Grande.
Sejamos francos: essa rivalidade com a capital do sul sempre foi bem mixuruca. A vinda da Copa do Mundo de 2014 para Cuiabá foi o que realmente reergueu essa rixa. A partir de 31 de maio último “Chupa essa Manga” virou o xingamento oficial cuiabano. E nosso orgulho de ser cuiabano, como nunca antes, ficou ainda mais evidente.
Rivalidade essa que parece ser comprada por quem vem de outros Estados. Basta pouco tempo para se tornar um deles, os cuiabanos. Povo de agradável convivência, humildade aparente e comprovada, mas com um leve ar exigente e teimoso que irrita – cuiabaninho teimoso style, quem não conhece um? Mas, no final das contas, essa moage é apenas mais um motivo para rir.

Mesmo a cidade expondo, como qualquer outra, seus defeitos, devemos reconhecer que Cuiabá é diferente. E diferente de um modo que jamais saberemos explicar. Não se importe, caso as pessoas não entendam essa afirmativa. Responda-as com um sorriso irônico. Celebre morar em Cuiabá.
E fica frau.
¹ Artigo postado originalmente na edição dessa semana do Circuito MT.
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Comentários:
Ótimo texto, parabéns!


